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Defesa dá 20 dias para Marinha, Exército e FAB definirem helicóptero multimissão conjunto; H145M entra no radar com 10 soldados, 1,6 tonelada de carga e sistema HForce

Marinha, Exército e FAB terão 20 dias para definir como será empregado o futuro helicóptero multimissão conjunto. H145M surge entre as possibilidades com 10 soldados, 1.600 kg de carga externa e sistema HForce.

Thaís Souza
Por Thaís Souza 18/09/2026 às 12:22
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Defesa dá 20 dias para Marinha, Exército e FAB definirem helicóptero multimissão conjunto; H145M entra no radar com 10 soldados, 1,6 tonelada de carga e sistema HForce
H145M militar em voo. O modelo aparece em cobertura especializada como uma das possibilidades para o futuro Helicóptero Multimissão conjunto, ainda sem escolha oficial do Ministério da Defesa.

O Ministério da Defesa colocou Marinha, Exército e Força Aérea Brasileira diante de um prazo de apenas 20 dias para fechar uma das etapas mais importantes de um projeto que pode mudar a forma como as três Forças operam helicópteros no futuro.

Uma portaria publicada em agosto criou um Grupo de Trabalho conjunto encarregado de elaborar o Conceito de Operações, o chamado CONOPS, do futuro helicóptero multimissão. É esse documento que deverá transformar necessidades diferentes da Marinha, do Exército e da FAB em uma visão comum de emprego.

A discussão chama ainda mais atenção por envolver uma possível plataforma capaz de cumprir funções bastante diferentes. Entre os modelos citados no debate especializado aparece o Airbus H145M, helicóptero militar que pode levar até 10 soldados equipados, transportar carga externa de até 1.600 kg e receber o sistema de armas HForce.

A escolha da aeronave, porém, ainda não foi anunciada. O que já está oficialmente em andamento é a definição do que as três Forças realmente precisam que esse futuro helicóptero seja capaz de fazer.

Marinha, Exército e FAB terão 20 dias para fechar o conceito do helicóptero multimissão

A Portaria EMCFA-MD nº 4.249, de 17 de agosto de 2026, criou formalmente o grupo que vai elaborar a proposta de emprego conjunto da aeronave.

Participam representantes da Chefia de Operações Conjuntas do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, Marinha, Exército e Aeronáutica.

Depois que os integrantes forem oficialmente designados, começa a correr um prazo de 20 dias para a conclusão dos trabalhos.

É pouco tempo para uma missão complexa.

O grupo terá de colocar na mesma mesa necessidades operacionais de Forças que usam helicópteros em ambientes bastante diferentes.

A Marinha precisa considerar operações embarcadas e missões sobre o mar. O Exército trabalha com transporte, mobilidade, apoio às tropas e operações terrestres. A FAB também emprega asas rotativas em transporte, apoio operacional e diferentes missões militares.

O desafio é transformar tudo isso em um conceito comum suficientemente amplo para justificar uma aquisição conjunta, sem ignorar as particularidades de cada Força.

Helicóptero militar Airbus H145M em voo
H145M militar em voo. O modelo aparece em cobertura especializada como uma das possibilidades para o futuro Helicóptero Multimissão conjunto, ainda sem escolha oficial do Ministério da Defesa.

Antes de escolher o helicóptero, militares terão de definir exatamente o que ele precisará fazer

O CONOPS vem antes da escolha final da plataforma por uma razão: primeiro é necessário definir como o helicóptero será empregado.

É nessa fase que entram perguntas capazes de determinar completamente o desenho de uma futura concorrência.

Quantos militares precisam ser transportados? Qual alcance será necessário? A aeronave deverá levar carga externa? Poderá operar armada? Quais sensores serão necessários? Haverá versões diferentes para cada Força? Que tipo de comunicação deverá existir a bordo?

Essas respostas podem alterar peso, equipamentos, custo, manutenção e até quais helicópteros conseguem atender ao projeto.

A portaria também coloca o grupo dentro do processo de obtenção conjunta do Helicóptero Multimissão, aproximando a definição operacional das decisões logísticas que virão depois.

A proposta final deverá passar pelo Chefe de Operações Conjuntas e, posteriormente, seguir para a estrutura de Logística e Mobilização do Estado-Maior Conjunto.

Helicóptero militar Airbus H145M em voo
H145M militar em voo. O modelo aparece em cobertura especializada como uma das possibilidades para o futuro Helicóptero Multimissão conjunto, ainda sem escolha oficial do Ministério da Defesa.

H145M entra no radar com capacidade para 10 soldados e carga externa de 1.600 kg

Entre as aeronaves que passaram a aparecer na discussão especializada está o Airbus H145, cuja versão militar é conhecida como H145M.

O modelo pertence à categoria dos helicópteros leves bimotores e foi desenvolvido para aceitar diferentes configurações de missão.

Um dos números que mais chama atenção é a capacidade de transportar até 10 soldados equipados.

Para operações logísticas, outro dado importante é o gancho ventral, que permite içar aproximadamente 1.600 kg de carga externa.

Isso abre espaço para movimentar equipamentos e suprimentos sem ocupar toda a cabine da aeronave.

