Polícia e Bombeiros

COMANDANTE EXONERADO no RIO porque se recusou a REPRIMIR POLICIAIS

COMANDANTE EXONERADO no RIO porque se recusou a REPRIMIR POLICIAIS.

Os oficiais da PM são cada vez mais reféns dos políticos, e isso põe em risco sua credibilidade diante da tropa. Escolhidos para os cargos de confiança pelos chefes do poder executivo, os policiais que se posicionam, que não se submetem, correm o risco de ter carreiras e ascensão funcional prejudicadas.

Todos sabem que a manifestação na ALERJ foi por conta da proposta do governo de aumentar descontos que na pratica estariam reduzindo os salários do funcionalismo estadual. Militares estaduais e federais elogiaram o sentimento de corpo e profissionalismo do Coronel.

Todos sabem o quanto seria temerário enviar policiais militares para reprimir uma manifestação de colegas de farda com treinamento militar. Segundo estimativas existiam mais de mil pessoas armadas entre os manifestantes. Portanto, qualquer conflito seria extremamente perigoso. Se a manifestação fosse mal administrada é obvo que poderia ocorrer uma grande tragédia.

No dia seguinte à manifestação o comandante do Batalhão de Grandes Eventos (BPGE), especializado em situações de conflito e que estava responsável pela segurança do local foi EXONERADO.

O tenente-coronel Rodrigo Sanglarg caiu principalmente porque o presidente da Alerj, Jorge Picciani reclamou das “fracas” medidas tomadas para resguardar a segurança da ALERJ.

“Liguei imediatamente para o secretário de Segurança Pública e cobrei um novo planejamento de segurança. Os deputados não podem trabalhar com medo”, disse Picciani em uma entrevista coletiva na tarde desta quarta-feira.

O comando do BPFGE será assumido por Rubens Castro Peixoto Júnior, que atuava como diretor interior do Departamento de Polícia de Áreas (DPA).

Nas redes sociais circula uma carta onde oficiais da polícia militar parabenizam o militar exonerado por sua ação.

Já é de amplo conhecimento que o comando da POLÍCIA MILITAR carioca não reprimira manifestações pacíficas dos militares. Manifestação por conta de perda de direitos ou questões salariais não podem ser consideradas como partidárias ou políticas, isso sim é proibido. Outra grande manifestação concentrando todos os militares que não estiverem de serviço ja está marcada para 16 de novembro de 2016.


Veja o texto:

Caro Cel Sanglard

“A farda não abafa o peito do Soldado, o cidadão”, sua atitude, sábia em não confrontar com uma multidão enfurecida de homens e mulheres, adestrados em armas, mostra seu profissionalismo e bom senso em um momento tenso para todo o funcionalismo estadual, atitude nobre, digna daqueles que honram a farda e toda a historia de sacrificio de nossa briosa corporação, não esmoreça, perder o comando do BPGE nessa situação não é castigo e sim um prêmio para quem se mostrou firme em sua postura diante do descalábrio deste governo, esperamos que os outros Oficiais de Vossa turma, entreguem seus cargos de comando em forma de apoio e solidariedade, afinal turma unida, jamais será vencida, ao Sr. presto minha continência e apresento minhas armas, coragem e destemor.”


Agora o TEXTO do coronel exonerado

Coronel PM Rodrigo SANGLARD. / Segue abaixo o texto referente à minha passagem de comando na data de hoje, no salão nobre do Batalhão de Choque !

ORDEM DO DIA

Bom dia a todos!!!
1 ano, 6 meses e 14 dias… Não parece que foi ontem, não!!! Parece que tem pelo menos o dobro do tempo.
Escolhi ser militar e gosto de ser militar. E como tal compro as ordens a mim dirigidas, desde que não sejam absurdas ou ilegais. Ser militar é defender, mesmo com o risco da própria vida, a constituição, leis e normas que garantem o bem estar e a liberdade de uma nação ou sociedade.

Hoje transmito o comando do BPGE, sem nenhum absurdo ou arbitrariedade, cumpro uma ordem totalmente legal!!

Estamos conscientes de que os motivos estão relacionados aos acontecimentos do dia 08 de novembro, que superaram negativamente as expectativas das autoridades relacionadas e com competência direta ao assunto.
De fato nós também não queríamos acreditar que uma manifestação, que era para ser pacífica, evoluísse para uma invasão ao plenário da ALERJ.

O dano causado ao patrimônio público da ALERJ, incomodou sobremaneira o Sr. Presidente daquela Casa Legislativa, bem como foi amplamente divulgado pela mídia.
Independente de valores, são bens materiais que podem ser substituídos.
Na nossa visão de gestores de segurança em grandes eventos, onde estão inseridas as manifestações, avaliamos que o dia se encerrou com um grande e absoluto sucesso.
Éramos 340 PMs, distribuídos em diversas formas de policiamento, onde o BPGE era o protagonista principal. Entre os manifestantes que totalizavam o número compreendido entre 10 e 12 mil, PMs, BMs, PCs e CEAPs predominantemente.

