DEFENSORIA quer PROIBIR helicópteros de disparar durante operações

DEFENSORIA quer PROIBIR helicópteros de disparar durante operações

Nessa tarde a discussão nas redes sociais de militares e policiais está em torno da indignação causada por um pedido da Defensoria Pública do estado. A defensoria diz que se faz “disparos de arma de fogo a esmo” e pede a justiça que proíba helicópteros da polícia e das Forças Armadas de disparar durante operações. Alegam, entre outros motivos, terror psicológico, probabilidade de atingir pessoas inocentes e danos materiais.

No Brasil as próprias instituições públicas brigam entre si e quem sai perdendo é a sociedade. Se o pedido da defensoria for atendido helicópteros em operações passarão a ser apenas observadores privilegiados, sem autorização para prestar apoio ao policiais e militares das Forças Armadas operando no solo.

 Veja o texto publicado pela DPRJ

O uso de aeronaves para efetuar disparos durante uma operação da Polícia Civil e do Exército, nesta quarta-feira (20), no Complexo da Maré, levou a Defensoria Pública do Estado do Rio a ingressar com um pedido de liminar na Justiça para pedir a proibição de tal prática nas favelas ou lugares densamente povoados. A ação na comunidade resultou em seis mortes. Um adolescente, atingido por um disparo de arma de fogo, foi gravemente ferido na barriga.

 – Essa situação da utilização de um helicóptero para efetuar disparos de arma de fogo a esmo, em locais urbanos densamente povoados, enquanto se movimenta em alta velocidade é absurdamente temerária, não se tem notícia de algo parecido em qualquer lugar do mundo. A probabilidade de atingir pessoas inocentes é imensa, além do terror psicológico que causa aos moradores e interrupção das atividades na comunidade e prejuízos materiais – afirmou o defensor público Daniel Lozoya, do Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos (Nudedh) da Defensoria Pública e que assina a petição.

 No pedido, que foi protocolado na 6ª Vara da Fazenda Pública da Capital, a Defensoria requereu também o cumprimento da decisão judicial que obriga o Estado a apresentar o plano de redução de riscos e danos para evitar violação dos direitos humanos e preservar a integridade física dos moradores da Maré durante as ações policiais dentro da comunidade. O plano de redução de danos decorre de uma ação civil pública movida pela DPRJ desde junho de 2016.

 Na petição entregue à Justiça, o Nudedh afirma que o prejuízo causado durante a operação conjunta da Polícia Civil e do Exército, na localidade Vila Pinheiros, dentro do território da Maré, classificado como “mais um morticínio promovido pelo Estado”, revela a persistência do réu em não cumprir a determinação judicial e ainda agir de maneira contrária às diretrizes estabelecidas na decisão proferida por este juízo.

 No documento, a Defensoria argumenta que a utilização de aeronaves para efetuar disparos de arma de fogo de grosso calibre próximo a escolas, residências e aglomeração de pessoas foi considerada temerária e revela “atuação discriminatória do Estado”, visto que esta medida nunca seria tomada se a ocasião envolvesse bairros de classe média.

 – A única hipótese de se considerar esse tipo de operação policial como exitosa é o total desprezo pela vida e demais direitos dos moradores de favela. É oportuno rememorar outras ocasiões em que a aeronave da Polícia Civil foi utilizada para realizar voos rasantes e efetuar disparos de arma de fogo, como na Favela do Rola, em 2012, e no Jacarezinho, no ano passado, sempre resultando em múltiplos homicídios. No Jacarezinho até mesmo a base da UPP local foi atingida, o que demonstra a integridade dos policiais também é colocada em risco – acrescentou o defensor.

Revista Sociedade Militar  – A Revista Militar do Brasil – Segurança Pública

Texto base / defensoria / encontrado em: http://www.defensoria.rj.def.br/noticia/detalhes/5985-DPRJ-pede-a-Justica-para-proibir-disparos-de-aeronaves-em-favelas