Fragilidade na GESTÃO de BOLSAS do GOVERNO é revelada por escândalo conjugal-político no Rio de Janeiro. Contrato de 9,6 milhões colocado em cheque.

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Fragilidade na GESTÃO de BOLSAS do GOVERNO é revelada por escândalo conjugal-político no Rio de Janeiro. Contrato de 9,6 milhões colocado em cheque.

A imprensa tradicional se foca somente na questão conjugal e na propina recebida. Contudo, mais do que isso, percebe-se nesse caso a fragilidade na gestão das bolsas assistencialistas do governo, que deixadas sob administração local dá oportunidade aos governantes de usá-las em proveito próprio, com fins financeiros, ou eleitoreiros.

   Numa conversa tensa com sua ex-esposa, o deputado federal Rodrigo Bethlem, do PMDB do Rio de Janeiro, que é filho da atriz Maria Zilda, discutia detalhes do divórcio dos dois, entre eles estava o valor a ser pago como pensão.  O deputado Bethlem pedira licença da Câmara dos Deputados, naquele mesmo ano, para servir à prefeitura, assumiria como  secretário municipal de Assistência Social. A gravação da conversa foi revelada essa semana, e infelizmente fornece-nos mais dados que reforçam o que já sabíamos, que as malhas da corrupção não param de crescer em nosso país, deixando-nos cada vez mais cépticos em relação à honestidade de nossa classe política.

A discussão se estendeu horas na casa de Vanessa, num luxuoso condomínio da Barra da Tijuca, Zona Oeste da cidade. Isso tudo poderia ser apenas mais uma briga de casal, sem interesse público, se não fossem as revelações comprometedoras que Bethlem fez a Vanessa.

O deputado revelou que embolsava dezenas de milhares de reais mensalmente, além de seu salário como secretário. Na conversa, ele sugere que se tratava de propina oriunda de contratos da Secretaria, incluindo um convênio para cadastrar beneficiários do Programa Bolsa Família.

Bethlem foi eleito para ocupar vaga no Congresso, onde seus eleitores esperavam que permanecesse até o fim do mandato. O político resolve abandonar o cargo no Congresso e assumir cargo na Prefeitura do Rio, como secretário municipal, mas continuava recebendo salário do Congresso Nacional.

Agora o segundo ponto. Que deveria gerar uma investigação em nível nacional sobre a gestão dos programas assistencialistas.

A revista ÉPOCA em artigo sobre o caso, publicou que na conversa com sua ex-esposa, Bethlem teria dito sua “principal fonte de renda” seria dinheiro proveniente de um dos contratos da Secretaria Municipal de Assistência Social do Rio de Janeiro. Tratava-se de um convênio para cadastrar famílias de baixa renda e criar um banco de dados com nomes e endereço de pessoas com direito a inclusão em programas sociais, como o Bolsa Família. Segundo as gravações, o deputado receberia mesada, de 15 mil reais, até da empresa que fornece a alimentação para a ONG que executa o serviço de cadastramento.

A revista fez uma pesquisa em contratos da Secretaria na gestão Bethlem. Com dispensa de licitação e pelo período de sete meses, o secretário Bethlem contratou, em agosto de 2011, a ONG Casa Espírita Tesloo, para cadastrar famílias de baixa renda, pelo valor de R$ 9,68 milhões. Comandada pelo major reformado da Polícia Militar Sérgio Pereira de Magalhães, a Tesloo já é alvo de diversas investigações sobre desvio de dinheiro em convênios com a prefeitura, incluindo o assinado por Bethlem,  hoje em análise no Tribunal de Contas do município.

Uma auditoria em nível nacional seria importante, para deixar bem claro à sociedade que os programas assistencialistas em todo o país não estão sob controle de ONGs destituídas do mínimo de honestidade e independência para gerir programas que envolvem bilhões de reais que saem dos bolsos dos contribuintes. Em nosso país a corrupção tem seus tentáculos infiltrados em inúmeras instituições, ONGs e órgãos públicos, por isso talvez fosse interessante que se fizesse o que recentemente fez a Cruz Vermelha (Veja Aqui), que contrate-se uma empresa internacional para realizar uma grande auditoria nesses programas assistencialistas, que muitos cidadão consideram como eleitoreiros.

Isso é muito grave, além dos próprios cadastrados nos programas estarem, segundo revela a reportagem de época, nas mãos de entidades que pagam propinas /subornos / mesadas para obter contratos com o governos, os beneficiários estão em situação de fragilidade, tendo seus dados particulares, como CPF, filiação e endereço nas mãos de entidades que, segundo as denúncias, seriam ilícitas. Quem garante que entidades desse tipo, capazes de pagar propina para obter contratos, não tentariam ligações telefônicas para idosos propondo empréstimos consignados, citando dados que já teriam em mãos para garantir sua suposta idoneidade? Ou que não passariam os dados para outras organizações tsambém não tão confiáveis?

O deputado em questão, Rodrigo Bethlem é candidato a re-eleição pelo PMDB carioca.

Hoje no RIO se iniciaram movimentações de políticos para que seja aberta uma CPI na Câmara Municipal para investigar irregularidades na Secretaria de Assistência Social. 

