Forças Armadas

ESCOLTAS GAULESES, PESADELO DESPERTADO

Em matéria anterior, ao comparar os nossos navios de escolta com os da “marinha de MACRON”, cometi o engano de computar as belonaves da “França Livre” do pós Segunda Guerra Mundial. Infelizmente para nós, na atualidade, o “Emanoel” dispõe de muito mais vasos de guerra, como se pode contar: cinco fragatas de uso geral (a LA FAYETTE, a SURCOUF, a COUBERT, a ACONIT e a GUEPRATT); seis fragatas de vigilância (a FLORÉAL, a PRAIRIAL, a NIVÔSE, a VENTÔSE, a VENDÉMIARE e a GERMINAL); oito destroiers antisubmarino (o AQUITAINE, o PROVENCE, o LANGUEDOC, o AUVERGNE, o BRETAGNE, o PRIMAGUET, o LA MOTTE PICQUET e o LA TOUCHE-TRÉVILLE); dois destroier ar/defesa (o FORBIN e o CHEVALIER PAUL) e dois destroiers de defesa aérea (o D’CASSARD e o JEAN BART). O nosso País, por sua vez, dispõe de sete fragatas (a DEFENSORA, a CONSTITUIÇÃO, a LIBERAL, a INDEPENDÊNCIA, a UNIÃO, a GREENHALGH e a RADEMAKER) e três corvetas (a JACEGUAI, a JÚLIO DE NORONHA e a BARROSO), as quais, se supõe, devem estar todas operativas. 

O que desequilibra, no entanto, é que os “escolta” franceses lançam mísseis muito além dos 70 km, sem limite de carga. Já os nossos, estão dotados tão somente com mísseis anti navio de alcance até 70 km, sendo necessário armá-los, todos os dez, com vetores de cruzeiro, no mínimo com o alcance obtido pelas belonaves francesas. O ideal, para efeito dissuasório definitivo, na medida em que a distância entre a Ponta Seixas/PB e o continente africano medeia os 2.850 km, seria um ”vetor de respeito” que alcance, no mínimo,2 500 km, isto porque, com nossas belonaves já estando mar adentro, logram-se as condições de bater até mais distante e dissuadir uma armada de “grandes bucaneiros navais” que se aventure agressiva na rota do Atlântico Sul.

Para que se tenha uma ideia, as fragatas francesas dispõem de mísseis navais de cruzeiro viabilizados pelo programa MDCN (MISSILE DE CROISIÈRE NAVAL), este que já deve ter equipado as FREMM (fragatas europeias multimissões) desde 2014 e os submarinos de ataque classe Barracuda desde 2017. O míssil está sendo desenvolvido em duas configurações, uma de lançamento vertical (em que se faz a transição vertical/voo de cruzeiro) e outra para lançamento submerso (que necessita fazer a transição submerso/superfície-ar/voo de cruzeiro). O MDCN/SCALP Naval, míssil desenvolvido, alcança 1.000 quilômetros (Fonte Poder Naval}.

Há que se constatar o fato observado/FO positivo de, no armamento destes “10” heroicos escoltas, constar como instalados (de um ou de outro tipo) os lançadores de mísseis superfície-superfície (EXOCET MM-38, MM-40, e o MANSUP). Entretanto, não adianta “dourar a pílula para inglês ver”, as belonaves dos grandes bucaneiros franceses não vão se expor a uma distância de 70 km para serem batidos. Muito pelo contrário, vão alvejar nossas fragatas, já a partir de 1000 km. De modo que é melhor botar as “barbatanas” de molho, não adianta tampar o sol com a peneira, o pior cego é aquele que não quer ver! É o alto comando naval com a “armada de navios patrulha” e o terrestre com o “exército de guaranis”! Durma-se com um barulho desses!

Encerrando esta mensagem de contornos periclitantes, quero deixar bem claro, em absoluto, não me move nenhuma intenção quanto a desfazer da nossa Marinha de Tamandaré. Mas, sim, com todas as honras e sinais de respeito, na posição de sentido e com a mão na pala, sinalizar: – “Alto comando naval! Atenção! Alerta! Perigo! Não é a quantidade de navios patrulha que vai fazer a diferença! Não será a construção de fragatas inferiorizadas em apoio de fogo que vai dissuadir uma armada extra regional! Somente a capacitação do poder naval, ponta de lança da defesa da Pátria em face das grandes potências militares, pode conduzir à vitória!

Paulo Ricardo da Rocha Paiva

Coronel de Infantaria e Estado-Maior

Revista Sociedade Militar

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