Forças Armadas

“três notas”! – Militares da Marinha envolvidos em desvio de verbas durante a pandemia

… Sim, é exatamente o termo que se usa na Marinha:  ‘ morder uma farpela’ , essas três notas também era de praxe. Se liga pra uma empresa e pede logo as três notas de orçamento… Não sei agora, mas acontecia muito isso.” , disse um militar da reserva ouvido pela Revista Sociedade Militar.

Um dos presos pela Operação Lava Jato (Operação favorito) deflagrada nessa quinta-feira no Rio é Alessandro Duarte – a quem é atribuída uma ligação com Paulo Melo, ex-deputado estadual e ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, que já tinha sido preso pela força-tarefa. Mensagens interceptadas pela justiça apuraram uma conversa com um membro da Marinha do Brasil com quem discutia a simulação de preços de álcool gel.

A Revista Sociedade Militar recebeu da Marinha do Brasil a nota abaixo.

Veja o diálogo ocorrido no dia 28 de fevereiro e publicado pelo Jornal Diário do Rio

Militar: Deixa te falar contigo rapidinho. Você consegue três preços diferentes com três CNPJ?

Alessandro: Consigo! Tem aí o volume que precisa?

Militar: Vou ver o volume… vai ser um volume grande. Todo quartel. Mas vai ser pior, não precisa fazer licitação. Vai ser com urgência, entendeu?

Alessandro: Pega todas as informações que precisa.

Militar: Eu sempre faço. Eu só preciso que você mande para mim três preços diferentes. Eu sou Playmobil! Eu sou várias coisas amigão, eu sou multiuso!

Alessandro: risos

Militar: Eu vou fazer contigo.

Alessandro: Pensa nos dois. Bota na mesa.

Militar: Dá para todo mundo morder uma farpela. Eu vou mandar para você o que eu quero por e-mail ou mando pelo zap e você vai me mandar uma e-mail para mim formalizando com três empresas. Eu vou pegar a empresa mais barata e vou fazer a compra. Tem nada de mais não.

No dia 19 de março, outro diálogo, agora para combinar a entrega:

Alessandro: Fala, amigão!

Militar: fala. Sua empresa consegue entregar hoje?

Alessandro: Eu acho que sim. Vou ligar. Estou perguntando a eles. Que horas que pode entregar?

Militar: Até quatro horas.

Alessandro: Deixa eu ver aqui, que são duas e meia. Fica onde?

Militar: Fica na Ilha do governador. Lá no Bananal.

O juiz Marcelo Bretas determinou que o Ministério Público Federal envie uma cópia do processo para a Justiça Militar, para apurar a conduta do suspeito de práticas ilícitas.

O MP afirma que a conversa “demonstra a prática de manobras ilícitas para a contratação, com dispensa de licitação, de empresa do grupo do investigado [Alessandro] para fornecimento de álcool em gel para a Marinha do Brasil”.

Os promotores ainda dizem que Alessandro “obteve, ao final, a contratação de suas empresas, já que a sequência de conversas indica as tratativas para entrega do material”.

DIÁRIO DO RIO entrou em contato com a Marinha, mas até o fechamento desta matéria, não havia obtido retorno.

Revista Sociedade Militar

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