Forças Armadas

DISSUASÃO EXTRA REGIONAL É PODER DE FOGO 

Nunca na história dos conflitos humanos uma nação dependeu tanto de sua artilharia para garantir sua soberania”

É de se pensar o que se espera no porvir dos anos para a nacionalidade brasileira. Quais os seus objetivos nacionais permanentes? Qual o grau de poder que se impõe ao quinto país do mundo em projeção territorial, considerado por muitos como o celeiro da humanidade, detentor do maior patrimônio ecológico do planeta e de invejáveis riquezas minerais? Alguém já parou para pensar? Vejam que nunca nos moveu, move ou moverá, por isso mesmo, qualquer devaneio de natureza imperialista ou de imposição de poder, seja no subcontinente latino americano, seja no espectro extra regional. E isto por que? Simplesmente porque não desejamos brigar com ninguém, não precisamos lutar por nada, nem aqui nem alhures. No Brasil temos fartura de tudo em um território que nos basta a nós mesmos.

Mas, esta posição coerente, caracterizada por ferrenha, declarada e ativa apologia da autodeterminação dos povos, infelizmente, em nenhum momento e de modo algum, será respaldada por qualquer das grandes potências militares, justo aquelas que, espertamente, jamais deixaram de, no rastro de uma diplomacia disfarçada, soltar os seus “cães de guerra” para secunda-la. EUA, Rússia, RPC, Grã-Bretanha e França assim trazem no seu “DNA” a fobia pela projeção de poder extracontinental. Ao Brasil, por isso mesmo, em contraposição à doutrina da ofensiva perseguida por esses notórios “predadores militares” cabe, tão somente, em coerência com nossa postura de absoluta observância do direito internacional, opor uma poderosa e dissuasiva estratégia defensiva de autopreservação. Interessante é que, no nosso caso, a defesa também pode conduzir a vitória, justamente esta que será bem mais difícil de se obter pela ofensiva de blindados das armas base, se o inimigo já estiver de pé sobre o território da Pátria.”

Em resumo, temos tão somente que nos defender contra quem nos atacar, porque não precisamos lutar fora do país. Mas, como se alcançar esse desiderato? Como devemos nos resguardar, nos proteger, para garantir um real “status” de tranquilidade perene? A resposta é muito simples. Precisamos de um poder de fogo superior que nos permita bater no inimigo bem antes que este alcance nossas fronteiras ou mar territorial! Para tanto, o que é mais importante? O que devemos priorizar? Que providências, ações, devem ser desencadeadas no mais curto prazo para a obtenção de um poder de fogo com eficiente/eficaz efeito dissuasório? Não há como discordar, o grande segredo, para quem assinou o vergonhoso “TNP”, por certo, passa pelo desenvolvimento de mísseis de cruzeiro. Há!  Mas também estamos limitados por tratado, em alcance e carga, face a esses quesitos! E daí?

Mas então é preciso acabar com essa palhaçada! Como é que se vai atingir o estágio de dissuasão extra regional se aceitamos estas limitações de soberania? Os brasileiros, civis e militares, não podem mais ser embromados com “douração de pílulas”! Vamos e convenhamos, é muita “cara de pau” chamar o tal “AVM-300” de míssil de longo alcance. Isto aí, no máximo, otimiza o alcance da moderna artilharia de campanha, e só para uma luta que já estaria sendo travada para dentro de nossas fronteiras já em campanha rasa. Concordar que a “armada de uma coalizão” só comece a ser batida a partir de 300 km do litoral com o tal AVM-MATADOR (de mosquitos) é um acinte de subserviência, uma falta de auto respeito pelo alto comando das FFAA, um desprezo total pelo sacrifício a que serão submetidos nossos filhos e netos que usam farda!

E a solução é muito simples para se chegar no mais curto prazo à uma situação/estágio de dissuasão extra regional, bastando para isso, numa primeira fase, que antecedidos por baterias precursoras, grupos de mísseis e vetores VDR-1500/2500 km sejam aquartelados na costa, com maior concentração nos litorais fluminense e santista. Já na foz do Amazonas seria necessário, de imediato, uma bateria a ser aquartelada em Belém/PA, esta que, na impossibilidade pelo EB a curto prazo, poderia ser providenciada com a existente no CFN, atualmente aquartelada no Rio de Janeiro/RJ, que evoluiria no mais curto prazo para um grupo sediado definitivamente na capital paraense. Descendo para o litoral faz-se necessário que seja instalada no grupo de artilharia de campanha de Natal/RN uma outra bateria embrionária e, no extremo sul, que seja aquartelada no grupo de artilharia de campanha de Rio Grande/RS mais uma bateria embrionária.

