Geopolítica / Religião.

LIGAÇÕES PERIGOSAS: Os novos caminhos tortuosos da DIPLOMACIA NORTE-AMERICANA

LIGAÇÕES PERIGOSAS: OS  NOVOS CAMINHOS TORTUOSOS DA DIPLOMACIA NORTE-AMERICANA

O desempenho diplomático dos Estados Unidos e de seus aliados do primeiro mundo, como são os casos da Alemanha, da França e da Inglaterra, sempre garantiram ao bloco europeu uma coalização econômica e política desde a segunda guerra mundial. Entretanto, desde a eleição do Presidente Donald Trump, a Europa e o resto do mundo vêm acompanhando, com expectativas, os novos direcionamentos da política internacional norte-americana, sobretudo relacionada aos países do Oriente Médio. No último dia 08 de maio, a Casa Branca emitiu um memorando em que informava a retirada dos Estados Unidos do acordo denominado de Joint Comprehensive Plan of Action (JCPA). Conhecido também como Iran Nuclear Deal (Acordo Nuclear Iraniano), o acordo foi produto de 20 meses de extensas negociações, que culminaram com a decisão iraniana de reduzir seu programa nuclear em troca do afastamento das sanções comerciais impostas ao país. Porém a retirada dos Estados Unidos do acordo tem sido considerada uma catástrofe imensa e, sobretudo, uma traição sem precedentes à Europa[1].

Em outras palavras, a decisão do governo norte-americano coloca os Estados Unidos em rumos diplomáticos inversos aos direcionamentos tradicionais até então inerentes ao apoio econômico, à segurança e à estabilidade para os Estados Unidos e, de certa maneira, para o mundo democrático.  Em relação a esse acordo, em particular, os Estados Unidos e a Europa trabalharam 15 anos para consolidar o acordo (Depetris) que, até então, tinha permitido aos aliados e ao restante do mundo acesso mais detalhado ao programa nuclear iraniano. Caso o Irã, depois do acordo, manipulasse as informações por meio da transferência de suas usinas ou efetuasse a compra de urânio para o enriquecimento através de mercados externos, todos saberiam. Para além da questão financeira que envolve a compra de urânio, a decisão do governo norte-americano criou um obstáculo para a segurança e a contensão dos desdobramentos nucleares iranianos de forma planetária.

A decisão do insensato presidente foi tomada de acordo com a matéria consultada “da pior forma possível”. O analista da matéria comparou a atitude do presidente com um gesto banal, por causa da expressão  “flushed all that down the toillet” (deu descarga). Além do considerado insulto aos aliados e ao próprio trabalho dos diplomatas norte-americanos que participaram na elaboração do acordo, o fato causou prejuízos irreparáveis à economia europeia e à norte-americana.  Isso sem contar como o número de agentes não europeus e norte-americanos que prestam serviços a um grande contingente de empresas para executar esses serviços de forma global (observação minha).  As indústrias de carro terão de se retirar do país até 06 de agosto, enquanto outras multinacionais e instituições financeiras, entre elas, a Petroquímicas, deverão encerrar seus contratos até o dia 04 de novembro. Se se recusarem a cumprir a medida, o Tesouro Americano emitirá sanções financeiras e congelará suas atividades nos Estados Unidos (no caso das norte-americanas).

No que se refere aos aliados, as sanções a serem aplicadas pelos Estados Unidos estão “temporariamente” afastadas (não sabemos até quando. Observação minha). Os Estados Unidos, nesse momento, estão diante de um grande problema: encontrar uma posição intermediária, de não proliferação nuclear, e, ao mesmo tempo, manter a imensurável empreitada econômica que envolve milhões de dólares e inúmeros parceiros econômicos. A indústria alemã SIEMENS, por exemplo, foi uma das prejudicadas no processo, ao lado dos parceiros norte-americanos. Sem o dinheiro do Ocidente, O Irã não terá incentivos para continuar restringindo seu programa nuclear. Por ouro lado, os Estados Unidos querem manter o diálogo com o Iran para fornecer petróleo. O uso do euro, ao invés do dólar, é também uma medida apontada pelos aliados como parte de um acordo possível entre as potências europeias e o Irã. Nesse exato momento, ainda se tentam manter os contratos dos inúmeros envolvidos já vigentes em andamento, através de negociações com a Casa Branca. Porém o ceticismo predomina nos círculos internos dos aliados.

O artigo também comenta que aos aliados sobrarão duas opções[2]: ou “poderão sustentar um acordo de controle de armas e pôr em risco uma grande violação no relacionamento transatlântico, incluindo uma guerra comercial, ou explicar aos iranianos da melhor forma possível que, para proteger as economias da União Europeia, descumprirá a orientação do Departamento do Tesouro Norte Americano”. Como se pode observar, esses direcionamentos econômicos em economias dependentes como a nossa poderão produzir impactos consideráveis sobre nosso desempenho econômico ainda mais caótico do que o momento atual. Desse modo, a escolha de uma equipe competente para as intermediações econômicas e diplomatas por parte do futuro Presidente a ser escolhido para a República do Brasil será um fator essencial para conduzir essas questões.

[1] Veja-se Daniel R. Depetris “Donald Trump’s Betrayal of American and European Diplomacy”. The America Consevative May 17, 2018

[2] it can sustain an arms control accord and jeopardize a major breach in the transatlantic relationship, including a trade war. Or it can explain to the Iranians as best it can that, in order to protect its economies, the EU has no option but to comply with the Treasury Department’s guidance.

Ida Maia – Publicado em Revista Sociedade Militar

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