O helicóptero também aparece com alcance de aproximadamente 638 quilômetros, velocidade máxima próxima dos 240 km/h e peso máximo de decolagem na faixa de 3.800 kg.

Essas características ajudam a explicar por que uma plataforma dessa categoria aparece no debate sobre uma aeronave multimissão.

Não se trata apenas de levar passageiros de um ponto a outro. A ideia de uma plataforma comum exige flexibilidade para mudar rapidamente de função conforme a operação.

HForce pode transformar o helicóptero de transporte em plataforma armada

É na versão militar que o H145M ganha um recurso especialmente relevante para as Forças Armadas: o HForce.

O sistema desenvolvido pela Airbus permite integrar diferentes sensores e armamentos à aeronave.

Dependendo da configuração escolhida, o helicóptero pode atuar em apoio de fogo, escolta, ataque leve e missões de inteligência, além das funções tradicionais de transporte de tropas, pessoal e materiais.

Essa modularidade é particularmente importante em uma compra conjunta.

Uma mesma plataforma básica pode receber equipamentos diferentes conforme a missão de cada Força, sem obrigar Marinha, Exército e FAB a operar exatamente a mesma configuração.

Na prática operacional, isso significa que uma versão destinada a determinada missão pode priorizar sensores e comunicações, enquanto outra pode receber equipamentos voltados ao transporte ou emprego armado.

O ganho buscado com uma plataforma comum está justamente na possibilidade de compartilhar parte da estrutura, treinamento, manutenção e cadeia logística sem eliminar as necessidades específicas de cada usuário.

Helicóptero comum não significa três aeronaves exatamente iguais

Esse é um dos pontos centrais do projeto.

Se o Ministério da Defesa avançar realmente para uma aquisição conjunta, isso não significa necessariamente colocar Marinha, Exército e FAB dentro de helicópteros idênticos em todos os detalhes.

A plataforma pode ser a mesma enquanto equipamentos de missão, sensores, rádios, sistemas de comunicação e armamentos variam.

É justamente o CONOPS que deverá estabelecer até onde essa padronização pode chegar.

Quanto maior a parcela comum entre as três Forças, maior tende a ser a possibilidade de compartilhar treinamento, peças, manutenção, ferramental e suporte logístico.

Por outro lado, exigências muito diferentes podem obrigar a criação de versões específicas.

Os próximos 20 dias de trabalho serão importantes porque deverão começar a separar aquilo que é realmente comum às três Forças daquilo que precisa continuar específico para cada uma.

Fabricante e modelo continuam em aberto enquanto militares fecham os requisitos

Apesar da presença do H145M no debate, nenhum fabricante foi declarado vencedor e nenhum modelo foi oficialmente escolhido no ato que criou o Grupo de Trabalho.

A portaria também não estabelece quantidade de aeronaves, preço, cronograma de entrega ou configuração final.

Esses dados dependerão das próximas etapas.

O que existe agora é algo anterior — e decisivo: Marinha, Exército e FAB estão sendo obrigadas a definir conjuntamente o que esperam da futura aeronave.

Só depois dessa definição será possível comparar plataformas de maneira mais objetiva.

É nesse momento que números como alcance, capacidade de carga, quantidade de militares transportados, armamentos, sensores e custos de operação deixam de ser características isoladas e passam a determinar se um helicóptero realmente atende às necessidades brasileiras.

Documento dos próximos 20 dias poderá moldar uma futura compra das três Forças

O próximo marco será a conclusão do CONOPS.

A partir dele, o Ministério da Defesa terá uma referência conjunta para avançar na definição dos requisitos e nas próximas decisões do processo de obtenção.

O prazo curto transforma essa etapa em um ponto importante do projeto: em apenas 20 dias, representantes da Marinha, do Exército e da FAB terão de colocar no papel as capacidades que querem dividir em uma futura frota multimissão.

O H145M aparece hoje como uma das possibilidades visíveis, carregando números capazes de chamar atenção — 10 soldados equipados, 1.600 kg de carga externa, cerca de 638 km de alcance e opção de receber o sistema HForce.

Mas a disputa real começa pelos requisitos.

Quando o CONOPS estiver pronto, ficará muito mais claro que tipo de helicóptero o Brasil procura e quais plataformas realmente conseguem atender às três Forças.

Uma única família de helicópteros para Marinha, Exército e FAB faz sentido para o Brasil ou cada Força deveria manter uma plataforma própria? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe a matéria.

2 Comentários
Roberto Sanchez
Roberto Sanchez
19/09/2026 08:52

Provavelmemte não vão comprar nada, é política pré-eleição…
Mas a ideia comprar helicópteros da Airbus é ótima porque eles podem ser produzidos, realizada manutenção e formecidas peças para manutenção em Itajubá, na Helibrás, subsidiária da Airbus. Quem não lembra da ideia fraca de comprar helicótero russo que teve que ser desativado por falta de peças?

Emerson
Emerson
18/09/2026 22:37

No fim não irá comprar nada é só papo furado em véspera de eleições para dizer que se preocupa com as forças armadas