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Brasil já fabrica fuselagem do Gripen E idêntica à sueca, capaz de equipar qualquer novo caça, e linha nacional da Saab dobra capacidade de estruturas para 16 por ano

Fuselagem do Gripen E produzida em São Bernardo do Campo é idêntica à sueca e pode equipar qualquer novo caça. A fábrica brasileira entrou na cadeia global da Saab e dobrou para 16 por ano a capacidade de produzir fuselagens traseiras.

Marcos
Por Marcos 14/09/2026 às 20:45
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Brasil já fabrica fuselagem do Gripen E idêntica à sueca, capaz de equipar qualquer novo caça, e linha nacional da Saab dobra capacidade de estruturas para 16 por ano
Primeiro Gripen E produzido no Brasil durante apresentação oficial em Gavião Peixoto, em março de 2026. Foto: Saab.

A fuselagem do Gripen E produzida em São Bernardo do Campo não é uma versão simplificada ou exclusiva para os caças brasileiros. A Saab afirma que a estrutura fabricada no Brasil é idêntica à produzida na Suécia e pode ser instalada em qualquer novo Gripen E montado dentro da cadeia global do programa.

Essa capacidade industrial começou a ficar visível em 2022, quando a primeira fuselagem dianteira do Gripen E feita no Brasil deixou a fábrica paulista com destino à Suécia. A peça seguiu para a linha de produção do caça como parte do fluxo internacional de componentes da Saab.

A seção produzida no país é uma das partes mais complexas da aeronave. Ela recebe cockpit, assento ejetável, comandos de voo, canopi, radar AESA, displays e aviônicos. O trabalho brasileiro alcançou uma área central do caça, e não apenas painéis externos ou componentes periféricos.

A fábrica de São Bernardo do Campo avançou ainda mais nos anos seguintes. Em 2025, a Saab abriu uma segunda linha para a fuselagem traseira e dobrou a capacidade anual desse componente de 8 para 16 unidades.

Fuselagem feita em São Bernardo pode entrar em qualquer novo Gripen E

A primeira fuselagem dianteira brasileira começou a ser montada em 2020 e ficou pronta em 2022. Cerca de 15 profissionais estavam diretamente dedicados ao processo, segundo a Saab, com treinamento e métodos alinhados à produção sueca.

A fabricante descreve as estruturas do Brasil e da Suécia como iguais. Isso permite que uma fuselagem produzida em São Bernardo seja enviada para outra etapa de montagem sem exigir uma versão específica para a Força Aérea Brasileira. A mesma peça pode integrar um novo Gripen E dentro da produção global.

Essa intercambialidade coloca a unidade brasileira dentro da cadeia de suprimentos do programa, e não apenas como uma linha destinada a atender o contrato nacional. A primeira estrutura enviada à Suécia mostrou esse modelo de produção funcionando entre os dois países.

Gripen E brasileiro em voo durante programa de testes da Saab
Gripen E brasileiro durante voo de testes do programa conjunto Brasil-Suécia. Foto: Saab.

O resultado também depende de padronização industrial. A Saab informa que a fábrica brasileira utiliza os mesmos ferramentais, softwares, conceitos e tecnologias empregados em Linköping, onde fica a principal estrutura de produção do Gripen na Suécia.

Seção dianteira recebe radar AESA, cockpit e aviônicos do caça

A fuselagem dianteira concentra sistemas que o piloto usa durante toda a missão. O cockpit fica nessa seção, assim como o assento ejetável, o canopi, os comandos de voo, os displays e parte importante dos aviônicos.

O radar AESA também fica instalado nessa região. Esse tipo de radar usa uma matriz de elementos eletrônicos para direcionar o feixe sem depender de um movimento mecânico tradicional da antena. No Gripen E, ele integra o conjunto de sensores usado para detectar e acompanhar alvos.

Produzir essa estrutura exige controle rigoroso de geometria, montagem e integração, porque os equipamentos posteriores precisam encaixar em uma seção fabricada dentro das tolerâncias do projeto. A equivalência entre as peças brasileiras e suecas permite que o processo avance em diferentes fábricas sem criar duas configurações de fuselagem.

A unidade de São Bernardo também fabrica outros componentes do Gripen. Entre eles estão a fuselagem traseira, o cone de cauda e os freios aerodinâmicos. A Saab afirma que a planta brasileira é fornecedora exclusiva dos freios aerodinâmicos e do cone de cauda para o Gripen E/F.

Capacidade de fuselagens traseiras dobrou de 8 para 16 por ano

Em 2025, a fabricante inaugurou uma segunda linha dedicada à fuselagem traseira. Com a expansão, a capacidade anual passou de oito para 16 estruturas, ampliando a participação brasileira no ritmo de produção do caça.

A planta paulista é a primeira fábrica de aeroestruturas do Gripen instalada fora da Suécia. A produção inclui componentes destinados ao programa brasileiro e também à cadeia internacional da Saab, conforme a necessidade das linhas de montagem.

A expansão ocorreu enquanto o Brasil avançava para uma etapa ainda mais visível: produzir caças completos no país. Em 25 de março de 2026, Saab, Embraer e Força Aérea Brasileira apresentaram em Gavião Peixoto o primeiro Gripen E produzido no Brasil.

O caça montado em São Paulo combina peças da cadeia brasileira e internacional, incluindo aeroestruturas produzidas em São Bernardo do Campo. Antes da entrega, cada aeronave passa por testes funcionais e voos de produção.

Gripen E brasileiro em cerimônia de apresentação da Saab
Gripen E brasileiro durante cerimônia oficial da Saab, parte do programa conjunto com a Força Aérea Brasileira. Foto: Saab.

O contrato firmado em 2014 prevê 36 Gripen para o Brasil: 28 unidades monopostas Gripen E e oito bipostos Gripen F. A Saab informou em 2026 que outros 14 caças do contrato atual seguirão o mesmo modelo de produção nacional usado no primeiro exemplar concluído em Gavião Peixoto.

Brasil entrou na cadeia global do Gripen antes de concluir seu primeiro caça completo

A cronologia mostra que a industrialização brasileira não começou com a apresentação do primeiro caça completo em 2026. Quatro anos antes, uma fuselagem dianteira feita em São Bernardo já havia sido enviada para a Suécia e incorporada ao fluxo industrial do Gripen E.

Depois vieram a ampliação da produção de estruturas, a segunda linha da fuselagem traseira e a montagem de aeronaves completas em Gavião Peixoto. As duas plantas cumprem funções diferentes: São Bernardo fabrica aeroestruturas; Gavião Peixoto recebe componentes e executa a produção dos caças previstos para sair da linha brasileira.

A capacidade de produzir peças idênticas às suecas reduz a separação entre uma cadeia brasileira e outra europeia. O modelo adotado pela Saab distribui etapas entre unidades industriais que seguem os mesmos padrões técnicos e podem fornecer componentes para diferentes aeronaves do programa.

Para a indústria de defesa brasileira, o ganho ultrapassa a montagem final de um caça destinado à FAB. O país passou a produzir estruturas que entram no estoque global de produção do Gripen, incluindo uma fuselagem dianteira capaz de equipar qualquer novo Gripen E.

Você já sabia que uma fuselagem de Gripen produzida em São Bernardo pode ser usada em um caça montado fora do Brasil? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe a matéria com quem acompanha a aviação militar brasileira.

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