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Nas redes: Bolsonaro ganharia um cabresto e passaria a ser tutelado por MOURÃO e outros militares? Improvável.

Bolsonaro ganharia um cabresto e passaria a ser tutelado por MOURÃO e outros militares? Improvável.

Em rodas de conversas de militares e nas redes sociais se fala sobre algumas coisas um tanto quanto estranhas. Como sabemos, nas redes fala-se muito, mas como as conversas frequentemente tem base em algo concreto, vamos discorrer um pouco sobre o que rola por aí. Comenta-se que estaria em andamento algumas tratativas para que JAIR BOLSONARO fosse mais influenciado ou até apenas uma espécie de seguidor das instruções de Hamilton Mourão e de outros generais de quatro estrelas que fazem parte de seu governo. 

Nos “papos” de corredor diz-se que, ao se dirigir prioritariamente ao seu eleitorado e lutar por cumprir as promessas de campanha, como a questão da colocação da embaixada brasileira em Jerusalém, Bolsonaro estaria incomodando, sendo visto como populista, alguém que poderia prejudicar o Brasil como um todo. Alguns não teriam engolido até hoje o fato de JB ter ousado desafiar o Alto Comando do exército, deixando generais de cabelos em pé quando no passado ousou se manifestar publicamente e se tornou uma espécie de líder ou herói dos oficiais intermediários, subalternos e praças. Jornais da época disseram que não foi punido mais severamente por conta do medo de uma insurreição.

Ainda nas redes: O atual presidente, um oficial intermediário, para alguns seria reprovável também pelo fato de surpreender a todos com falas e decisões não combinadas com a equipe e por não cumprir protocolos, não estaria a altura do cargo que ocupa e poderia estar sendo na verdade manipulado por alguém, como OLAVO DE CARVALHO, citam. Outro componente forte nessa mistura seria o caso Flávio Bolsonaro.

A conversa aparentemente foi longe, pois o próprio Olavo de Carvalho já se manifestou sobre o assunto nas suas redes sociais: “Nunca, nunca, nunca um membro do governo me telefonou ou escreveu para pedir orientação sobre o que quer que seja. Cada um faz o que bem entende sem nem mesmo me contar o que se passa, e no dia seguinte descubro, pelos escritos de repórteres analfabetos funcionais, que sou o guia, o condutor, o maestro dessa orquestra de hospício.

Nas mesmas conversas alguns opinam dizendo que ele procedeu de forma equivocada ao colocar tantos militares no primeiro escalão do governo. Acreditam que  o ministério da defesa e o GSI deveriam ser de militares, mas também que outros ministérios e cargos próximos, não. “Pela visão de mundo adquirida desde a tenra infância nas academias e clubes militares, é muito difícil que um general de 4 estrelas enxergue facilmente as decisões de um capitão como as melhores… eles ouvem, ponderam, mas gostam de decidir entre eles“, diz um oficial subalterno.

Um oficial superior – na ativa – opina sobre o assunto de forma bem esclarecedora: “quanto ao comentário registrado em rede social – ‘ é muito difícil que um general de 4 estrelas enxergue facilmente as decisões de um capitão como as melhores’ – há de se lembrar que os militares têm (ou deveriam ter) a visão da posição ocupada e não do ocupante. Não importa, portanto, se quem está lá é um Capitão. Ele está com a faixa presidencial e, automaticamente, são as decisões do Presidente, não do Capitão”

Outro of. superior – também na ativa – diz: “Esse é um ponto de vista plausível…porém, acho pouco provável… O JB tem larga convivência nesse universo lodoso da política…sabe como navegar…por outro lado, entendo que a montagem do seu ministério composto por várias autoridades militares denota uma preocupação com a retidão de atitudes… O termo fantoche, acho que não se adequa pois os Altos Comandos vigentes eram componentes dessa mesma estrutura em nosso passado recente e não se rebelaram… pior, em vários casos, se alinharam com a corrente de pensamento… Temo que corremos sim o risco de algum embate por conta de vaidades mas, não a ponto de comprometer a governabilidade… Como já conversamos antes, Bolsonaro é extremamente carente de um núcleo duro com lealdade e patriotismo em alto grau…

Outro militar opinou também: “… Com certeza entre os militares tem um grupinho que se acha lá … pode haver esse tipo de pensamento… mas ele não está sozinho, tem os filhos deputado, senador, vereador… e a gente já cansou de ver como se comporta um comando quando chega um deputado no quartel, se tremem todos… quando ele era capitão ele já peitou a cúpula do Exército… então acho que não procede que exista algum tipo de domínio...” 

Porém, contudo e todavia, ao contrário do que a “conversa” nas redes indica. Os militares fizeram – lembra outro oficial – questão de montar um gabinete no Albert Einstein justamente para dar suporte a Bolsonaro e para que o “comando retorne para suas mãos o mais breve possível“. Para o mesmo militar: “é difícil crer, pelo comportamento de JB ao longo dos últimos anos, que se deixe manipular”.

Robson Augusto – Militar R1 – jornalista 

Revista Sociedade Militar

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