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Forças Armadas

Terrorismo no Brasil (1). Podemos tocar nesse assunto, ou é tabu?

Terrorismo no Brasil. Podemos tocar nesse assunto, ou é tabu?

Pretendemos discutir o assunto em linguagem bastante acessível, levantando questões e, quem sabe, realizar a projeção de alguns cenários. Participe, questione, sugira. 

Temos certeza que no contexto atual nenhum país está imune a essa ameaça. A questão é tão pertinente e próxima de nós que foi recentemente estopim para cisma entre o executivo e uma das maiores autoridades militares do país.

Nota veiculada na grande mídia diz que o general De Nardi foi afastado do comando do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas justamente por discordar de sanção da presidente Dilma em lei que cancela a exigência de vistos para estrangeiros que vêm ao Brasil em 2016 .

“O general José Carlos de Nardi, então chefe do Estado Maior das Forças Armadas foi afastado do posto pelo ministro da Defesa, Aldo Rebelo. A exoneração ocorreu doze dias após de Nardi declarar ser contra o projeto de liberação de vistos. Para o general, a medida facilitaria a entrada no País de criminosos ou terroristas.” O Globo, 4 dez 2015.

Para discutir o fenômeno do terrorismo é preciso, obviamente, primeiro defini-lo como categoria de análise,  identificar os seus principais objetivos, características, financiamento, interesses e também causas e efeitos com base na evolução histórica da humanidade.

Em fevereiro desse ano o Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Santos Silva, disse que é preciso discutir o terrorismo sem tabus, inclusive tocando em pontos chaves como questões religiosas e ideológicas, que normalmente são deixadas de lado em nome do politicamente correto.

A Revista Sociedade Militar concorda.  Temos que tocar no assunto.

Cremos que há necessidade de, inicialmente nos diversos círculos dos efetivos de forças de segurança, e depois mídia e sociedade em geral, obviamente aplicando conteúdo adequado a cada contexto, discutir francamente o assunto.

Não podemos incorrer no erro de permanecer considerando nossa sociedade como infantil, indigna e/ou incapaz de absorver e reagir de forma positiva frente a informações mais importantes. Cremos que procedendo assim na verdade contribuirmos para o atraso no amadurecimento.

Do soldado ao cidadão

O soldado de guarda em uma guarita precisa ser esclarecido, é indispensável que pelo menos tenha noção do que pode vir a enfrentar. O cidadão que comparece a um grande evento precisa ter noção do que pode ser um indício de atentado.

Há alguns meses chamou-nos a atenção nota veiculada por jornal de grande circulação no Rio, que divulgava supostos “terroristas árabes” trafegando em pleno centro da cidade. Obviamente eram militares nossos. Porém, o episódio nos alerta para o nível de seriedade que nossos veículos de comunicação têm em relação à temática. Sem se importar com consequências ou com a “informação” veiculada, a mídia simplesmente replicou o que recebeu de um cidadão.

Precisamos conversar com a imprensa e/ou gastar algum dinheiro em informação por meio de outdoors, internet e mídia impressa. Forças de segurança melhor compreendidas pela sociedade atuam com mais eficácia e tranquilidade em um contexto de crise.

O terrorismo

O terrorismo é um processo que normalmente envolve violência física ou psicológica contra alvos não militares, ou não membros de forças de segurança pública. Os alvos são escolhidos previamente ou aleatoriamente. O terrorismo é uma forma instrumentalizada de impor o medo sobre uma nação, ou grupo específico.

Normalmente objetivos políticos e/ou religiosos são a razão da prática do terrorismo.

Se dissemos que o terrorismo tem em si um componente político, então implicitamente declaramos que a prática tem como objetivo alcançar modificações no regime / normas jurídicas, obtenção de mais autonomia política ou outras conquistas nesse quesito.

Infligindo terror, ansiedade e, conseqüentemente, efeitos psicológicos bastante incômodos na sociedade, o terrorismo se torna mais eficaz do que o “simples” assassinato de inimigos políticos.

Há controvérsias em torno da violência realizada com base em reivindicações políticas. Alguns alegam que não deve ser rotulada de terrorismo. A esquerda brasileira alega que os atentados realizados durante o regime militar foram ações necessárias, que não houve terrorismo de esquerda no Brasil. Já os militares denominam tais atos como atentados terroristas.

A esquerda sul americana chama de “terrorismo de estado” as ações perpetradas pelas forças de segurança contra grupos armados de esquerda que tentavam impor sua visão política em meados do Século XX e até hoje discute-se se isso não acaba endossando ações violentas de grupos “paramilitares” como FARC etc.

Robson A.DSIlva – Revista Sociedade Militar

3 Comments

3 Comments

  1. Almanakut Brasil

    16 de março de 2016 at 7:42 pm

    Jihadista realiza primeiro ataque do tipo na América do Sul

    No dia 08 de março de 2016 um comerciante judeu foi morto por muçulmano que afirma estar seguindo ordens de Alá.

    Mesmo que não venha a ser admitido pelas autoridades, um ataque declaradamente jihadista na América do Sul deveria nos deixar de sobreaviso. Especialmente por que já há casos de brasileiros sendo contatados pelos Estado Islâmico e no início do ano um extremista veio ao Brasil aliciar jovens. (News Alki Page)

  2. ANJuS

    15 de março de 2016 at 11:48 pm

    Golpe armado no brasil!!! as FFAA não se pronunciam? Então pronuncia a reserva!!!!

  3. walderez pio dos santos

    15 de março de 2016 at 11:48 pm

    Boa Noite. Como cidadã estou preocupada com a votação de amanhã. Esta é a segunda vez que comento. Acredito que os srs estão sabendo sobre o golpe da PEC-20 que será votada ou imposta ao povo brasileiro amanhã, sobre o nosso regime de governo mudar para parlamentarismo utilizando-se o MS 22972. Isso é um absurdo e o povo não foi consultado. Nós, o povo, só servimos para pagar os salários e o luxo desses políticos. Quero acreditar que as FFAA nos protegerão e a nossa Constituição. Se essa PEC passar, teremos um criminoso (o chefe) como primeiro ministro. O que será desse Brasil?

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