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Marinha do Brasil negociou pacote estimado em US$ 70 milhões com os EUA para comprar 22 kits que transformam torpedos antigos Mk 46 em armas Mk 54 capazes de caçar submarinos modernos

A Marinha do Brasil buscou modernizar 22 torpedos Mk 46 para o padrão Mk 54, com uso previsto em helicópteros Seahawk e navios de superfície; contrato posterior confirmou participação brasileira no programa.

Marcos
Por Marcos 01/10/2026 às 19:57
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Marinha do Brasil negociou pacote estimado em US$ 70 milhões com os EUA para comprar 22 kits que transformam torpedos antigos Mk 46 em armas Mk 54 capazes de caçar submarinos modernos
A Marinha do Brasil buscou modernizar 22 torpedos Mk 46 para o padrão Mk 54, com uso previsto em helicópteros Seahawk e navios de superfície; contrato posterior confirmou participação brasileira no programa.

A Marinha do Brasil abriu caminho para uma mudança importante em sua capacidade de guerra antissubmarino ao solicitar aos Estados Unidos 22 kits de conversão Mk 54, destinados a transformar torpedos Mk 46 Mod 5A(S) já existentes em armas do padrão Mk 54 Mod 0. O pacote autorizado por Washington foi estimado em US$ 70 milhões e incluiu muito mais do que os kits de modernização.

A proposta, aprovada pelo Departamento de Estado norte-americano e formalmente notificada ao Congresso dos Estados Unidos em dezembro de 2020, previa treinamento, peças, equipamentos de teste, contêineres, baterias térmicas, propelente, suporte técnico e até acessórios para lançamento aéreo por helicópteros. A ideia era aproveitar parte do arsenal já disponível e elevar sua capacidade de detectar, acompanhar e atacar submarinos.

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O pedido brasileiro também indicava onde os torpedos seriam empregados: nos helicópteros Sikorsky S-70B Seahawk da Marinha e em navios de superfície. Isso colocava a modernização diretamente no coração da guerra antissubmarino brasileira, área em que aeronaves embarcadas e escoltas de superfície precisam atuar de forma coordenada para localizar ameaças abaixo da linha d’água.

Brasil pediu 22 kits para transformar Mk 46 em Mk 54

Marinheiros da U.S. Navy içam um torpedo Mk 54 no convés do destróier USS Spruance.
Marinheiros da U.S. Navy içam um torpedo Mk 54 no convés do destróier USS Spruance. Crédito: U.S. Navy / Mass Communication Specialist 3rd Class Jordan Steis.

O documento norte-americano detalha que os 22 kits serviriam para converter torpedos Mk 46 Mod 5A(S) ao padrão Mk 54 Mod 0. A mudança vai além de uma simples revisão de equipamento. O Mk 54 incorpora sistemas de sonar, orientação e controle mais modernos, ao mesmo tempo em que reaproveita componentes de programas anteriores.

A própria Marinha dos Estados Unidos descreve o Mk 54 como um torpedo leve antissubmarino lançado por navios e aeronaves. A versão Mod 0 combina hardware oriundo dos programas Mk 46 e Mk 50 com processamento digital mais avançado, além de melhorias de software voltadas para cenários considerados mais difíceis.

O armamento mede cerca de 2,7 metros de comprimento, tem diâmetro de aproximadamente 324 milímetros e pesa cerca de 275 quilos. Sua função principal é perseguir e atingir submarinos, especialmente em ambientes onde sensores e sistemas de orientação precisam trabalhar com rapidez para distinguir alvos em meio a ruído, profundidade e condições variáveis do mar.

Pacote de US$ 70 milhões incluía treinamento, peças e torpedos de exercício

Os US$ 70 milhões divulgados pelos Estados Unidos representavam o valor máximo estimado para a possível venda naquele estágio. Desse total, o Congresso norte-americano foi informado de que cerca de US$ 40 milhões correspondiam a equipamento militar principal e outros US$ 30 milhões a itens e serviços associados.

Além dos kits de conversão, a relação incluía torpedos recuperáveis de exercício, conhecidos como REXTORP, tanques de combustível, seções de exercício de frota, acessórios para lançamento por aeronaves de asa rotativa, peças sobressalentes, baterias térmicas, publicações técnicas e equipamentos de apoio e teste.

Também estavam previstos serviços de engenharia, suporte técnico e apoio logístico por parte do governo dos Estados Unidos e de contratados. A empresa indicada como principal contratada era a Raytheon Integrated Defense Systems, então sediada em Portsmouth, no estado de Rhode Island.

