ÁGUAS DE MARÇO

ÁGUAS DE MARÇO

            Tom Jobim já dizia que o Brasil não era para principiantes. Tão certo quanto as águas de março, que o maestro soberano magistralmente musicou, porque elas vêm mesmo, outro fenômeno característico do mês são as inúmeras reportagens que a mídia apresenta sobre versão de fatos relativos ao regime de exceção, 1964 a 1985, iniciado em 31 de março com a reação democrática de toda a sociedade brasileira contra o desgoverno Jango Goulart. Duas colunas de marcha militar, ambas partindo de Minas Gerais, uma em direção ao Rio de Janeiro, outra em direção à Brasília, puseram Jango em fuga e o Congresso Nacional, reunido em sessão permanente, declarou a vacância do cargo de presidente da república.

            Os argumentos usados pela mídia, quase toda ela gramscista, formada nas faculdades de letras da vida, por professores do mesmo credo, são os mais variados possíveis. Vale tudo para denegrir aquele período. Considerando que os aspectos mensuráveis são incontestes, partiram primeiro para o humano, houve tortura, perseguição, desaparecimentos, assassinatos. A atuação e o relatório da Comissão da (In) verdade foram tão patéticos que não foi possível sustentar a versão dos direitos dos manos esquerdistas e seus companheiros de viagem e inocentes úteis, alguns que eles mesmos deram cabo.

            Partiram, então, para o campo social. Ah, o país cresceu, mas o bolo ficou concentrado e não foi distribuído, nunca olharam para o pobre etc. Fala o insuspeito, neste caso, Luiz Inácio, o Lula: a gente saia de um emprego e no minuto seguinte já estava em outro com melhor remuneração. Mas, vamos ao social.

            Se hoje nos debatemos com milhões de desempregados, graças aos desgovernos petistas, os governos do regime de exceção criaram cerca de 13 milhões de empregos e substancial redução da inflação. Foi criado o Sistema Financeiro da Habitação e o Banco Nacional de Habitação, o primeiro programa efetivo de construção de casas populares. Uma forte atuação na educação com a ampliação das vagas no sistema de ensino em todos os níveis e a criação do MOBRAL, para erradicar o analfabetismo no país. Criou-se, também, o crédito educativo, programa copiado pelos governos da “Nova República” sob diversas denominações. Os universitários passaram a ter contato com a realidade das regiões mais recônditas do Brasil, através do Projeto Rondon, mantido até hoje. A expansão da oferta de energia elétrica propiciou levar luz ao campo para os trabalhadores rurais que foram beneficiados com o FUNRURAL. Por outro lado, os trabalhadores urbanos passaram a participar do FGTS, do PIS e do PASEP. Para levar a paz ao campo foi promulgado o Estatuto da Terra, a tão falada até hoje reforma agrária. Para expandir a fronteira agrícola foi criado a EMBRAPA, hoje ameaçada de extinção. Os nossos irmãos do Norte, tão distantes e esquecidos pelo poder central, foram integrados por terra, através das rodovias, mas também economicamente com a criação da SUDAM e do Banco da Amazônia. Enfim, parece-me que também no social, os 21 anos do regime foram realmente uma revolução, infelizmente não acompanhada nos governos que se seguiram.

            Ao lembrar a passagem do 54° aniversário da reação democrática de março de 1964, você meu caro leitor, em especial os jovens, não se deixe levar pela cantinela de qualquer rede de rádio, TV ou jornal , ou por aquilo que o seu professor em sala de aula te contar. Pesquise e estude.

Marco Antonio Esteves Balbi – Cel Reformado EB

Publicado em Revista Sociedade Militar

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