Comunismo e estranha amnésia coletiva

Comunismo e a estranha amnésia coletiva.

Recentemente uma bandeira gigantesca foi colocada na encosta do Cristo Redentor, no dia do aniversário de Karl Marx. A coisa virou manchete nacional. Mas, o efeito mais desejado, gerar uma discussão a respeito do tema, não foi alcançado. A imprensa em nenhum momento tratou a coisa pelo seu viés ideológico.

Se, ao contrário de uma bandeira contra o comunismo fosse ali colocada uma bandeira com a suástica tudo seria diferente.

Tentaram atrair a discussão para a questão ecológica e estética. Quatro pessoas colocaram a bandeira, usaram uma trilha de alpinistas – permitida – e a coisa foi feita em um paredão de pedra. Qual o dano mesmo? Há laudo pericial? qual foi o perito? Se falou muito sobre poluição visual, alteração do aspecto de local com valor paisagístico etc. e pouquíssimo sobre o que é o COMUNISMO, os males causados pela tal filosofia e sua aplicação em nosso país e no mundo como um todo.

Calcula-se que o marxismo tenha causado mais de 80 milhões de mortes diretas, sem falar os bilhões de pessoas que sofreram e até hoje sofrem com a miséria e falta de liberdade causadas pela aplicação da filosofia em seus diversos “tons”, que vão do gentil cor-de-rosa ao agressivo vermelho-vivo, cor do sangue. Todavia, parece que isso nada significa, a discussão desse assunto é proibido pela “grande” mídia de nosso país.

Intelectuais e artistas que ousam tocar na ferida frequentemente são banidos da mídia televisiva e escrita. Lobão e Roger são dois dos exemplos mais recentes. 

A bandeira gigantesca, avistada de vários pontos da ZONA SUL, em poucos dias caiu no esquecimento.  Os proprietários tentam resgatá-la de dentro de algum armário no quartel central do Corpo de Bombeiros. Contam que, não se sabe por que razões, Generais do Gabinete da Intervenção e outros órgãos lutam pela posse, o que impossibilita a entrega aos verdadeiros donos.

O historiador francês Alain Besançon, ao dissertar sobre Comunismo e Nazismo em seu livro A INFELICIDADE DO SÉCULO, deixa-nos um texto interessante. Fiquem com o mesmo para sua reflexão.

A memória histórica, no entanto, não os trata igualmente. O nazismo, apesar de completamente extinto há mais de meio século, segue sendo, com razão, objeto de uma execração que não diminui com o tempo. A reflexão horrorizada sobre ele parece até aumentar a cada ano em profundidade e extensão.  

O comunismo, em compensação, apesar de sua memória mais recente, e apesar inclusive de sua dissolução, beneficiou-se de uma amnésia e de uma anistia que colhem o consentimento quase unânime, não apenas de seus partidários, pois eles ainda existem, como também de seus mais determinados inimigos e até mesmo de suas vítimas. Nem uns nem outros sentem-se confortáveis para tirá-lo do esquecimento. Acontece às vezes que o caixão do Drácula se abre. Foi assim que, no final de 1997, uma obra ousou calcular a soma dos mortos que era possível lhe atribuir. Propunha-se uma cifra de 85 a 100 milhões. O escândalo durou pouco e o caixão já se fecha, sem que, no entanto, essas cifras tenham sido seriamente contestadas…

Robson Augusto é Militar R1, Cientista Social, Jornalista.

Revista Sociedade Militar

Comentários