Cariocas se defendem com as RPI (Redes Privadas de Informações). Verdadeiras equipes com 256 membros cada, onde todos zelam pela segurança uns dos outros

Cariocas se defendem com as RPI (Redes Privadas de Informações). “Verdadeiras equipes com 256 membros cada onde todos zelam pela segurança uns dos outros

_Eu não saio de casa sem antes consultar o Whatsapp… participo de mais de 10 grupos… ”, diz uma jovem mãe, moradora de Niterói.

O medo de ser pego em meio a um arrastão, ser alvejado por uma bala perdida ou sofrer qualquer outra violência faz com que moradores da região metropolitana do RIO de JANEIRO cada vez mais se unam em busca de informações atualizadas sobre segurança pública. As informações geralmente são divulgadas rapidamente – muitas vezes em tempo real – e chegam às pessoas antes de qualquer noticiário.

Tribos

O Militar e Sociólogo R. Augusto diz que a tendência do ser humano sempre foi se agregar em grupos para autoproteção, isso estaria sendo resgatado nesse momento critico.

“… a individualidade, o conforto da sociedade moderna talvez tenha-nos feito esquecer por um tempo o que é viver em grupo, em tribos. Mas, o contexto extremamente crítico vivido pelo cidadão carioca parece ter resgatado isso… essa certeza de que que unidos somos mais fortes… Certamente estamos interagindo mais uns com os outros… a necessidade nos obrigou a isso… é uma convivência diferente da tradicional, mas é inegável que existe… 

Acompanho o crescimento desse tipo de rede que distribui informações sobre segurança pública há alguns anos, desde que iniciaram no facebook… e no próprio whatsapp. Arrisco dizer que mais de 60% dos cidadãos cariocas pertencem a alguma dessas RPIS (redes privadas de informações sobre segurança), ha quem participe de várias…

Existe um lado ruim nisso, infelizmente. Há grupos que podemos chamar de “do mau”, pessoas que avisam sobre blitz da polícia e até grupos de facções criminosas. Há grupos restritíssimos, onde só se entra mediante indicação de um membro ou participação em algum evento. Grupos de militares e policiais vez por outra “varrem” o grupo solicitando informações membro a membro para confirmar se não ha ‘gansos’ infiltrados.

É um fenômeno interessante…. Ha informações de que marginais verificam celulares de pessoas sequestradas em busca de informações ou para descobrir de quais grupos participam… se são policiais…”

Em tempo real

No assalto ocorrido em agência bancaria do SANTANDER na última semana (02/02) em MADUREIRA – RJ. Ainda antes do BOPE chegar ao local moradores da cidade já sabiam que o crime estava em andamento.

“… pelamordedeus, evitem Madureira, assalto a banco em andamento”, dizia uma das mensagens distribuídas pelas redes sociais

Em todas as cidades do Brasil há RPI, mas no RIO a coisa é endêmica. No estado as redes sociais que tratam de segurança pública somam dezenas de milhares e – quando criadas – geralmente chegam a sua lotação máxima em poucos dias. A quantidade de pessoas que “cabe” em cada rede no WHATSAPP é de no máximo 256. A solução para alguns administradores é criar grupos numerados, do tipo “Notícias de Belford Roxo 1, Notícias de Belford Roxo 2 …”

Muita gente que tem seu veículo roubado tem como primeira atitude postar a informação em grupos de whatsapp e pedir a divulgação, só depois disso a vítima vai à delegacia.

Alguns criaram grupos tembém no TELEGRAM. O OTT tem mais de 4000 seguidores em seu canal no TELEGRAM.

Os grupos mais disputados são aqueles que possuem membros das forças armadas ou políciais. Apesar de não postar informações confidenciais esses membros sempre postam dicas de locais mais seguros ou informam sobre ocorrências em andamento.

Grupo que começou no whatsapp – Onde Tem Tiroteio (OTT) – hoje tem mais de 500 mil seguidores no facebook e já lançou aplicativos para mobile.

Alguns administradores dos grupos excluem usuários que não postam informações ou falam de outros assuntos que não tem relação com seg. pública.

Sim… excluo mesmo, queremos formar uma equipe… ninguém na aba e todos zelando pela segurança dos membros do grupo… Nada de FAKE, se descobrir é BAN”. Diz o administrador do grupo Rio e Ruas.

Um dos admins de Notícias de Belford Roxo, ouvido pela equipe da Revista Sociedade Militar, declarou que tem outros grupos de segurança e que a intenção é mesmo gerar um sistema de proteção mútua. Disse: “Esse grupo em questão o Notícias de Bel, é novo. Preza pela qualidade e não pela quantidade… Tem uma admin criteriosa, que não deixa que fakes e publicidade tirem o foco do grupo, que é deixar as pessoas mais atualizadas e, consequentemente, menso sujeitas a ser pegas de surpresa em situações / locais perigosos…”

(Link para entrar no GRUPO no WHATSAPP notícias de BELFORD ROXO 2 – https://chat.whatsapp.com/LOULC9sKkzf5EINTpMKPgY )

Link para o OTT no facebook

Revista Sociedade Militar

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