O assassinato do Cabo Wilson SIMONAL

O assassinato do Cabo Wilson SIMONAL

Talento extremamente promissor, com controle de palco e público incríveis, Wilson Simonal foi destruído pela esquerda ainda no início de sua carreira. O artista descobriu seu dom para a música no Exército Brasileiro, de onde, a contragosto de sua mãe, deu baixa como CABO.

No ano de 1968 a música SÁ MARINA interpretada por Simonal foi bem mais tocada que músicas de Roberto Carlos, Milionário de Os Incríveis e Pra Não dizer que falei das Flores, de Vandré, considerado o “hino” dos anos 60.

1º        Hey Jude – Beatles
2º        Viola Enluarada – Marcos Valle & Milton Nascimento
3º        Baby – Gal Costa & Caetano Veloso
4º        Sá Marina – Wilson Simonal
5º        Love Is Blue – Paul Mauriat
6º        Light My Fire – Jose Feliciano
7º        Se Você Pensa – Roberto Carlos
8º        MacArthur Park – Richard Harris
9º        Pata Pata – Miriam Makeba
10º       Tenho Um Amor Melhor Que o Seu – Antonio Marcos

Simonal fez dueto com Sarah Vaughan e inspirou Steve Wonder a gravar Sá Marina em inglês. Ouça abaixo a gravação original de Sá Marina. Alguns dizem que arranjo e interpretação são tão perfeitos que é possível imaginar claramente a jovem Marina descendo a ladeira, faceira, com sua saia branca. 

O artista já na época mostrava personalidade ao tocar sem medo e sem se fazer de pobre coitado em temas polêmicos como a discriminação racial que havia no Brasil e exterior. Como foi feito na canção que compôs para o reverendo Luther King (Tributo a Martin Luther King) e em outra obra onde dizia “meu cabelo é duro, meu nariz é chato… negro sem cultura vai ganhar bebida… eu sou preto, negro, negro, mas por Deus, também sou gente“.

Simonal era daqueles que resolvia as coisa como “sujeito homem” e cometeu uma besteira, mandou uns conhecidos dar um “sacode” em um contator do qual suspeitava, um dos agressores era ligado ao Dops. Depois disso a coisa foi de mau a pior, logo caiu nas mãos da esquerda, que à época já dominava a grande mídia e principais veículos de comunicação. 

A mídia caiu em cima em peso sobre Simonal, que logo foi acusado de ser um colaborador, um informante dos MILITARES, a coisa cresceu muito rápido, apareceram testemunhas que confirmaram que ajudava a repressão e isso bastou para que fosse transformado em inimigo de toda a classe artística. Foi um justiçamento sumário, sem direito de defesa. O artista teve que se mudar rapidamente da Zona Sul carioca e foi morar em São Paulo, a vizinhança esquerdista não o deixava em paz.

Juntou-se mais coisas às acusações, procurou-se mais “indícios” e repentinamente Simonal era direitista, ufanista ou defensor dos militares até porque ele cantava a música Moro Num País Tropical.

Naquele tempo,  dizer-se Brasileiro, dar sinais de patriotismo, era considerado por alguns como algo ligado ao militarismo.

O cantor lançou em 1970 a música EU FICO, de Jorge Ben irritando a esquerda militante. a letra: Minas Gerais, uai, uai São Paulo, sai da frente! Guanabara, como é que é? Bahia, oxente! E os meus irmãozinhos lá do norte? Este é o meu Brasil / Cheio de riquezas mil / Este é o meu Brasil / Futuro e progresso do ano 2000 / Quem não gostar e for do contra / Que vá prá…”

Outra canção de Jorge Ben gravada por SIMONAL também gerou polêmica, foi uma resposta a criticas de Juca Chaves, que da Itália falava mau da musica Moro num país Tropical, acusando-a de ufanista, como acima mencionado. O nome da canção é RESPOSTA.

“… Eu também sou amigo de Edson Arantes/do Nascimento, o nota dez,/Pelé para os íntimos/Eu pertenço a uma grande família de 100 milhões de habitantes,/todos os dias agradecem a Deus o feijão com arroz/e a paz na terra aos homens de boa vontade/Eu não sou um orgulhoso nem tão-pouco um despeitado,/mas é que eu não gosto é de ser subestimado/Pois eu sou um amante, um amante do meu país/Eu sei onde é o meu lugar, eu sei onde eu ponho o meu nariz!/eu sei onde é o meu lugar, eu sei onde eu ponho o meu nariz! 

Para alguns Simonal ajudava os militares “distraindo as massas”.

O cantor não era engajado politicamente, era negro, filho de pobre, gostava de ostentar… e, o pior de tudo – era extremamente ingênuo –  bastou uma brecha para que a esquerda inquisidora o linchasse.

Quem tem menos de 50 anos de idade talvez de lembre do Wilson Simonal  dos anos 80 como uma figura meio engraçada que vez por outra ganhava uma oportunidade em algum programa de auditório de segunda linha, quase sempre com um aspecto “alcoolizado”. Poucos sabem, mas nessa  época ele já tinha sido julgado, condenado e surrado pela intelligentsia esquerdista, que o isolou completamente, vetando-lhe os palcos, que tanto amava. Era assim mesmo que eu o via até ouvir sua interpretação de Sá Marina gravada em 1967 e investigar o por quê de tão grande talento não ter se tornado um dos maiores cantores desse país.

No final de sua vida o cantor procurou programas de TV para mostrar uma certidão emitida pela Presidência da República que provava que nunca foi informante da “repressão”. Nas raras oportunidades que teve era perceptível a ansiedade ao explicar que os papeis provavam que ele nunca foi do DOPS ou sequer atuou como informante daquele órgão.

Ninguém vai se desculpar, a esquerda jamais assume o papel de algoz, sempre será a vítima.  

O “assassinato” de Wilson Simonal fez-nos perder um grande intérprete, além dos danos pessoais e à família, impossíveis de ser reparados.

Quantos jovens talentosos são podados ainda no início de suas carreiras por não adotar posturas exigidas pela intelligentsia e classe artística autoritária desse país? Com certeza muitos.

Revista Sociedade Militar

Robson Augusto / Militar R1 – Cientista Social – Jornalista //