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Forças Armadas

Juízes de merda x generais de merda! Lamentável, o nível da discussão entre militares e judiciário desce a patamares grotescos!

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“Juízes de merda” brigam com “generais de merda”, o discurso empobrece, o nível da discussão cai e a sociedade brasileira é agora obrigada a assistir a grotesco espetáculo em meio a maior crise jamais enfrentada pela humanidade

Para qualquer mente pensante o discurso repetido por alguns generais, que alegam desejar que as Forças Armadas se mantenham como instituições de estado, ultrapassa os limites normais do que se chama hipocrisia, já soa mesmo como “ta me achando com cara de otário?”.

Como um grupo de oficiais generais da ativa exercendo cargos de ministro de estado, participando ativamente do governo, justamente em um momento em que a sociedade está polarizada quase em seu limite, acha que pode fazer alguém acreditar que as Forças Armadas não serão confundidas com instituição de governo? É inacreditável e é exatamente isso que embaralha a mente da militância bolsonarista que dia após dia exige das Forças Armadas a chamada intervenção militar, AI5 e/ou pelo menos uma defesa atroz das propostas políticas de Jair Bolsonaro.

Interessante também é o chamado discurso morde e assopra. Aparentemente tem como objetivo manter o clima belicoso. Um general deputado joga em suas redes sociais que “a onça vai beber água” e poucos dias depois fala que não é a favor de “art.142”

Nesse sábado o general Santos Cruz disse, a Isto É: “O comportamento de fazer discurso em frente ao Quartel-General do Exército, essas coisas aí, elas confundem a população. Isso é uma confusão que é ruim e traz insegurança. E não só insegurança para a população em geral, mas até no bom nível político, jurídico…”

Texto atribuído a militares e distribuído pela grande mídia atrai a atenção por coloca em confronto militares e judiciário. Destaque deve ser dado também aos termos de baixo nível que utiliza. A peça remete ao ex-ministro Saulo Ramos ao se referir no passado a Celso de Mello como um Juiz de Merda.

nenhum Militar, quando lhe é exigido decidir matéria relevante, o faz de tal modo que mereça ser chamado, por quem o indicou, de general de merda.”

De fato o nível da discussão está descendo bastante e até Santos Cruz, que chegou a dizer que as Forças Armadas jamais seriam alcançadas ou confundidas como instituições de governo, disse que seria melhor que os oficiais que fazem parte do governo peçam sua transferência para a reserva, poupando assim as forças armadas de um possível perda de status.

No meio militar você tem pessoas da ativa à disposição do governo. Ele continua na ativa. É muito melhor passar para a reserva.”, disse o oficial.

“General de Merda” foi o termo utilizado pelo senador Telmário Mota ao se referir ao atual ministro da saúde, general Eduardo Pazzuelo. Ciro Gomes, segundo o Antagonista, chamou-o de VAGABUNDO. O que mostra que a coisa está mesmo complicada. uma busca pelo termo no twitter retornou dezenas de menções ao “adjetivo” usado contra os militares.

O general Santos Cruz, acima mencionado, antes adorado pelos bolsonaristas, foi exonerado por Jair Bolsonaro por conta de declarações de um militante que reside nos EUA e que vez por outra dispara termos como generais usam calcinhas ou generais são covardes.

O próprio Olavo usou também o termo MERDA ao se referir ao governo exercido por Jair Bolsonaro :“Continue covarde e derrubo essa merda de governo”, disse o escritor.

Outro termo bastante interessante é Melancia, foi  utilizado pelo próprio Jair Bolsonaro ao se referir ao General Rocha Paiva, um dos grandes formadores de opinião do Exército Brasileiro.

A coisa vai de mal a pior, e como se não bastasse isso tudo – os oficiais generais que exercem mandatos parlamentares se engalfinham vez por outra com sargentos no congresso nacional, os oficiais lutaram durante quase um ano inteiro para conquistar para seu circulo hierárquico uma gratificação vitalícia de representação no valor de 10% sobre os soldos, além de outras vantagens. Os graduados conseguiram derrubar a gratificação, mas saíram perdendo em outras vantagens.

Os generais deputados, generais ministros e o próprio general-vice-presidente – que não poupam acusações contra o Supremo Tribunal Federal – desrespeitam diuturnamente o estatuto dos militares, a coisa é vista como uma espécie de TABU, ninguém toca no assunto.

O Estatuto, a bíblia dos militares, diz que quando um militar exerce cargo civil na administração pública está impedido de usar as designações hierárquicas. O legislador – militar sábio do passado – com a norma desejava evitar que um oficial ou graduado exercendo cargo civil atraísse para as forças armadas as críticas que porventura recebesse durante a atividade.

A lei diz que o militar deve: “abster-se, na inatividade, do uso das designações hierárquicas: a) em atividades político-partidárias; e) no exercício de cargo ou função de natureza civil, mesmo que seja da Administração Pública; …”.

Robson Augusto é militar R1, jornalista, sociólogo e escreve para a Revista Sociedade Militar.

Leia o novo manifesto de oficiais contra o Supremo Tribunal Federal

Ao Sr. José Celso de Mello Filho.
Ninguém ingressa nas Forças Armadas por apadrinhamento.
Nenhum Militar galga todos os postos da carreira, porque fez uso de um palavreado enfadonho, supérfluo, verboso, ardiloso, como um bolodório de doutor de faculdade.
Nenhum Militar recorre à subjetividade, ao enunciar ao subordinado a missão que lhe
cabe executar, se necessário for, com o sacrifício da própria vida.
Nenhum Militar deixa de fazer do seu corpo uma trincheira em defesa da Pátria e da Bandeira.
Nenhum Militar é comissionado para cumprir missão importante, se não estiver preparado para levá-la a bom termo.
Nenhum Militar tergiversa, nem se omite, nem atinge o generalato e, nele, o posto mais elevado, se não merecer o reconhecimento dos seus chefes, o respeito dos seus pares e a admiração dos seus subordinados.
E, principalmente, nenhum Militar, quando lhe é exigido decidir matéria relevante, o faz de tal modo que mereça ser chamado, por quem o indicou, de general de merda.
Rio de janeiro, 13 de junho de 2020

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