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O País dos Paliativos – “tape o sol com a peneira”

O País dos Paliativos

Em um certo país, que talvez conheçamos bem, a regra parece ser “tape o sol com a peneira” e tome atitudes meramente paliativas. Lá, ou aqui para ser mais exato, as coisas funcionam mais ou menos assim: não consegue passar para faculdade? Ofertamo-lhe uma cota.

No entanto, o ideal é construir uma educação básica de qualidade como fazem os países desenvolvidos ou verdadeiramente em desenvolvimento, não é mesmo? Assim, todos teriam condições de serem aprovados para o curso superior ou ingressariam diretamente de acordo com o currículo escolar. Todavia, isso não facilitaria a carreira acadêmica dos filhos e netos dos “donos do poder” neste tal país. Esses (os filhos e netos dos donos do poder) estudam nos colégios e escolas mais caros e melhores preparados para aprová-los no tão concorrido ENEM.

 Eles não precisam de cotas, são representantes da educação de qualidade e com toda certeza terão condições de concluírem seus cursos, diferentemente dos cotistas que por bulling, baixo conhecimento intelectual, dificuldades financeiras, necessidade de trabalhar, dentre outras questões acabam por abandonarem seus cursos.

A verdade é que este tal país mal administrado há séculos precisa de cursinhos, de escolas particulares, eles pagam impostos. Como impostos são o que mais importa por “laaqui”, neste tal país bem pertinho de você e de mim a educação pública básica e média de qualidade não existirá. A não ser que haja uma revolução social, que pessoas de bem passem a administra-lo. A educação, já vimos, vai mal!   Como vai a segurança publica?

Neste determinado momento, existem menores cometendo crimes país afora, roubos de bicicletas, macha criminal sobrevoando a zona sul, ataques à faca e crianças, jovens e adultos usando “drogas pobres” nos principais pontos da cidade. Os agentes políticos que adoram adotar soluções paliativas para temas polêmicos como modo de manterem suas cadeiras ditam: reduza-se então a maioridade penal, reforce-se o policiamento por algum tempo,  criminalize-se o uso de arma branca, põe-se à cavalaria nas ruas.

Está resolvido. Será? As causas, quem investiga, quem combate? Perguntamo-nos. As respostas vêm e começam a demonstração da paliatividade de tais medidas. Os presídios, casas de recuperação e casas de albergados, neste tal tão conhecido país não são reeducadores, muito menos ressocializadores, são verdadeiras escolas do crime. É possível julgar o grau de civilização de uma sociedade visitando suas prisões – Dostoiésvki – Crimes e Castigos. Novamente, o ideal é, como em países desenvolvidos…, tirar a população da marginalização através de abertura de postos de trabalhos, de formação profissional de qualidade, do incentivo ao consumo controlado.

Quanto às penitenciárias, fazer delas centros de recuperação através de atividades profissionais, sócias e culturais, além é evidente do término da superlotação.  Não para por aí! O transporte público deste tal país “paliativista” também é decadente.

Meus Deus, Mulheres são assediadas nos trens abarrotados de passageiros! Grita o resolvedor palitivista que quer votos por uma lei que mascarará o verdadeiro problema. Fácil, de agora em diante haverá vagões exclusivamente para as mulheres nos horários- de-pico. Pronto. Mais fácil do que se imaginávamos, não? Não mesmo. O transporte público deste tal  país, B, continua uma humilhação diária para mulheres e homens que além de tudo agora aglomeram-se juntos aos do mesmo sexo. Talvez logo tenhamos de por vagões exclusivos para os homossexuais e tenhamos de criar também cadeiras rosas para as mulheres, ou as elas não são assedias nos ônibus?  Algumas das declarações mais constantes dos passageiros é que se sentem em uma lata de sardinha, que ao entrarem não conseguem mais mexerem-se, que é um dia-a-dia difícil nos transportes públicos.

Será que algum dos dirigentes, os “donos do poder” no país Bra utilizam-se de transportes públicos? Será que durante a criação da “lei do vagão-rosa” foi discutido que uma das causas deste assédio era a superlotação dos trens? Pensemos…não, não. Praticamente, todas as respostas sobre representantes deste país utilizarem serviços prestados ao povo serão negativas. Os semideuses do Bras…não podem nem querem sentir ou mais sentir o que se passa com sua gente. 

Os problemas e suas soluções que não procuram o cerne da problemática continuam. São problemas na saúde, nas rodovias, nos portos, problema com reforma política, com agronegócio, com reforma agrária e todos os demais que pararmos para pensar.

O  mais importante objetivo deste texto é que percebamos o quanto nossas “autoridades” não possuem interesse em resolver realmente aquilo que é realmente necessário. Não obstante, precisamos entender, eles não vivem esses problemas, nunca saberão como é ser criado sem educação de qualidade, assistir às pessoas morrem nas portas dos hospitais, ser humilhado sendo pisoteado nas saídas dos trens, ter seus poucos bens tirados, quando não sua vida, por marginais que se tornam mais especializados a cada internação e tantas questões vividas e vivenciadas por integrantes da classe média até a base da pirâmide social. Este é o Brasil, o país dos paliativos!

Alan Nytty Andrade – Publicação autorizada – original em: http://sirletter.blogspot.com.br/2015/06/o-pais-dos-paliativos.html?m=1

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