Arisco um palpite de que havia pelo menos mil pessoas armadas.
E, por volta das 17:30h, depois de todos os acontecimentos desagradáveis, encerramos nossas atividades com o admirável número de zero policiais e zero manifestantes mortos ou feridos .
Nós consideramos isso um sucesso absoluto!! Mas outros se preocupam mais com mesas, cadeiras e computadores.
Será que alguma entidade ligada aos direitos humanos fará alguma referência elogiosa a isto?!?! Creio que não.

De qualquer forma saber que nosso trabalho talvez tenha evitado um deslocamento triste do nosso Comandante Geral, ou do Comandante Geral dos Bombeiros, ou do Chefe da PC, ou do Secretário da SEAP, ao cemitério Jardim da Saudade, isto não tem preço!!!
Em meu último ato como Comandante do BPGE, na tarde de ontem, dia 09 por volta das 16h estive presente no Quartel General do Corpo de Bombeiros, onde fui cordialmente recebido pelo Senhor Cel BM Robadey, Chefe do EMG. A ele entreguei, conforme havia me comprometido com bombeiros militares na ALERJ, uma reivindicação institucional, para a análise e deliberação, respeitando se é claro, a autoridade a ele investida.

Quero agradecer a Deus que tem me atendido sempre com sua medida certa!! Menos do que eu quero, porém bem mais do que mereço.
Ao meu pai, Djalma em memória, que foi o exemplo de dignidade perfeito para minha vida.
A minha mãe, Maria Helena, que com seus métodos de vigilância e um par de chinelos de couro de baixa letalidade, me mantiveram coberto e alinhado.
Ao meu irmão, Alexandre, que é um grande amigo e com a palavra amigo já descreve todas as suas virtudes.
A minha esposa, Sandra, que é a melhor do mundo e não devo fazer muita propaganda.
A minha filha, Bárbara, que faz jus ao nome, e por quem me empenho para fazer dela uma verdadeira cidadã para o mundo.
Lamento a velocidade dos últimos acontecimentos. Gostaria de ter tido a oportunidade de avisar a minha esposa e minha mãe sobre a minha exoneração, ao invés delas terem recebido a notícia pela impressa assim como aconteceu com a maioria dos meus amigos.
Gostaria de ter tido a oportunidade de trazer aqui hoje, minha mãe, minha esposa e minha filha. Poder apresenta las aos senhores e plagiar o Major Fonseca, nosso Comandante de Corpo de Alunos na Escola de Formação de Oficiais, apresentando as como 1º, 2º e 3º artigos de qualquer código de ética e conduta social.
Agradeço aos oficiais e praças do BPGE, pela fidelidade e companheirismo, que foram de vital importância para a dinâmica da unidade.
Agradeço ao Sr. Comandante Geral, Cel Wolney Dias, por ter me dado a oportunidade de explicar lhe pessoalmente os fatos ocorridos no dia 08, me concedendo algumas horas dentro de sua agenda onde o dia de 24h se torna ínfimo. E por seu enorme empenho junto aos Deputados Estaduais, para que se sensibilizem com nossa causa.
Agradeço ao Sr. Cel Lima Freire Chefe do EM e ao Sr. Cel Henrique Sub Chefe Operacional pela confiança em mim depositada e por nunca terem me negado um minuto que fosse para ponderações e esclarecimentos de demandas.
Agradeço ao Sr. Cel Beloni que não só confiou no meu trabalho, como me concedeu grande liberdade de planejamento e execução, ao ponto de até nos falarmos pouco, pois apenas confirmávamos as demandas, em uma linha de raciocínio extremamente semelhante.
Agradeço aos meus motoristas e minhas secretárias, que pela proximidade, compartilharam momentos de alegria e mau humor.
Por fim, agradeço a todos que fazem parte da minha vida e contribuem com minha carreira profissional, inclusive a todas as mensagens de solidariedade, carinho e motivação, que foram tantas que ainda não consegui ler a maioria. Numa coleção de amigos não existem figuras repetidas.
Ao meu sucessor, Ten Cel Peixoto, a quem transmito o comando com grande satisfação, desejo muita paz, sucesso e energia.
Transmito o BPGE em um momento muito delicado. As manifestações têm tomado proporções extremamente inconvenientes e é visível o desgaste da tropa incluindo os oficias, sua capacidades físicas, técnicas e psicológicas, estão atingindo o limite do suportável.
Todavia diante da capacidade técnica, competência e adaptabilidade do Ten Cel Peixoto, entendo que todas as adversidades são apenas um toque de tempero ao seu desafio.
Para encerrar repetirei aqui um juramento que fiz a Bandeira há muitos anos.
“Prometo pela minha honra, fazer o melhor possível, para cumprir o meu dever, para com Deus e minha Pátria, ajudar o próximo em toda e qualquer ocasião e obedecer a Lei Escoteira”.
Eu tinha 12 anos.
Os demais juramentos que fiz, com muito orgulho foram à confirmação deste.
Que Deus ilumine a todos nós.
Rio de Janeiro, 10 de Novembro de 2016.

Revista Sociedade Militar

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