General Villas Bôas incentiva sociedade a dar informações sobre criminosos para as forças de segurança

Villas Bôas incentiva sociedade a dar informações sobre criminosos para as forças de segurança

Retomo os comentários sobre o estudo do combate ao crime organizado em outros países, trazendo mais uma ideia: necessidade de cooperação da comunidade, atuando junto com as polícias, indicando local e pessoas envolvidas em delito na área conflagrada. Segurança é dever de todos!”

O Tuite do Comandante do Exército foi divulgado nessa terça-feira. O militar nos últimos dias tem procurado se inteirar sobre ações bem sucedidas no combate ao crime realizadas em outros países. Transmitindo em seguida algumas informações para a sociedade.

Na sexta-feira o general se reuniu com o embaixador e magistrados italianos para discutir sobre as ações empreendidas na Itália para combater o crime organizado.

Interação com a sociedade

Desde o início de sua gestão VB, como é conhecido entre militares, investe pesado na interação com a sociedade. Percebeu o poder das redes sociais e com isso, bem assessorado, intensificou o investimento nos setores de relações públicas da Força Terrestre, obtendo admirável sucesso nisso. Ele mesmo tem mais de 200 mil seguidores no twitter, sendo quase tão popular quanto o exército, que tem 260 mil seguidores nessa rede. Vários generais possuem também muitos seguidores em suas redes. (Veja aqui artigo sobre MILITARES nas redes sociais)

O EB hoje é capaz de alcançar muitas pessoas por meio das redes sociais, sites e blogs oficiais. A força conta ainda com uma grande rede de sites e blogs colaboradores, o que multiplica muito o alcance das informações que deseja divulgar.

Depreende-se com isso que mesmo sem a ajuda da mídia televisiva o Exército Brasileiro é hoje capaz de levar seu recado e – mais do que isso – receber o indispensável feedback de dezenas de milhões de brasileiros. A força terrestre, portanto, tem capacidade de saber o que o povo pensa. É sábio acreditar que quando Villas Bôas diz alguma coisa já tem quase certeza das conseqüências, pois o faz com base em dados concretos e em um amplo conhecimento da sociedade brasileira.

O militar em questão atua cada vez mais de forma didática. Em vários momentos declarou que a sociedade precisa ser o protagonista, que esta não precisa mais ser tutelada. Os últimos tuítes, como o que diz que marginais não podem ser vistos como vítimas e o que diz que todos têm que contribuir como puderem com a segurança pública nada mais são do que esclarecimentos para ajudar a sociedade a participar mais ativamente da reconstrução do país.

Em uma conversa recente entre militares este articulista ouviu algo interessante de um amigo, com sua autorização transcrevo a seguir:

se VB tivesse cedido aos apelos de intervenção militar, que chegam desde 2014, hoje Dilma, Lula, Renan, Dirceu, Genoino e outros salafrários provavelmente estariam exilados, teriam reconquistado seu status de heróis da democracia…  a população de forma alguma estaria esclarecida como hoje está acerca de nosso passado recente. E Provavelmente novamente multidões lotariam as avenidas se manifestando, gritando fora Forças Armadas, pedindo anistia de políticos presos e o retorno da democracia que havia antes dos militares tomarem o poder de novo… Ele acha que é preciso que o povo protagonize as mudanças para que estas sejam permanentes… e pelo que eu conheço de VB, até o último minuto ele fará o que puder para que o povo aprenda a caminhar com os próprios pés.”

Em dois momentos chave em que a sociedade conseguiu se unir e agir com foco em um objetivo concreto, as instituições foram obrigadas a responder da maneira que foi solicitado. O primeiro momento foi no impeachment de DILMA e o segundo momento foi na terça-feira passada, véspera do Julgamento do HC de Lula. 

As grandes manifestações de 2013 eram por demais difusas e a sociedade na verdade não se uniu em prol de um objetivo comum, mas foram bons ensaios. 

A sociedade está aprendendo. VB está certo.

Robson Augustto é Militar R1, Cientista Social e Jornalista. Revista Sociedade Militar