Forças Armadas

Exército relançará livro de Gilberto Freyre – Recado para BOLSONARO? – “O Brasil não é um simples campo de manobra ou cenário de paradas”

Exército relançará livro de Gilberto Freyre – Recado para BOLSONARO? – “O Brasil não é um simples campo de manobra ou cenário de paradas”

No dia 20 de setembro de 2019, o Exército Brasileiro, por intermédio da Biblioteca do Exército (BIBLIEx), do Centro de Comunicação Social do Exército (CCOMSEx) e da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME), realizará o lançamento da segunda edição da obra “Nação e Exército”de Gilberto Freyre, no espaço cultural da ECEME, na cidade do Rio de Janeiro-RJ.

O discurso oficial da Força Terrestre é: “O objetivo de lançar esta segunda edição de “Nação e Exército” é não só homenagear um dos mais inteligentes pensadores brasileiros, pelos 70 anos da publicação da primeira edição, mas também resgatar uma obra imprescindível ao estudo das relações entre civis e militares no Brasil. A obra, que teve sua primeira edição publicada em 1949, foi o resultado das reflexões de Gilberto Freyre, acerca da relação entre a Nação e o Exército no Brasil, em uma conferência proferida na ECEME, a convite de seu comandante, General Tristão de Alencar Araripe, em novembro de 1948.”

Alguns estudiosos do assunto em círculos mais restritos comentam que o evento aparentemente marca o fortalecimento de uma ala mais progressista da Força Terrestre e um período de gradual distanciamento do presidente da república e do governo como um todo. O próprio discurso contido no livro de Gilberto Freyre – que já foi acusado de ter pertencido à Aliança Nacional Libertadora (ANL), integrada por comunistas, antifascistas e militares descontentes nos anos 30 – prega justamente a necessidade de afastamento das forças armadas do aparato governamental.

Freyre em sua obra chama de “socialmente enfermo” um povo que têm nos militares a garantia do funcionamento das instituições e pilar da sua ideologia, moral, comportamento etc. O autor critica o que em seu ponto de vista seria uma excessiva confiabilidade das atividades civis à administração de militares.

Extrato do livro: “A verdade, porém, é que o país onde o Exército seja a única, ou quase a única força organizada, necessita de urgente organização ou reorganização do conjunto de suas atividades sociais e de cultura para ser verdadeiramente nação. Nação desorganizada não é Nação: é apenas paisagem. Paisagem ou cenário de Nação. E mesmo que o exército seja moral e tecnicamente primoroso, se é única força organizada da nação, esta nação corre o perigo de transformar-se em simples cenário de paradas ou simples campos de manobras, por mais atlética que pareça.(FREYRE, Gilberto. Nação e Exército. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio, 1949. p. 34)

Lançamento da segunda edição da obra “Nação e Exército” de Gilberto Freyre  Data: 20 de setembro de 2019 (sexta-feira). Horário: às 11h. Local: Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME), Praça Gen. Tibúrcio nº 125, Urca, Rio de Janeiro – RJ.

Revista Sociedade Militar

P.S. Abaixo uma crítica à Revista Sociedade Militar, da lavra do prestimoso professor Olavo de Carvalho. No vídeo Olavo de Carvalho diz que no artigo menciona-se que Freyre foi chamado de comunista na época em que escreveu o livro e diz que a revista se refere aos oficiais como progressistas. Na verdade deixamos claro que “em círculos mais restritos comentam…”. A Revista Sociedade Militar nesse artigo se ateve apenas republicar literalmente a visão da força e o que – em contraposição – algumas pessoas comentam sobre o assunto em conversas por redes sociais / sites . Aproveitamos aqui também para comentar que esse afastamento gradual citado nesses canais não poderia ocorrer em governos anteriores já que evidentemente não havia a proximidade na medida em que hoje existe. Lembrando também que não é unânime a opinião de que Gilberto Freyre – admirado por Médici –  era comunista. Ao final do artigo se publicou um extrato do livro em questão.  Por fim, aproveitamos para agradecer ao ilustre professor pelas diversas vezes em que citou nossa revista online para endossar seus posicionamentos acerca dos mais diversos assuntos.

Ressaltamos que a RSM é veículo independente, sem vínculos com o governo, forças armadas ou partidos. Nosso compromisso é com o material humano das Forças Armadas – a família militar – bem como com reconstrução de nosso país, sem amarras ideológicas. Quanto a falar em nome das FA, obviamente isso é impossível, só o comando de cada força tem essa prerrogativa,  att, Editoria.

Robson Augusto – Sociólogo, jornalista e militar R1.

Revista Sociedade Militar

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