Três programas concentram sozinhos quase seis de cada dez reais reservados aos projetos de FAB, Marinha e Exército dentro do programa Defesa Nacional no PLOA 2027. O Gripen lidera na Aeronáutica com R$ 2,89 bilhões, o Programa Nuclear recebe R$ 1,43 bilhão na Marinha e a renovação dos blindados fica com R$ 1,02 bilhão no Exército. Juntos, chegam a R$ 5,34 bilhões.
O peso desses três programas aparece com ainda mais clareza quando os orçamentos das Forças são colocados lado a lado.
FAB, Marinha e Exército somam aproximadamente R$ 9,13 bilhões classificados como projetos dentro do programa Defesa Nacional. Desse montante, cerca de 58,5% está concentrado apenas nos três líderes de investimento.
A distribuição, porém, não acontece da mesma maneira.
Na Aeronáutica, três de cada quatro reais destinados aos projetos estão concentrados no Gripen. Na Marinha, o nuclear absorve pouco mais de 62%. Já o Exército espalha mais seus recursos, embora o Programa Forças Blindadas permaneça no topo, com aproximadamente 34%.
Os números constam do Volume II do Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2027, encaminhado pelo governo ao Congresso Nacional.
Gripen fica com 75% dos projetos da FAB
É na Força Aérea que a concentração fica mais evidente.
Segundo levantamento do Poder Aéreo a partir do PLOA, o Comando da Aeronáutica aparece com R$ 4,259 bilhões no programa Defesa Nacional. Desse valor, R$ 3,845 bilhões correspondem diretamente a projetos.
Sozinho, o programa FX-2 fica com R$ 2,891 bilhões, aproximadamente 75,2% de todo o dinheiro reservado aos projetos da FAB nessa classificação.
A verba está ligada à continuidade da implantação dos caças F-39 Gripen e inclui não apenas aeronaves, mas sistemas associados, armamentos, simuladores, logística, serviços de suporte e atividades relacionadas à transferência de tecnologia.
O planejamento apresentado pelo governo prevê mais quatro Gripen entregues em 2027. O programa brasileiro envolve 36 aeronaves, sendo 28 F-39E monopostos e oito F-39F bipostos.
A distância para os demais projetos é grande. O KC-390 Millennium aparece com R$ 571,8 milhões, enquanto o desenvolvimento e a modernização do Sistema de Defesa Aeroespacial Brasileiro, que inclui trabalhos relacionados ao A-29 Super Tucano, recebe R$ 337,5 milhões.
Há ainda verbas menores para drones, transporte aéreo leve, defesa antiaérea e projetos de mísseis de longo alcance.
Mesmo com diversas frentes abertas, a entrada do Gripen continua sendo o principal compromisso financeiro entre os projetos da FAB previstos para 2027.
Nuclear absorve mais de 62% na Marinha
Na Marinha, o maior volume não está diretamente em uma nova fragata ou mesmo no casco do futuro submarino nuclear.
De acordo com o Poder Naval, o Comando da Marinha possui R$ 2,289 bilhões classificados como projetos dentro do programa Defesa Nacional. Desse total, R$ 1,429 bilhão está destinado ao desenvolvimento de sistemas de tecnologia nuclear.
Isso representa aproximadamente 62,4% dos recursos para projetos da Força.
A verba será aplicada no Programa Nuclear da Marinha, incluindo o Laboratório de Geração de Energia Nucleoelétrica, o Labgene, a infraestrutura do ciclo do combustível e a Planta Nuclear Embarcada.
O Labgene tem papel central nessa etapa porque funciona como um protótipo em terra do sistema de geração de energia que futuramente será usado no submarino nuclear brasileiro. Reator, sistema de vapor, turbinas, geradores e equipamentos auxiliares poderão ser testados de maneira integrada antes da instalação no navio.
Por isso, os R$ 1,43 bilhão não devem ser confundidos com o valor destinado diretamente à construção do casco do submarino.
Essa etapa aparece dentro do PROSUB, que terá R$ 852,5 milhões distribuídos em diferentes ações. Para a construção do Submarino Nuclear Convencionalmente Armado estão previstos especificamente R$ 388,7 milhões, com avanço da Seção C Preliminar e início da fabricação do casco resistente em 2027.
Há ainda R$ 900 milhões para as Fragatas Classe Tamandaré, outro dos grandes programas navais previstos para o próximo ano.
Mesmo com esses projetos avançando simultaneamente, a tecnologia nuclear permanece como a maior parcela individual entre os projetos da Marinha.
Blindados lideram Exército, mas dinheiro fica mais dividido
No Exército, a fotografia é diferente.
Segundo o Forças Terrestres, o Comando do Exército tem R$ 2,998 bilhões classificados como projetos, e a maior dotação individual será destinada ao Programa Forças Blindadas, com R$ 1,02 bilhão.
Isso representa cerca de 34%, uma concentração consideravelmente menor que os 75% observados na FAB e os 62% da Marinha.
A razão aparece no restante do orçamento.
O Exército mantém simultaneamente grandes programas de artilharia, aviação, drones, monitoramento de fronteiras, defesa cibernética e modernização operacional.
O ASTROS-FOGOS, por exemplo, receberá R$ 671,4 milhões. Para Aviação do Exército e sistemas não tripulados estão previstos R$ 520 milhões, enquanto o SISFRON aparece com R$ 467 milhões.
Ainda assim, os blindados ficam na primeira posição.
A previsão apresentada no PLOA é de 116 viaturas entregues ao Exército durante 2027. O Programa Forças Blindadas abrange diferentes famílias de veículos, entre elas o Guarani 6×6, plataformas sobre lagartas modernizadas e o Centauro II 8×8.
O documento, porém, não distribui as 116 unidades por modelo. Isso impede afirmar, por exemplo, que todas serão Centauro II ou Guarani. A composição dependerá do avanço dos contratos, cronogramas industriais e decisões de execução do próprio Exército.
A renovação também ocorre enquanto a Força Terrestre ainda mantém em serviço veículos que acumulam décadas de operação, o que ajuda a explicar o espaço ocupado pelos blindados entre os maiores investimentos planejados para o próximo ano.
Há ainda uma etapa decisiva pela frente. Esses valores pertencem ao PLOA 2027, portanto ainda passarão pela análise do Congresso Nacional e podem sofrer alterações até a aprovação definitiva do orçamento. Mesmo depois disso, a execução dependerá da liberação dos recursos durante o próximo ano.
O próximo movimento estará justamente no Congresso, onde essas dotações poderão ser mantidas, ampliadas ou reduzidas antes de entrarem definitivamente no orçamento de 2027.