Forças Armadas

DISSUASÃO EXTRA REGIONAL, O QUE NÃO SOMA E O QUE ACRESCENTA 

DISSUASÃO EXTRA REGIONAL, O QUE NÃO SOMA E O QUE ACRESCENTA 

Para o EB, a VBTP Guarany só será empregada no caso de desembarque bem sucedido pelo inimigo. Ou seja, se o oponente lograr ultrapassar os fogos longínquos das artilharias naval e terrestre, estas que precisam ser dotadas com os vetores VDR-1500/2500 km, sem limite da carga, a serem desenvolvidos pela “AVIBRÁS”. O “projeto Guarany” preve “2044” viaturas, das quais já foram entregues em torno de ‘400″. Torna-se impositivo, para o alcance urgente e emergencial do estágio de dissuasão extra regional”, que as que faltam sejam fabricadas somente após a entrega das viaturas plataformas das baterias/VDR que se fazem necessárias para preenchimento do grande arco defensivo dissuasório (Tabatinga/AM_ RIO GRANDE/RS) concebido para o projeto Astros II. Também não soma o fato absurdo do adestramento, pelo Centro de Instrução de Guerra na Selva/CIGS, de militares integrantes das FFAA dos “grandes predadores militares”.

   Acrescenta para a Força Terrestre o incremento da entrega de viaturas Astros II com seus vetores balísticos, que precisam alcançar 1500/2500 km, viabilizando bater o inimigo bem distante do litoral/costa, dissuadindo as esquadras dos “grandes predadores militares” nas rotas do Atlântico Sul, da calha norte e foz do rio amazonas. Para preenchimento do grande arco defensivo são necessárias “15” baterias Astros II multiplicadas pelas “15” viaturas, somando 225.  Estas, sim, bem mais necessárias do que as viaturas blindadas de transporte  de pessoal/VBTP Guarany para efeito dissuasório contundente e definitivo. Este, que não se duvide, é o nosso mais precioso trunfo. Sem a consecução do grande arco de defesa alada vamos apanhar e feio, não adianta tampar o sol com a peneira, o pior cego é aquele que não quer ver! Já a valorização/otimização da “estratégia da resistência” impõe a suspensão, urgente e emergencial, do Curso de Guerra na Selva no CIGS para militares dos países membros permanentes do CS/ONU.

   Para a MB não soma o porta-helicópteros. Seu armamento: quatro canhões ds30m de 30mm; três sistemas de armas para defesa aproximada contra mísseis anti navio com alcance de 3,6 km (existem informes de que foram retirados na transferência do navio para o Brasil); quatro metralhadoras 7.62 mm e 8 metralhadoras FN MAG, não dissuade nenhum dos grandes “bucaneiros navais” da atualidade. É um navio de assalto anfïbio, com ênfase no desembarque de tropas e apoio com aeronaves leves. É de se perguntar que assalto anfíbio é esse? Seria em Saipan? Em Okinawa? Em Caracas? Suas dezoito aeronaves podem muito bem decolar de bases aeronavais ao longo de um extenso litoral e cumprir suas missões específicas. Que não se duvide, vai ser caçado como troféu como o cruzador GENERAL BELGRANO dos “hermanos” na Guerra das Malvinas. Para que se tenha uma ideia, Londres havia preferido ter colocado o “25 DE MAIO”, único porta-aviões da marinha argentina como alvo. O cruzador, sem dúvida, era o segundo navio do grupo de tarefa encarregado das operações navais no conflito. Eram 12:00 horas do dia 2 de maio de 1982, e apesar de haver uma proposta de paz do presidente argentino em suas mãos, o governo de Margaret Thatcher autorizou o afundamento daquela belonave com seus “1093” tripulantes. Nossa tripulação no porta- helicópteros ATLÂNTICO, de “1295” homens, não precisa ser sacrificada 

   Acrescenta para a Força Naval reforçar os vinte e três caças A-4 SKY HAWK (foram modernizados, quantos ainda estão decolando?) com os F5 modernizados (em torno de cinquenta e seis), na medida em que estes forem sendo desincorporados pela FAB, pelo menos até a aviação naval passar a receber, também, os “GRIPEN”. Que se diga, os “A-4” (alcance bélico de 1158 KM/720MI e alcance MTOW de 3220 KM/2000 MI) são superados pelo “F5” (alcance bélico de 1405 KM/873 MI e alcance MTOW de 3700 KM/2300 MI). Estes que, sem se arriscarem em aeródromos perdulários, poderiam decolar de bases aeronavais ao longo de um imenso litoral/costa. Uma “senhora” base aeronaval em Belém/PA, mais uma em NATAL/RN (saliente nordestino), poderiam se somar à de São Pedro de Aldeia/RJ, permitindo à MB distribuir seus caças A-4 mais os F5 pelas três, fazendo frente ao mar do Caribe/portal do Atlântico Sul e às bacias do présal. Já os navios de escolta (fragatas e corvetas), desde que armados com vetores balísticos de cruzeiro, com alcance mínimo de 1500/2500 km, sem limite de carga, são fundamentais para alongar os fogos da artilharia do EB, limitada no litoral/costa. É impositivo que os muito poucos destes que estiverem operando sejam, todos, dotados com este armamento para contrabater o poder de fogo de um cruzador como o “USS CAPE SAINT GEORGE” e demais belonaves pertencentes a outras “grandes potências navais”.

   Nossa Força Aérea, por sua vez, não pode ficar dormitando nos louros da vitória fugaz de um “KC 390”, aeronave logística que não soma nada em termos de dissuasão extra regional! Os brigadeiros que integram a alta cúpula militar da governança e o alto comando da Força Aérea, com todas as honras e sinais de respeito, precisam parar de pensar que permanecemos “voando em céu de brigadeiro” e entender que, sem aviação de caça de última geração, somente o “KC 390” não vai adiantar em nada para garantia do (ainda nosso ?! … meu Deus, e os “yankees” ditando regras na Base de Alcântara/MA!) espaço aéreo.

   Para a Aeronáutica, com certeza, deve somar uma divisão das missões com a força aeronaval, priorizando a primeira o combate aéreo por sobre o território, em particular e principalmente, concentrando os GRIPEN, à medida que estes forem chegando, em capitais da grande região norte, “ao  pé da obra” da calha norte e foz do rio Amazonas, faixa prevista para o estabelecimento do humilhante corredor ecológico “TRIPLO A “pela comunidade internacional (leia-se “grandes potências militares”). Não concentrá-los em  Anápolis-GO e/ou em Brasília-DF, de onde se desperdiçaria autonomia de voo e alcance bélico. Na medida que for recebendo os caças da Suécia, ceder número correspondente, em “F5” remodelados, para a força aeronaval decolar do litoral/costa.

Paulo Ricardo da Rocha Paiva – Coronel de Infantaria e Estado-Maior

Revista Sociedade Militar

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