O Exército Brasileiro mudou a forma como vai construir e modernizar quartéis, pelotões de fronteira e bases logísticas nos próximos 15 anos. A Portaria do Estado Maior do Exército nº 1.819, de 25 de setembro de 2026, do Estado-Maior do Exército (EME), assinada pelo General de Exército Francisco Humberto Montenegro Júnior, aprova a Diretriz de Implantação do Programa Estratégico do Exército Sentinela (Prg EE SENTINELA). O documento coloca sob uma única gestão dois antigos e importantes programas, o Amazônia Protegida e Sentinela da Pátria.
Com a fusão, os dois deixam de existir como programas autônomos e passam a funcionar como subprogramas do novo Sentinela. O programa tem execução prevista até 2041, e o chefe do EME tem autoridade para prorrogar esse prazo.
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17 mil quilômetros de fronteira e 7,5 mil de litoral
A diretriz começa pelo tamanho gigantesco do território a ser protegido. O texto lembra que o Brasil tem cerca de 8,5 milhões de km² e faz fronteira com nove países sul-americanos e com um território ultramarino da França. O país soma aproximadamente 17 mil quilômetros de fronteira terrestre e 7,5 mil quilômetros de litoral.
O documento se apoia na Política Nacional de Defesa (PND), aprovada pelo Decreto nº 12.725, de 18 de novembro de 2025. Segundo a PND, as organizações militares espalhadas pelo território projetam a presença do Estado nas regiões distantes dos grandes centros, com destaque para a Amazônia. A política descreve pontos críticos, como a necesária modernização e atribui aos programas estratégicos papel central na obtenção das capacidades de que a Força precisa para cumprir sua missão constitucional.

O outro pilar é o Conceito Operacional do Exército Brasileiro (COEB). Segundo a diretriz, o COEB aponta as limitações de meios e de infraestrutura de transporte que ligam a Amazônia ao restante do país. Por isso, conclui que a região e seu entorno precisam, desde já, receber capacidades que permitam uma resposta inicial e imediata adequada a eventuais ameaças.
Pelotões de fronteira, brigadas novas e quartéis mecanizados
O Sentinela é um programa de infraestrutura. Seu objetivo geral é executar obras que gerem ou aprimorem as Capacidades Militares Terrestres dos Comandos Militares de Área em todo o país, em particular na Amazônia Legal. Entre os alvos estão as unidades que compõem as Forças de Multidomínio, de Emprego de Prontidão, de Emprego Imediato e de Emprego Continuado, além dos Módulos de Apoio.
Na faixa de fronteira, a diretriz prevê implantar, reestruturar, modernizar e adequar Destacamentos Especiais de Fronteira (DEF), Pelotões Especiais de Fronteira (PEF), Companhias Especiais de Fronteira (CEF) e outras unidades com atribuição de comando de fronteira. A lista também inclui atracadouros e portos fluviais, pistas de pouso administradas pelo Exército, hospitais, postos médicos, estabelecimentos de ensino e vilas militares.
As obras de modernização substituem estruturas obsoletas ou em risco, como os próprios PEF, as reservas de armamento, que serão centralizadas, e os ranchos. As de adequação preservam capacidades e garantem o cumprimento das normas ambientais. Os exemplos são plantas solares, estações de tratamento de esgoto, redes lógica e elétrica e salas de simuladores.
Dissuasão e logística no topo da lista de prioridades
A ordem de prioridades liga cada obra a um Objetivo Estratégico do Exército (OEE). Em primeiro lugar vêm as infraestruturas para a reestruturação dos Comandos Militares de Área prevista no Desenho da Força 40. Segundo o documento, elas reforçam a capacidade de dissuasão (OEE 1) e o Sistema Operacional Militar Terrestre (OEE 4). Em seguida vêm a logística, dentro do conceito de Prontidão Logística (OEE 5), e o ensino (OEE 8).
A lista inclui ainda a dimensão humana (OEE 9), com a construção de Próprios Nacionais Residenciais quando uma unidade for criada ou reestruturada. O último item é a imagem do Exército (OEE 10), com cumprimento das normas ambientais e, sempre que possível, benefícios para as populações próximas aos projetos.
General da reserva PTTC no comando e 180 dias para a documentação
O programa será gerenciado pela 3ª Subchefia do Estado Maior do Exército. O gerente será um oficial general da reserva atuando como Prestador de Tarefa por Tempo Certo (PTTC). Cada subprograma terá um oficial general ou superior com o mesmo vínculo.
A execução envolve o Comando Logístico, o Departamento de Engenharia e Construção, o Departamento de Ciência e Tecnologia, o Comando de Operações Terrestres e a Secretaria de Economia e Finanças. Também participam os Comandos Militares de Área, que designam os gerentes locais dos projetos. A equipe tem 180 dias, contados da publicação da portaria, para concluir e submeter toda a documentação do programa.