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No céu do Egito, caças chineses e Rafale se enfrentaram pela primeira vez, onze anos depois de o país receber os três primeiros aviões franceses

No céu do Egito, caças chineses e Rafale se enfrentaram pela primeira vez, onze anos depois de o país receber os três primeiros aviões franceses
Um Rafale DM da Força Aérea do Egito no solo em El Alamein, com a bandeira egípcia na deriva. O país opera 54 aeronaves do modelo. Foto: Colin Cooke Photo, CC BY-SA 2.0.

Os caças chineses são J-16, do Exército de Libertação Popular, e os adversários simulados são os Rafale da Força Aérea do Egito.

O encontro aconteceu no exercício bilateral Águias da Civilização 2026, que começou em 22 de agosto.

O primeiro engajamento entre os dois modelos foi no primeiro dia de operações aéreas, e incluiu combate um contra um.

É a primeira vez que um caça chinês faz combate simulado contra o Rafale, e a primeira vez que o J-16 fica destacado fora da Ásia.

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Pelo menos seis aeronaves chinesas participam do exercício.

O que o Egito colocou no ar

A força aérea egípcia empregou Rafale e também MiG-29M de origem russa nos combates simulados.

É uma das frotas mais heterogêneas do mundo, com material americano, francês, russo e chinês convivendo na mesma estrutura.

Os caças chineses chegaram depois de 6 mil quilômetros de voo, com nove horas no ar e reabastecimento em voo.

O pacote chinês incluiu ainda aeronave de alerta antecipado e transporte estratégico.

Nenhum dos dois governos divulgou qual base egípcia recebeu o destacamento.

Desde quando o Egito tem Rafale

O primeiro contrato foi assinado em 16 de fevereiro de 2015, num pacote de 5,9 bilhões de dólares que incluía 24 caças, uma fragata da classe FREMM e munição.

Três aeronaves chegaram já em julho daquele ano, desviadas do estoque da própria França para estarem prontas na reinauguração do Canal de Suez, em agosto.

Em 2021 veio o segundo contrato, de mais 30 aeronaves no padrão F3R, por 3,75 bilhões de euros.

Com isso o Egito chega a 54 Rafale e vira o segundo maior operador do modelo no mundo, atrás apenas da própria França.

São, portanto, onze anos de operação do modelo pela tripulação egípcia.

Tripulação com uma década de modelo na mão é variável que pesa tanto quanto ficha técnica.

O país também opera mais de 200 F-16 americanos, além de Mirage 2000 e Mirage 5 franceses de gerações anteriores.

O que é o J-16

É o caça pesado de linha de frente chinês, bimotor e biposto, derivado da família Flanker de origem soviética e desenvolvido na China com aviônica própria.

Ele patrulha rotineiramente a costa leste chinesa, o Mar do Sul da China e o Estreito de Taiwan.

Está entre as plataformas equipadas com radar AESA e mísseis PL-15 de longo alcance.

O Rafale é um bimotor francês de porte médio, monoposto ou biposto, projetado para fazer tudo, de superioridade aérea a ataque ao solo e reconhecimento.

São filosofias de projeto diferentes: o chinês é maior e carrega mais combustível e armamento, o francês é menor e aposta em integração de sensores.

Por que isso nunca tinha acontecido

Caça chinês e caça francês de primeira linha simplesmente não se encontram.

A China exercita com Rússia, Paquistão e países que operam material do próprio bloco, e a França exercita dentro da Otan e com clientes do Rafale.

O Egito é um dos poucos lugares onde os dois circuitos se cruzam, porque compra dos dois lados ao mesmo tempo.

Voar contra aeronave de projeto e doutrina diferentes é o que se chama de adversário dissimilar, e é o tipo de treino que nenhuma das duas forças consegue em casa.

Vale para os dois lados, porque o piloto egípcio também passa a conhecer o comportamento de um caça chinês em combate simulado.

O Egito é o primeiro colocado da África no ranking de força militar do Global Firepower em 2026 e o 19º no mundo.

O país vem investindo em estrutura militar própria e inaugurou recentemente o maior quartel-general militar do mundo.

O que foi divulgado sobre o resultado

Aqui é preciso separar o que é fato do que é propaganda.

Veículos ligados à imprensa estatal chinesa afirmaram que os J-16 levaram vantagem sobre os caças franceses.

Nenhuma dessas afirmações veio acompanhada de dado, gravação ou registro de missão.

Nem o Ministério da Defesa do Egito, nem o da França, nem a Dassault Aviation divulgaram resultado de qualquer engajamento.

Sem número oficial dos dois lados, não há placar, e o que existe é a informação de que o encontro ocorreu.

Por que resultado de exercício não vira placar

Combate simulado roda sob regra combinada antes da decolagem.

Define-se quem começa em vantagem de altitude, quais sensores podem ser usados, se o míssil de longo alcance entra ou não e quantas aeronaves há de cada lado.

Muda uma regra e o resultado inverte, o que faz de qualquer vitória isolada um dado sem valor comparativo.

Isso vale em qualquer direção, e o Rafale francês já simulou abate de F-35 e F-15 em exercício da Otan, o que também não define nada.

O que exercício mede é procedimento, coordenação e capacidade de operar longe de casa.

O Brasil na mesma conversa

Esse tipo de comparação já chegou ao mercado brasileiro.

A China ofereceu à Força Aérea Brasileira o caça J-10C com mísseis PL-15, apresentado com discurso de superioridade sobre o Rafale.

O Brasil optou pelo Gripen sueco, e o contrato em curso é de 36 aeronaves.

Nenhum caça chinês está em avaliação pela força brasileira.

O que vem depois

O exercício vai de meados de agosto ao início de setembro.

O foco declarado inclui superioridade aérea, táticas de combate, emprego de força e recuperação de pessoal.

O Egito não cedeu base permanente à China e não há indicação de acordo de estacionamento.

Esta é a segunda edição do exercício entre os dois países, depois da estreia em 2025 com o caça J-10C.

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Jefferson Silva

Jefferson Silva

Atuo na Sociedade Militar trazendo análises e conteúdos relacionados a Geopolítica, Tecnologia militar, Industria de Defesa e Inteligência Artificial.