O salário mínimo brasileiro pode chegar a R$ 1.741 em 2027, segundo a projeção usada pelo governo federal no novo Orçamento. Para os militares das Forças Armadas, porém, a tabela de soldos atualmente em vigor termina no reajuste aplicado em janeiro de 2026. Na base da carreira, o soldo do recruta está hoje em R$ 1.177, sem uma nova parcela automática já estabelecida para o próximo ano.
O salário mínimo nacional está atualmente em R$ 1.621, valor fixado para 2026 pelo governo federal. No Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2027, o Executivo trabalha com uma estimativa de R$ 1.741 para o próximo ano, considerando a inflação prevista pelo INPC e o ganho real estabelecido pela política de valorização do mínimo.
Caso a projeção se confirme, serão R$ 120 a mais em relação ao piso atual, uma alta de aproximadamente 7,4%.
Com os militares, a lógica é outra. O soldo não possui correção automática vinculada ao salário mínimo e depende de mudanças específicas na tabela prevista em lei.
É justamente aí que surge a dúvida sobre 2027.
Tabela atual termina no reajuste de janeiro de 2026
A tabela em vigor foi consolidada pela Lei nº 15.167, de julho de 2025, que alterou os soldos dos militares das Forças Armadas.
O reajuste foi dividido em duas etapas de 4,5%, a primeira em abril de 2025 e a segunda em janeiro de 2026. A Agência Senado registrou que a medida alcançou militares da ativa, inativos e pensionistas.
Na prática, a própria tabela mostra três momentos: os valores anteriores a abril de 2025, os aplicados a partir daquele mês e, por último, os que passaram a valer em 1º de janeiro de 2026.
Não existe, na legislação atualmente vigente, uma nova coluna com valores para 2027.
Na base da tabela aparecem marinheiro-recruta, recruta, soldado-recruta e graduações equivalentes, com soldo de R$ 1.177. Antes dos reajustes, esse valor era de R$ 1.078. Em abril de 2025 passou para R$ 1.127 e, em janeiro deste ano, chegou ao patamar atual.
Entre as demais graduações, o soldo atualmente previsto é de R$ 4.177 para terceiro-sargento, R$ 5.988 para primeiro-sargento e R$ 6.737 para suboficiais e subtenentes. No topo da tabela, almirante de esquadra, general de Exército e tenente-brigadeiro recebem soldo de R$ 14.711.
Esses números, porém, precisam ser lidos corretamente.
Soldo é a parcela básica da remuneração militar e não necessariamente o valor total que aparece no contracheque. Dependendo da situação individual, podem existir adicionais, gratificações e outras parcelas previstas na legislação.
Por isso, dizer que o soldo de um terceiro-sargento é R$ 4.177 não significa afirmar que todos os terceiros-sargentos recebem exatamente R$ 4.177 por mês.
Diferença pode chegar a R$ 564
Se o salário mínimo chegar aos R$ 1.741 projetados para 2027 e o soldo do recruta permanecer nos atuais R$ 1.177, a diferença entre os dois valores será de R$ 564.
Hoje, com o mínimo em R$ 1.621, essa distância é de R$ 444.
Isso não significa, porém, que um recruta receba necessariamente apenas R$ 1.177 por mês. O soldo é a parcela básica da remuneração militar, à qual podem se somar outros componentes previstos em lei, conforme a situação de cada integrante das Forças Armadas.
Também não há ilegalidade automática pelo fato de esse soldo-base ficar abaixo do salário mínimo.
No caso das praças que prestam o serviço militar inicial, o Supremo Tribunal Federal consolidou na Súmula Vinculante nº 6 o entendimento de que o estabelecimento de remuneração inferior ao mínimo não viola a Constituição. A decisão decorre das particularidades jurídicas do serviço militar inicial.
O contraste com o salário mínimo ganha importância por outra razão. Enquanto o piso nacional possui uma política própria de valorização e deverá ser novamente atualizado em 2027, uma mudança nos soldos militares depende de uma nova decisão remuneratória e da correspondente alteração legal.
Foi exatamente isso que ocorreu no último reajuste: a tabela precisou ser modificada por medida provisória, posteriormente convertida em lei, para que as duas parcelas de 4,5% entrassem em vigor.
Orçamento tem R$ 9,1 bilhões para recomposição, mas novo soldo não está definido
Apesar de a tabela atual terminar em janeiro de 2026, o próprio Orçamento de 2027 mantém aberta a discussão sobre remuneração.
O PLOA reserva R$ 9,1 bilhões para recomposição salarial de servidores civis e militares no próximo ano, conforme informações divulgadas pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos após o envio da proposta ao Congresso.
Esse valor, no entanto, não significa que os integrantes das Forças Armadas já tenham um novo reajuste de soldo garantido.
A reserva abrange servidores civis e militares e funciona como previsão orçamentária para medidas remuneratórias. Ainda seriam necessárias definições sobre quem será alcançado, percentuais, datas e a legislação correspondente.
Enquanto essa definição não aparece, a discussão também avança por outro caminho no Senado.
A Sugestão Legislativa nº 29 de 2026 propõe justamente a valorização do soldo das Forças Armadas e a criação de um mecanismo de reajuste anual pela inflação. A ideia nasceu no portal e-Cidadania, ultrapassou 20 mil apoios e foi transformada em sugestão legislativa.
A proposta está atualmente na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa e tem como relator o senador Styvenson Valentim.
Por enquanto, contudo, a SUG 29/2026 continua sendo uma proposta em tramitação. Ela ainda não alterou a tabela de soldos nem criou reajuste automático para 2027.
A definição mais concreta deverá surgir durante a discussão do Orçamento e das medidas remuneratórias para o próximo ano. Até lá, a última parcela efetivamente prevista em lei continua sendo aquela que entrou em vigor em janeiro de 2026.
Só nos resta é continuar fazendo bicos de Motorista por aplicativos, entregador da Shopee, garçom, vigia, segurança, vendedor de produtos eróticos e etc.