Em Revista Sociedade Militar.

Em sua página no Facebook o deputado se defende, diz que as declarações de sua esposa não podem ser consideradas pelo facto da mesma estar doente. Contudo, os fatos mais contundentes, pelo que mostra a gravação, saíram de sua própria boca, não da de sua esposa. 

VEJA A TRANSCRIÇÃO DE PARTE DA CONVERSA. 

Rodrigo Bethlem – Para resumir bastante o enredo… (ininteligível) Eu hoje.. Quer dizer, hoje não… porque esse mês, por acaso, deu um furo danado porque minha principal fonte de receita, que é um convênio, o único convênio que eu tenho ininteligível, o CadÚnico, o cara simplesmente prestou contas… 

Vanessa – Por que você está falando baixo? Não tem ninguém aqui. 
Bethlem – ham?
Vanessa – fala baixo por quê?
Betlhem – Porque eu simplesmente estou paranóico com isso. Só isso…
Vanessa – Paranóico por quê?        Bethlem – Telefone… (ininteligível)    Vanessa – Paranóico por quê?
Bethlem – Telefone. Você não sabe que esses caras entram no telefone e vira um autofalante? 
Vanessa – E você tem motivo para estar paranóico?
Bethlem – Como todo mundo. Você acha que alguém vai te denunciar amanhã por quê? Você acha que o (ininteligível) está atrás de mim, por quê?
Vanessa – Por quê?      Bethlem – Porque eu sou alvo, Vanessa.      Vanessa – Por que você é alvo?
Bethlem – Ué, não sei. Inimigo, sei lá por quê… Bom, é… Eu hoje… 
… Bethlem – Não, não vamos ficar brigando por centavos. Porque minha tese é outra. Minha tese é o seguinte. Eu ganho hoje, Vanessa, entre… é… o que eu tenho hoje de receita, esse mês, infelizmente, furou porque o cara não prestou contas e eu, efetivamente (…)(ininteligível)… mandei (ininteligível) 
até o cara prestar contas. Por isso que estou fodido desse jeito, minha principal receita.


Vanessa – Espera aí (ininteligível), Rodrigo… Só um minutinho. R$ 7.600 (ininteligível) empregados. 
Bethlem – Tá, então você aumenta mais R$ 400 naquela conta que te dei.
Vanessa – Então, você escreve aí… Dá R$ 24.850, é isso?
Bethlem – Isso. Bom, deixa eu concluir pra você…   Vanessa – Você estava falando do, do… do treco…
Bethlem – É… prestou contas… (ininteligível)
Vanessa – do negócio de… de… Qual é o nome do negócio?    Bethlem – Quando isso?
Vanessa – É um negócio de, sei lá..Um trecho que você estava falando da… da Secretaria
Bethlem – É um convênio que eu tenho, cadastro único.
Vanessa – Hã, o que que tem isso?
Bethlem – É minha principal fonte de renda hoje. O cara não prestou conta direito, o cara é um idiota, um imbecil. Não pude pagar o cara este mês, não recebi. Tava prestando conta, prestou agora, enfim. Também é uma receita que eu tenho até… certa até fevereiro, até março, porque é um convênio de sete meses. É… outra coisa que eu quero te dizer é o seguinte…
Vanessa – E quanto dá isso…. E quanto dá isso por mês?
Bethlem – Eu tenho… eu tenho de receita é cerca de R$ 100 mil por mês. É o que eu tenho tudo junto.
Vanessa – Quanto dá CadÚnico por mês?
Bethlem – Em torno de uns R$ 65, R$ 70 mil. Depende do que ele receber, entendeu? Se tiver alguma glosa. Se ele prestar contas, se não tiver executado todo o serviço, tem uma glosa. Fora isso, tem o lanche e meu salário.
Vanessa – Lanche? Que lanche?
Bethlem – O lanche que é servido pro… O cara que vende lanche para todas as ONGs é meu amigo.
Vanessa – Ah, achei que era lanche mesmo… E quanto é de lanche?
Bethlem – Em torno de R$ 15 mil, hoje. O cara tá vendendo metade do que deveria vender
Vanessa – Até quando?
Bethlem – Claro, até quando existir o convênio... Até quando ele (ininteligível) 
Vanessa – E por que que o tal do treco é até fevereiro?
Bethlem – Porque o convênio acaba, tem prazo fixo, que é só para fazer o cadastro de todos os que estão faltando.
Vanessa – Hum… salário?
Bethlem- (inaudível)Bom, outra coisa que quero te dizer é o seguinte. Eu estou com o firme propósito, obviamente, vou ter que ver lá na frente como é que eu vou fazer, mas eu pretendo me desligar da secretaria. Estou tendo ver se consigo me… me ajustar um pouco financeiramente. Eu pretendo me desligar da secretaria em abril ou maio. Aproveitar (…) fico mais livre pra campanha, sou mais útil agora livre e coisa e tal e efetivamente começar a me reposicionar. Se eu não fizer isso não vou fazer… a política (…) cada vez é maior. Então, é.. (…).  A minha intenção era deixar com você por mês R$ 45 mil Reais{jcomments on}

http://sociedademilitar.com.br   Reportagem de ÉPOCA sobre o caso.