A tropa nas urnas. Em 2014 os militares intensificaram sua presença na disputa, mas os resultados foram insatisfatórios. E agora? Quais os planos para 2016?

MILITARESedA tropa nas urnas. Em 2014 os militares intensificaram sua presença na disputa, mas os resultados foram insatisfatórios. E agora? Quais os planos para 2016?

“foi apenas uma apresentação para a política, no começo sempre é assim”. Disse um dos ex-candidatos, comentando o número de votos que recebeu nas eleições de 2014.

Questionados sobre o resultado das urnas, a maioria dos que se candidataram em 2014 desconversa e diz que já esperava isso, que no começo é sempre assim. Contudo, quem, como nós, acompanhou de perto a disputa, sabe que foi uma decepção. Grande parte dos candidatos realmente acreditava que a família militar – aparentemente bem mais politizada que em momentos anteriores – estava empenhada em eleger representantes.

No Rio havia vários nomes expressivos entre os candidatos para dep. federal relacionados aos militares das Forças Armadas, como Gerson Paulo, presidente do PMB local, Comandante Ribeiro Afonso, também bastante articulado, Sargento Rogério, um lutador em prol de direitos essenciais para os militares como melhorias na saúde etc. Paulo Teixeira, também militar, não eleito, recebeu um número expressivo de votos, mais de 6 mil. Contudo, pela atuação que o militar tem junto a comunidades carentes, com seu belo trabalho de professor voluntário, pode-se crer que grande parte de seus votos não vieram da família militar.

Veja abaixo a tabela de votos recebidos pelos candidatos cariocas.

RIO DE JANEIRO Candidato Votos Posição no estado. ELEITO
Cand. Deputado federal. Cap. Jair Bolsonaro. 464.565 1 º Eleito
Paulo Teixeira 6.464 164 º NÃO
Com. Ribeiro Afonso. 5.839 170º NÃO
SGT Timotheo 4.533 191º NÃO
SO Gerson Paulo. 3.380 222º NÃO
Dr. Ruy 3.035 239º NÃO
Marcelo Machado 2.668 254º NÃO
Sargento Rogério. 2.291 273º NÃO
SGT Enaldo 1435 343º NÃO
TC Cesar Leal 1042 416º NÃO
Fuzileiro Isamar 696 497º NÃO
SO Almir Soares 371 638º NÃO
Soma dos não eleitos no RIO   31.754    
Cand. Deputado Estadual. Flávio Bolsonaro 160.359 4º Eleito
SG Aquiciclei 4.304 247º NÃO
Sargento Feliciano. 1.977 366º NÃO
Wilian Marinheiro 2.593 324º NÃO
Bruno Nascimento 3.778 270º NÃO
 Francisco Muniz  703  667º NÃO

felieabreuNoName_2015-1-15_20-53-41_No-00Candidato a vice-governador na chapa de Crivella no Rio, e também militar, o General Costa Abreu, ainda que derrotado, recebeu mais de 3 milhões de votos. Pelo expressivo número de votos e pela proximidade com o Partido Militar, em processo de regularização, arriscaríamos dizer que nas próximas eleições Abreu pode vir como forte candidato  a algum cargo. O Rio padece na questão da segurança pública, e Abreu se destacou também nos cargos que ocupou nesse setor em grandes eventos no passado recente.

No Rio o efetivo de militares federais é gigantesco, e seria possível que a família militar elegesse mais de um deputado federal. No entanto, só foi eleito Jair Bolsonaro, que na falta de políticos que se assumam como de direita, cooptou também votos de grande parte da sociedade anti-PT, anti-gayzismo e cristãos em geral.

No Distrito Federal os militares tinham candidatos considerados fortes, como Ivone Luzardo, Mirian Stein e Sargento Genivaldo. Nenhum deles foi eleito. A não eleição de Ivone Luzardo, presidente da UNENFA, causou certa surpresa em muitas pessoas. Tecnicamente Ivone seria pelo menos a mais votada entre os candidatos ligados aos militares, por ser conhecida nacionalmente por sua luta por melhores salários e condições de trabalho. Contudo, infelizmente, recebeu apenas 2.5 mil votos, insuficientes para conseguir uma cadeira na câmara distrital.

Os votos dos candidatos militares mais conhecidos no DF para distrital somam por volta de 20 mil votos. Isso surpreende um pouco. Onde estão os restantes dos votos da família militar? Não seria o momento de buscar conscientizar esse grupo da importância que há em eleger representantes?

Assim como Luzardo no DF, aqueles que se candidataram para o legislativo estadual no Rio não foram bem sucedidos, foi o caso do Sargento Feliciano. Feliciano foi um dos poucos militares a concorrer para o cargo e esperava-se votação mais expressiva. Contudo, mesmo sendo conhecido nacionalmente por sua luta por sensibilizar a sociedade para a questão do baixo salário dos militares, o que lhe rendeu várias punições, obteve um número pequeno de votos.

Em Minas, Kelma Costa, que ganhou notoriedade nacional durante as negociações por reajuste e pelo pagamento dos 28.83%, também não foi bem sucedida. O general Marco Felício foi outro que não obteve êxito.

No Rio de Janeiro houveram candidatos a deputado estadual eleitos com 11 mil votos, puxados pelo coeficiente eleitoral dos primeiros colocados. Isso mostra que há necessidade de, desde já, se estabelecer uma estratégia nesse sentido. Partidos, políticos de expressão na coligação etc., são pontos que devem ser observados com atenção.

Dos 513 deputados federais que vão compor a Câmara Federal em 2015, apenas 35 (6,8%) receberam votos suficientes para se elegerem sem ajuda do coeficiente eleitoral. Os demais alcançaram o mandato com a soma dos votos dados à legenda / coligações.

Durante sua campanha, Mirian Stein, candidata ligada aos militares, chegou a dizer que a disputa era injusta por conta da falta de condições financeiras para o marketing eleitoral necessário na acirrada disputa com candidatos financiados por empresários. É uma grande verdade. Por isso aqueles que pretendem se lançar nos próximos pleitos devem se preparar desde já. As associações podem estabelecer metas e lançar campanhas de arrecadação, jantares, eventos etc. A internet é uma ferramenta que pode ser usada para isso. Bolsonaro é um grande exemplo de que um militar que for eleito deputado federal por qualquer estado pode lutar pela classe em nível nacional. Portanto, as campanhas de doações podem ser em nível nacional.

Isso é legalmente permitido e deve ser feito.

Em 2015 não há eleições. É o ano chave para o estabelecimento de metas e para iniciar-se o fundo de apoio às candidaturas de 2016.

Embora muitos digam que o legislativo municipal pouco importa para a família militar, essa afirmativa é extremamente equivocada. O vereador tem bastante força junto aos deputados federais e, além disso, pode ser a plataforma financeiro/política para que se emplaque um candidato forte em 2018.

Não basta se candidatar desde já deve-se estabelecer estratégias. O tempo passa rápido.

Robson A.D.Silva – http://sociedademilitar.com.br