Helicóptero MH-60R Sea Hawk da U.S. Navy lança um torpedo leve durante exercício de guerra antissubmarino no mar. Crédito: U.S. Navy / divulgação.
Helicóptero MH-60R Sea Hawk da U.S. Navy lança um torpedo leve durante exercício de guerra antissubmarino no mar. Crédito: U.S. Navy / divulgação.

Contrato posterior incluiu Brasil no programa Mk 54

O caminho avançou além da autorização inicial. Em novembro de 2021, a Raytheon recebeu uma modificação contratual de US$ 27,6 milhões para produzir kits Mk 54 Mod 0 e Mod 1 e componentes sobressalentes. A operação combinava compras da Marinha dos Estados Unidos com vendas militares estrangeiras para Espanha e Brasil.

Os recursos FMS atribuídos conjuntamente a Espanha e Brasil somavam pouco mais de US$ 9 milhões nessa modificação. O registro contratual não separa quanto desse valor correspondia exclusivamente ao Brasil, mas confirma a presença brasileira no programa de aquisição depois da autorização anunciada em 2020.

Seahawk e navios de superfície entravam no plano da Marinha

O uso previsto nos S-70B Seahawk mostra como a compra estava conectada à aviação naval. Esses helicópteros foram incorporados justamente para ampliar a capacidade de busca, detecção e ataque contra submarinos, operando sensores próprios e podendo levar armamento antissubmarino até áreas distantes do navio que os apoia.

Nos navios de superfície, o Mk 54 também pode integrar sistemas de lançamento dedicados à guerra antissubmarino. A vantagem operacional está na combinação entre sensores do navio, helicópteros embarcados e torpedos leves capazes de atacar o contato detectado em diferentes posições do campo marítimo.

Para a Marinha do Brasil, esse tipo de capacidade tem ligação direta com a proteção de áreas marítimas extensas, rotas de navegação, instalações estratégicas e forças navais. A presença de submarinos modernos em várias marinhas amplia a importância de sensores, aeronaves e armas capazes de reagir a contatos submersos.

Mk 54 reaproveita componentes antigos e recebe sistemas mais modernos

Helicóptero MH-60R Sea Hawk da U.S. Navy voa com um torpedo Mk 54 instalado sob a fuselagem.
MH-60R Sea Hawk da U.S. Navy durante treinamento com torpedo Mk 54. Crédito: U.S. Navy / Mass Communication Specialist 2nd Class Erica Bechard.

O modelo de conversão escolhido pelos Estados Unidos foi desenhado justamente para aproveitar parte do que já existe. Documentação oficial norte-americana registra que, na configuração Mk 54, componentes como ogiva, tanque de combustível e sistema de propulsão do Mk 46 podem ser reutilizados com modificações limitadas, enquanto os sistemas de sonar, orientação e controle recebem tecnologia mais recente.

Esse caminho permite modernizar uma arma sem substituir todos os seus componentes. A atualização concentra esforço nas áreas que mais influenciam a capacidade de encontrar e acompanhar um submarino, principalmente processamento, sensores e lógica de controle durante a corrida final até o alvo.

O Mk 54 Mod 0 entrou em capacidade operacional inicial na Marinha dos Estados Unidos em 2004. Desde então, a família continuou recebendo melhorias, incluindo novas versões com avanços em sonar e eletrônica. O modelo tornou-se uma das principais armas leves antissubmarino utilizadas pela força naval norte-americana e também passou a ser oferecido a países aliados por meio do programa Foreign Military Sales.

Autorização dos EUA abriu a porta, mas o valor final podia mudar

A notificação enviada ao Congresso em 2020 autorizava uma possível venda militar estrangeira. O valor de US$ 70 milhões representava a estimativa máxima baseada nos requisitos iniciais e poderia ser reduzido conforme quantidade efetivamente contratada, disponibilidade orçamentária e acordos assinados.

O pedido de 22 kits, somado à participação brasileira em uma modificação contratual do programa no ano seguinte, mostra uma sequência concreta de interesse e aquisição ligada ao Mk 54. A modernização coloca sensores e sistemas de controle mais recentes dentro de uma arma construída a partir de componentes já existentes.

Para uma Marinha que precisa patrulhar uma extensa faixa do Atlântico Sul e proteger forças de superfície contra ameaças submarinas, a combinação de helicópteros, sensores e torpedos modernos continua sendo uma peça central da defesa naval. Se você acompanha os programas de modernização da Marinha do Brasil, deixe sua opinião nos comentários e compartilhe esta matéria.

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