“Inescrupulosos.”, “oportunistas”. Palavras duras de generais demonstram irritação da cúpula com o movimento nas redes sociais

“Inescrupulosos.”, “oportunistas”. Palavras duras de generais contra alguns que comentaram nas redes a REESTRUTURAÇÃO das carreiras

Os comentários de alguns generais são duros e direcionados contra militares e esposas de militares que comentaram nas redes sociais o projeto de lei da reestruturação das carreiras. O que se observa é que novamente as forças pecam por não ter convocado praças e oficiais para explicar o andamento do processo ates de deixar que fosse “vazado” e, portanto, chegasse a todos de forma vaga.

Pessoas inescrupulosas estão se aproveitando do anonimato para divulgar inverdades sobre a Reforma da Previdência dos Militaries !! O Exército de Caxias é indivisível e seus Oficiais e Sargentos sabem disso !! Jamais permitiremos tentativas espúrias de querer nos dividir !!” Disse o General de Exército Ramos (https://twitter.com/Gen_Ramos_CMSE), militar conhecido por ser ponderado e muito estimado por pares e subordinados. Palavras tão duras – e pior – ditas nas redes sociais, demonstram que há uma irritação gigantesca com o ocorrido.

O recado do comandante da Aeronáutica não foi diferente. O brigadeiro chamou de oportunistas, irresponsáveis e descompromissados aqueles que entenderam a coisa de forma equivocada e fizeram comentários que destoavam do que ele entende do projeto de lei.

Sobre o assunto o oficial general disse ainda que deve-se “estabelecer um diálogo maduro, racional e consistente junto aos nossos comandantes…”.

Sim, isso já deveria ter sido feito.

Aparentemente as lições não foram bem aprendidas. Há algumas décadas pecou-se por não explicar para as categorias base das forças armadas o que significava de fato a ameaça comunista, permitindo então que muitos jovens ingênuos, praças e oficiais, fossem tragados pelas promessas de um mundo de sonhos coloridos. Se os militares hoje falam a “mesma língua” no que diz respeito ao viés político que possuem isso não se deve a ação dos chamados “altos coturnos” e sim a busca independente pelo conhecimento, empreendida pelos graduados de aproximadamente 20 anos para cá.

Existem adjuntos de comando, existem suboficiais antigos, existem capitães QAO antigos. Que pelo menos esses militares fossem convocados e  – antes que a coisa “vazasse” – exaustivamente esclarecidos e orientados a compartilhar com amigos e nas suas redes sociais os dados sobre o que viram.  

No mundo de hoje, em que as informações trafegam na velocidade de luz, seria muita inocência esperar que um projeto desse magnitude – que chega pelas redes sociais – assustador devido também à oposição da imprensa, com mudanças amplas e que afetam centenas de milhares de pessoas, fosse entendido em sua totalidade por todos, inclusive por aquela pensionista de 75 anos de idade que mora lá em Afuá, no Marajó, que também tem redes sociais e faz comentários por puro desespero.

lembrando que no contexto atual o comentário dessa (hipotética) senhora, pode viralizar e/ou chegar até o presidente da república.

Será ela um dos que ficam “embevecidos com a possibilidade de impasse” ou apenas expressa sua insatisfação nas redes sociais?

Alguns alegam que generais agora atuam como bombeiros ao tentar acalmar todos. jornal diz que “o ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva, também entrou no circuito. Ele convocou os comandantes militares do Exército, da Marinha e da Aeronáutica para uma reunião, ainda pela manhã de segunda-feira, em seu gabinete. Discutiram a estratégia de atuação para reduzir a temperatura na caserna.”

Bem, na nossa opinião ao usar termos como “fake news”, “tentativas espúrias” e “inescrupulosos” se referindo a militares, esposas e pensionistas que discordam do projeto  esses generais agem mais como incendiários do que como bombeiros.

Lembrando ainda que – a despeito da grande circulação – os principais sites que tratam do assunto não publicaram tabelas com soldos e gratificações. Artigos e opiniões foram exclusivamente com base na PL e textos de militares.

Há ainda muito a esclarecer. Muitas opiniões, sugestões e insatisfações, como os 10% vitalício de representação concedidos para os generais, a criação do sargento mor que pode ser trocada pela promoção ao primeiro posto do oficialato, quem deve ou não ser dependente, se a coisa toda vale para os que estão na reserva e outros pontos.

 Robson Augusto  é Militar R1, jornalista, sociólogo. Escreve para Revista Sociedade Militar, Jornal Corporativo e Jornal Nação

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