Blindados do Exército colombiano e tropas de operações especiais urbanas assumiram posições na fronteira com a Venezuela na noite de quinta-feira, 29 de outubro. A chegada ocorreu por volta das 19h nas proximidades da ponte internacional Atanasio Girardot, em Cúcuta, poucas horas depois da ordem presidencial para militarizar a cidade.
Veículos militares ocuparam a estrada de acesso à ponte, enquanto soldados se distribuíam pelos dois lados da via. O movimento, registrado pela Caracol Radio e pela NTN24, marcou a chegada efetiva das tropas a um dos principais pontos de ligação entre os dois países.
500 militares e 200 policiais integram reforço em seis municípios
O dispositivo de segurança anunciado para a região reúne 700 integrantes da força pública. Segundo a Caracol Radio, são 500 militares de unidades urbanas, polícia militar e grupo Gaula, além de 200 policiais de diferentes especialidades.
O planejamento abrange seis municípios da área metropolitana de Cúcuta. A atuação envolve patrulhamento, controles viários e vigilância de locais considerados sensíveis pelas autoridades colombianas.

O comandante do Exército colombiano, general José Bertulfo Soto, confirmou o emprego de veículos blindados em setores críticos, o acompanhamento de soldados de forças especiais urbanas e o apoio da Força Aérea nas tarefas de vigilância.
Ponte internacional recebe blindados e cidade identifica 21 pontos críticos
O primeiro reforço visto na fronteira se concentrou na ponte Atanasio Girardot. Já dentro da cidade, as ações alcançaram áreas como o terminal de transportes e a central de abastecimento, com revistas e fiscalização de veículos.
À Noticias RCN, a secretária de Segurança de Cúcuta, Tatiana Cáceres, informou que foram identificados cerca de 21 pontos críticos, que receberão presença do Exército, da Polícia ou das duas forças em horários definidos.

A presença de blindados nas ruas acompanha medidas de controle e operações contra estruturas criminosas. As autoridades locais também anunciaram a previsão de reforços adicionais para os próximos dias.
Assassinato e explosão antecederam a ordem de militarização
A decisão do governo veio após uma sequência de episódios violentos. Entre eles estão o assassinato do ex-secretário de Governo e pré-candidato à prefeitura Miguel Castellanos e uma explosão perto da sede da autoridade aduaneira colombiana, nas imediações da ponte Francisco de Paula Santander.
O ataque com explosivo deixou seis feridos, entre eles dois policiais, segundo a agência EFE. A região de Norte de Santander, vizinha à Venezuela e próxima ao Catatumbo, enfrenta a presença de organizações armadas e disputas por rotas usadas para atividades ilegais.
O presidente Abelardo de la Espriella justificou o reforço pela necessidade de proteger a população e impedir que integrantes desses grupos atravessem a fronteira para escapar da ação policial colombiana.
Nova ofensiva Esparta e BOSUR está marcada para 3 de novembro
Em declaração oficial de 29 de outubro, o governo anunciou que a militarização será temporária. O cronograma prevê o início, em 3 de novembro, da campanha militar e policial Esparta e do Bloco Operacional de Segurança Urbana, conhecido como BOSUR.
As operações foram anunciadas para intensificar a perseguição aos responsáveis pelos ataques, atingir o financiamento das organizações criminosas e ampliar o controle de áreas urbanas. O presidente também informou que pretende acompanhar pessoalmente as ações em Cúcuta na próxima semana.
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Moradores apoiam reforço, mas cobram resultados e temem efeitos no comércio
O deslocamento foi recebido com apoio de parte dos moradores consultados pela imprensa local. No entanto, comerciantes e pessoas que cruzam a fronteira demonstraram preocupação com possíveis dificuldades de circulação e reflexos econômicos.
O prefeito de Los Patios, município vizinho, defendeu que a operação produza prisões e desarticulação das redes criminosas, além da presença de uniformados nas ruas. A chegada das tropas abriu a primeira etapa do plano; a fase seguinte está programada para 3 de novembro.