O que seria obtido com essas providências urgentes e emergenciais? Nada mais nada menos do que o cruzamento de fogos, no além mar, da bateria de Belém/PA com a de Natal/RN; desta com os meios do litoral fluminense; destes com os meios no litoral santista e destes com a bateria instalada no extremo sul do litoral gaúcho. Destaque para uma concentração de meios, mais do que justificada, justo na defrontação da área do pré-sal brasileiro. Atentar para os seguintes fatos: esse cruzamento de fogos só seria obtido com a “AVIBRÁS” desenvolvendo, de imediato (para ontem) um vetor de respeito com alcance de até 1500/2500 km, não com uma carga fajuta de 200 kg, mas, sim, de pelo menos 500 kg; as baterias instaladas em Belém, Natal, Rio de Janeiro, Santos e Rio Grande constituiriam a ponta de lança para criação dos grupos/unidades correspondentes; o projeto ASTROS II , um dos “7” ditos “estratégicos” pelo EB para efeito de dissuasão extra regional, sobreleva como o mais importante e de prioridade “1” na distribuição de recursos.

Numa segunda fase, seria completado o grande arco estratégico defensivo, balizado por dois semiarcos. O primeiro que passa por Tabatinga/AM -São Gabriel da Cachoeira/AM – Boa Vista/RR – Macapá/AP – Belém/PA. Este arco deve ser, em cada uma dessas cidades, aquinhoado com uma bateria de Astros II, futuros grupos de foguetes e misseis com, no mínimo, 1500/2500 km de alcance para permitir o recobrimento dos setores de tiro bem distante da linha de fronteiras, em toda a extensão deste semiarco. Esta pletora de meios, com vista à proteção da calha norte e da foz do rio Amazonas, exige, inicialmente, o equivalente a “5” (cinco) baterias com vetores VDR 1500/2500 km.  Para tanto, priorizar a linha de montagem deste material de artilharia ao invés de viaturas blindadas “Guarany”, aquelas que só serão utilizadas no caso do inimigo lograr passar pela barragem de fogo de nossa artilharia alada.

O outro semiarco estratégico deve balizado desde São Luiz (ou Alcântara/MA), passando por Fortaleza/CE- Natal/RN- Aracajú/SE – Salvador/BA-Vitória/ES – Rio de Janeiro/RJ – Santos/SP – Florianópolis/SC- Rio Grande/RS. É importante perceber a concentração de meios defrontando as bacias de pré-sal, ao longo dos litorais do Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo. Este semiarco impõe, inicialmente, o correspondente a “10” (dez) baterias (embrionárias de futuros grupos “ASTROS II”) , todas dotadas com os VDR – 1500/2500 km, viabilizando um completo recobrimento de setores de tiro, bem distante da linha do litoral/costa.

A bateria de mísseis e foguetes ASTROS II é integrada por “15” viaturas; o grupo, por sua vez, é composto de “3” baterias de mísseis e foguetes  e “1” bateria de comando e serviços que completa o sistema. Essas baterias precisam ser aquarteladas, o mais cedo possível, em suas localidades previstas, isto para adestramento constante na ocupação de suas posições de tiro principal, de muda e suplementares de molde a, na hora do combate, saber como manobrar para se furtar ao fogo de contrabateria.

Pensando agora na artilharia naval, a Marinha do Brasil não pode abrir mão de, também, contar com a instalação de uma seção desse material em todos os seus navios de escolta, os quais, se subentende, já estejam na totalidade armados com o míssil antinavio “EXOCET”, de produção/fabricação de domínio pela indústria nacional. Ainda com relação à Força Naval, nossos submarinos, se não todos, pelo menos os em construção, nesta fase da história naval, já “ao final do segundo tempo”, não podem ser lançados ao mar sem a capacidade do disparo de mísseis na situação de submersos, isto sob pena de, em aceitando a desvantagem, admitir “endurance” muito curta nos próximos combates navais que vamos enfrentar mais menos dia. Seria simplesmente como que aceitar esta metamorfose de uma célebre frase: – “o Brasil espera que cada um se entregue antes de morrer”

Para concluir, deve ser enfatizado, mais nenhum outro projeto, dos ditos “estratégicos” pelas FFAA, deve se sobrepor à determinação por um poder de fogo superior. Os demais, também importantes, entretanto, se não tiverem o respaldo da proteção dos meios, que só a artilharia de foguetes e mísseis pode proporcionar, poderão ser interrompidos, de uma hora para outra, pela ação de um inimigo ciente da sua capacidade e da nossa correspondente incapacidade.

Paulo Ricardo da Rocha Paiva – Coronel de Infantaria e Estado-Maior
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