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Terrorismo no Brasil – Veja os diálogos obtidos pela Polícia Federal que resultaram na condenação de oito ACUSADOS de planejar atos terroristas no Brasil

Terrorismo no Brasil – Diálogos e imagens obtidas pela Polícia Federal que resultaram na condenação de oito ACUSADOS de terrorismo no Brasil

Estranha-nos a escassa divulgação das condenações contra os membros do grupo que planejava ataques terroristas no BRASIL. Diante da dimensão do crime, do que certamente ocorreria se as autoridades não tivessem agido a tempo e, por fim, do poder de dussuasão que há em divulgar-se a eficiência de nossos investigadores, podemos considerar, em número, microscópicas as menções a operação que desbaratou o grupo e provavelmente salvou muitas vidas de perecer nos atentados planejados, entre eles o envenenamento da água de reservatorios no Rio de Janeiro.

A insistência em tentar fazer acreditar que o BRASIL é um país pacífico e eternamente imune ao terror aparentemente é uma das motivações do tratamento dado pela imprensa a essa questão. Pior ainda do que a "não menção" é o fato de alguns jornais nacionais e estrangeiros – entre eles o Le Monde – e blogs de esquerda, como o de Luis Nassif,  tentar desmerecer a ação policial.

A suposta infiltração de policiais na rede dos condenados foi um dos pontos que receberam mais críticas.

“Operação Hashtag foi marcada por suspeitas de infiltrações, denúncia anônima e espetáculo…” diz o Jornal EL PAIS

"As sentenças, que variam de seis a quinze anos de prisão, se baseia em uma lei controversa passado poucos meses antes dos Jogos Olímpicos", diz o Le Monde

Outro ponto atacado foi o recebimento de informações de fontes anônimas e do próprio FBI, teses não acatadas pelo magistrado que julgou os acusados.

"… é absolutamente descabida a argumentação de que teria alguma relevância o fato de a apuração ter­se iniciado, ou não, a partir de um memorando do FBI, encaminhado via Embaixada  dos EUA. Da mesma forma,  não possui qualquer importância  que as telas do grupo JUNDALLAH  do Telegram tenham  sido  enviadas  posteriormente à instauração do  IPL pela DPF/DAT, mesmo porque  nunca se afirmou  que a origem da investigação estava na tal denúncia anônima."

"… Cabe ainda um último esclarecimento: a conclusão de que o acesso aos  diálogos  travados no bojo do grupo do aplicativo Telegram se deu por agente infiltrado  em  violação à legislação aplicável é fruto de fabulação mental da defesa. Não há rigorosamente nada nos autos que ampare essa conclusão, além do exercício lógico­indutivo." diz o Magistrado na sentença que condenou vários membros do grupo.

A Revista Sociedade Militar obteve acesso à imagens utilizadas na denúncia formulada contra os agora condenados por crime de terrorismo no BRASIL. O aplicativo de mensagens telegram, segundo o Ministério Público Federal, foi uma das ferramentas de comunicação mais utilizadas pelos denunciados para compactuar, de forma sigilosa, planos relativos a atentados, bem como para troca de notícias, informações e outros meios de promoção do Estado Islâmico. A defesa de alguns dos denunciados alegou que se tratava de bravatas ou brincadeira, mas a alegação não foi aceita pelo julgador.

juiz Marcos Josegrei da Silva: "As teses de que as postagens e diálogos dos acusados de conteúdo extremista não passavam de expressão de curiosidade religiosa, meras bravatas ou brincadeiras não podem ser aceitas como justificativas aptas a excluir a tipicidade, antijuridicidade ou culpabilidade das ações. O tipo penal, por tudo que já foi esclarecido, se perfaz com o simples ato de promoção, por intermédio de uma das ações anteriormente descritas"

Um dos relatórios da DIP ( DIRETORIA DE INTELIGÊNCIA POLICIAL da PF )é enfático: "… pode se afirmar que estamos a trata r de umacélula terrorista complexa com divisão de tarefas e de atividades entre seusintegrantes, e composta, efetivamente, por indivíduos perigosos com histórico decriminalidade violenta (roubos, homicídios, entre outros)."

Antes de mostrar algumas das provas periciais colhidas pelas autoridades ressalta-se aqui que a lei de terrorismo no Brasil prevê punição não só para os atos consumados, mas também para o recrutamento, planejamento e qualquer ato que vise a prática de atos terroristas no país.

“Art. 5o  Realizar atos preparatórios de terrorismo com o propósito inequívoco de consumar tal delito: Pena – a correspondente ao delito consumado, diminuída de um quarto até a metade.

§ lo  Incorre nas mesmas penas o agente que, com o propósito de praticar atos de terrorismo: I – recrutar, organizar, transportar ou municiar indivíduos que viajem para país distinto daquele de sua residência ou nacionalidade; ou II – fornecer ou receber treinamento em país distinto daquele de sua residência ou nacionalidade.”

