CABO Daciolo x Sargento PRESO. Militares das Forças Armadas continuam quase sem representação no CONGRESSO.

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Conversando um pouco. Despretensiosamente.

Sabe-se que um dos candidatos à presidência do Clube Militar tinha entre suas propostas de campanha um projeto para alavancar a candidatura de candidatos militares ao legislativo. Disse que uma representação forte no Congresso poderia melhorar a situação da família militar, além de fortalecer as Forças Armadas no cenário político nacional. A proposta, da chapa Determinação, chefiada pelo general Paulo Roberto C. Assis, era “… Buscar aglutinação da família militar no sentido de eleger representação nos três níveis do Legislativo, incentivando o direito cívico do voto através de uma mobilização pró-eleições a níveis Municipal, Estadual e Federal”.

A chapa de Paulo Roberto Assis acima ficou em último lugar na eleição do CM, com apenas 360 votos. 

Outro candidato, General Marcos Felício, da Chapa Tradição, coesão e ação, foi amplamente citado pela mídia eletrônica por conta de seus textos corajosos. Um deles:

“A imposição de apuração de pretensas torturas em unidades militares, durante a Contra-Revolução de 64, solicitada pela famigerada Comissão da Verdade, dilacera as entranhas das Forças Armadas (FFAA) e mostra falta de sensibilidade e de firmeza dos comandantes das Forças no exercício das lideranças respectivas… Nas ruas, a estupefação é geral com a passividade dos comandantes militares das Forças diante de tais agressões.”

Marco Felício recebeu apenas 570 votos.

Às vésperas das eleições do CM, um general chegou a dizer que: esperamos do Clube algo mais do que tertúlias quiméricas e desfiles de moda, e que repitam as retumbantes posições do Clube em situações que se caracterizavam pela perda da soberania e ameaça à democracia nacional.

O vencedor das eleições (com 1023 votos) foi o General Pimentel, que possuía uma proposta que consideramos a menos ousada na questão política. Dizia: … Acompanhar os grandes acontecimentos no País e o momento político nacional, expressando as posições do Clube, sempre que isso for recomendável. – Acompanhar o trâmite da representação interposta pelos Clubes Militares junto ao Ministério Público Federal contra a parcial e revanchista Comissão Nacional da Verdade”

Avaliando rapidamente os resultados das eleições no clube dos oficiais do Exército, facilmente somos levados a acreditar que quanto menos ousada a proposta, mais votos a chapa recebeu. Entende-se então, que os militares da reserva, salvo raras exceções, não querem se envolver em política. Eles querem mesmo é desfrutar de suas aposentadorias, jogando dominó e participando dos bailes e exposições promovidos pelo clube.

No mesmo ano em que ocorreram as eleições no Clube Militar (2014) um sargento do Exército fez algumas ações no intuito de chamar a atenção da sociedade para a questão salarial dos militares das Forças Armadas.

O cara saltou de rapel da ponte Rio Niterói e escalou um monumento de mais de 20 metros de altura, no centro do Rio. Ele portava faixas pedindo reajuste para os militares, tudo isso com ampla cobertura da imprensa Carioca. O sargento foi preso pela polícia rodoviária, algemado, punido por oficiais do Exército e trancafiado na cadeia por duas vezes, uma para cada manifestação.

Cerca de um ano depois, o que é natural, na falta de militares que se destacam na mídia, o militar foi convidado para se candidatar para o cargo de deputado pelo estado do Rio de Janeiro. Acreditava-se que a família militar (das Forças Armadas) poderia depositar sua credibilidade em um homem que decidiu arriscar sua carreira em prol da coletividade.

Lá pela mesma época, o cabo bombeiro Daciolo, que também foi punido por sua atuação em prol de melhores salários para os policiais do Rio de Janeiro, resolveu se candidatar ao cargo de deputado federal. Acreditava-se que a família militar (Policiais e Bombeiros) poderia depositar sua credibilidade em um homem que decidiu arriscar sua carreira em prol da coletividade.

Vocês já sabem o que aconteceu: O cabo DACIOLO foi eleito, o Sargento do Exército não foi eleito.

Vários membros de associações ligadas aos militares, homens e mulheres que passaram o ano de 2013 e parte de 2014 lutando por melhores condições para os militares das Forças Armadas também não receberam votação significativa. Nenhum deles foi eleito.

Daciolo já mostra sua determinação no Congresso Nacional, lutando por melhores condições para os policias, bombeiros e até para os militares das Forças Armadas. O PSOL já pensa em expulsá-lo do partido por mostrar tanto empenho em favor dos militares.

O Sargento que saltou da Ponte desapareceu completamente da Mídia. Deve estar cuidando agora de acertar sua carreira militar, após tantas cadeias.

Desculpem a franqueza.

É no mínimo uma grandiosa burrice fazer clara oposição ao atual governo, que tem o controle da máquina estatal, ao mesmo tempo em que não se constrói um escudo, já que a sociedade militar não se engaja de forma inteligente para formar uma bancada militar no Congresso.

A família militar tem que sair de sua redoma de vidro e acordar para a política. Se continuar assim vão se estrepar cada vez mais.

Robson A.D.Silva – Cientista Social.

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