Um dos grupos freqüentados era o grupo do aplicativo Telegram intitulado JUNDALLAH.  Conforme a Informação n.º 13/2016, referido grupo era formado pelos seguintes denunciados: LEVI, HORTÊNCIO (usuário TEO YOSHI), OZIRIS (usuário ABU ALI), ALISSON (usuário ALISSON MUSSAB), LEONID (usuário ABUKHALLED) e LUÍS GUSTAVO (usuário NUR AL DIN); bem como por outros indivíduos não denunciados no presente momento.

Em 12/06/2016, por exemplo, o denunciado OZIRIS (ABU ALI) referiu que gostou do ataque praticado em Orlando/EUA, que resultou na morte de mais de 50 inocentes. Na oportunidade, ainda demonstrou acompanhar os canais do grupo extremista. Vejam as imagens da troca de postagens.

terrorismo no brasil

momentos depois, o denunciado ALISSON compartilhou a imagem de Omar Matten, atirador do massacre em questão. Na mensagem o apresentou como “irmão que realizou o ataque”. Algum tempo depois HORTÊNCIO (TEO YOSHI) publicou no grupo do Telegram: “Eu tenho vontade de sair pra paulista 8 e levar essas bichas pro inferno”.

Até aí as imagens mostram não só a  intolerância religiosa, mas também em relação a orientação / opção sexual.

O grupo no TELEGRAM tinha como finalidade a troca de informações e o alistamento de combatentes, como pode-se notar nessa troca de mensagens. Nota que o indivíduo “Sley Jihad” questionou qual o objetivo do grupo e como resposta obteve a afirmação: “este grupo é dos Mujahidin (…)”.

Todos sabemos que mujahid, significa “combatente”, “alguém que se empenha na luta (jihad)” ou “guerreiro santo”.

Observem agora a mensagem seguinte. Há diálogos extremamente graves que são evidência do planejamento de atos terroristas na Rio2016. Sabemos que kuffar é o termo coletivo de kafir, que em árabe significa “infiel” (pessoa que não é muçulmana).

Nas imagens obtidas pela RSM observa-se ainda mensagens com um planejamento concreto de atos terroristas a serem praticados não só nas olimpíadas, mas também em outros momentos. ALISSON, como pode-se ver, sugeriu um ataque bioquímico. Chegou a questionar os demais membros sobre quem tinha conhecimento no manuseio de materiais químicos. A idéia era contaminar uma estação de tratamento de água. Uma conversa telefônica interceptada confirma a intenção. Onde a mãe de ALISSOM diz: “O Alisson estava falando aqui que eles ia fazer, botar né… veneno, veneno na represa de água, que ia servir água pro pessoas das olimpíadas

ALISSON, que foi condenado à pena de seis anos e 11 meses, referiu explicitamente sobre uma vontade e intenção de praticar “pogrom contra os kaffir”. Pogrom significa extermínio em massa.

Observa-se que o grupo acreditava que poderia estar sendo vigiado, mas insiste ainda nas práticas delituosas / planejamento e apologia a terrorismo.

Veja também que usuário NUR AL DIN, usado por LUÍS GUSTAVO DE OLIVEIRA, compartilhou com os demais membros da rede social algumas orientações sobre como confeccionar pólvora. Obviamente, como sabemos, a pólvora é um dos materiais utilizados para fabricar bombas caseiras.

terrorismo no BRASIL - Sociedade Militar

Em uma das interações coletadas pela perícia a partir dos afastamentos de sigilo telefônico e telemático os acusados citam uma instituição ligada à igreja Evangélica brasileira. No texto um dos membros do grupo de acusados diz que a igreja "treina missonários e os envia a terras muçulmanas para pregar sua heresia idólatra… se vestem como muçulmanos, falam árabe e estudam o alcorão… que Allah os aniquile… avise aos irmãos."

A seguir a transcrição de um áudio que só vem confirmar a intenção de praticar crimes de terrorismo, o que ja é configurado como crime no BRASIL.

Repetindo.

É crime Art. 5 da lei 13.260/16:  Realizar atos preparatórios de terrorismo com o propósito inequívoco de consumar tal delito:Pena ­ a correspondente ao delito consumado, diminuída de um quarto até a metade. § l o   Incorre nas mesmas penas o agente que, com o propósito de praticar atos de terrorismo: I ­- recrutar, organizar, transportar ou municiar indivíduos que viajem para país distinto daquele de sua residência ou nacionalidade; ou II – fornecer ou receber treinamento em país distinto daquele de sua residência ou nacionalidade.

Obs 1 – Decidimos ocultar, ainda que isso seja possivel de se obter na internet, um dos ingredientes usados na construção de artefatos expplosvos.

Obs 2 – Decidimos ocultar o nome da instituição religiosa citada nas conversas dos terroristas.

Robson A.DSilva é Militar R1 e Cientista Social. Escreve para a Revista Sociedade Militar.

Revista Sociedade Militar

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