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Marinha do Brasil já navegou com dois porta-aviões ao mesmo tempo: Minas Gerais e São Paulo se encontraram no mar em 2001 antes de o país perder essa capacidade

Em 16 de fevereiro de 2001, a Marinha do Brasil reuniu Minas Gerais e São Paulo em alto-mar, a 22 km de Saquarema. A Operação ARRIVEX marcou a despedida do A-11 e uma capacidade naval que desapareceria do país.

Marcos
Por Marcos 12/10/2026 às 21:38
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Marinha do Brasil já navegou com dois porta-aviões ao mesmo tempo: Minas Gerais e São Paulo se encontraram no mar em 2001 antes de o país perder essa capacidade
Porta-aviões São Paulo (A-12) atracado no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro em fevereiro de 2015. Foto: Marinha do Brasil/Wikimedia Commons, licença CC BY-SA 2.0.

A Marinha do Brasil colocou dois porta-aviões para navegar juntos no litoral do Rio de Janeiro em 16 de fevereiro de 2001. O veterano Minas Gerais (A-11) saiu ao encontro do recém-chegado São Paulo (A-12), em uma operação que reuniu os dois maiores navios de aviação naval do país antes de uma despedida histórica.

O encontro ocorreu durante a Operação ARRIVEX, realizada entre o Rio de Janeiro e Cabo Frio. O Minas Gerais encerrava sua carreira, enquanto o São Paulo, comprado da França, iniciava a sua passagem pela Esquadra brasileira. O registro da viagem foi preservado pela própria Marinha.

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Às 13h43, o São Paulo entrou na formação a 22 quilômetros de Saquarema

O Minas Gerais deixou o cais do Armazém 9, no Porto do Rio de Janeiro, às 8h36 do dia 16. Cinco horas depois, às 13h43, o São Paulo se incorporou ao grupo-tarefa a 12 milhas náuticas, cerca de 22 quilômetros, a sudeste da Ponta de Saquarema.

O horário e a posição constam do termo de viagem reproduzido na Revista Marítima Brasileira pelo capitão-de-mar-e-guerra Júlio César de Araújo Passos, então comandante do Minas Gerais. O episódio foi a última comissão do A-11, que seguiu no mar até 17 de fevereiro.

A formação reunia, além dos dois porta-aviões, as fragatas Liberal, Greenhalgh e Rademaker, a corveta Frontin e o contratorpedeiro Pernambuco. O Minas Gerais atuava como navio-capitânia, responsável por liderar a força naval de recepção.

O novo porta-aviões chegou da França com 600 brasileiros e 16 franceses

Antes de ostentar a bandeira brasileira, o São Paulo era conhecido como Foch, porta-aviões da Marinha francesa. Sua incorporação ao Brasil ocorreu em 15 de novembro de 2000, na cidade de Brest, e o primeiro comandante brasileiro foi o capitão-de-mar-e-guerra Antônio Alberto Marinho Nigro.

A travessia do Atlântico começou em 1º de fevereiro de 2001, com 600 marinheiros brasileiros e 16 franceses a bordo. Os militares franceses acompanharam a operação de equipamentos durante a viagem. O navio fez escala em Dacar, no Senegal, antes de alcançar a costa fluminense.

Segundo o registro histórico publicado pelo Defesa Aérea & Naval, o grupo brasileiro saiu ao mar para receber o A-12 e acompanhar a entrada da embarcação no Rio de Janeiro. A chegada marcou uma mudança de geração: o Brasil passava de um porta-aviões originário da Segunda Guerra Mundial para outro da antiga frota francesa.

Parada naval reuniu os dois gigantes diante de comandantes e ministros

Na manhã de 17 de fevereiro, a programação incluiu uma parada naval entre 8h45 e 10h15. Os porta-aviões A-11 e A-12 passaram pela formação dos navios de escolta, enquanto helicópteros levavam autoridades ao Minas Gerais.

Entre os visitantes estavam o então ministro da Defesa, Geraldo Quintão, o comandante da Marinha, almirante Sérgio Gitirana Florêncio Chagasteles, e os comandantes do Exército e da Aeronáutica. O São Paulo entrou na Baía de Guanabara por volta das 11h30 e fundeou perto da Escola Naval.

O Minas Gerais percorreu 254 milhas náuticas em cerca de um dia e meio nessa missão. O diário do comandante registra também homenagens aos antigos comandantes do navio e do Grupo de Aviação Embarcada. Depois da chegada, aproximadamente 600 militares do Minas foram transferidos para completar a tripulação do São Paulo.

O Minas Gerais ainda havia lançado caças Skyhawk semanas antes da despedida

Embora estivesse próximo de deixar o serviço, o Minas Gerais participou, em janeiro de 2001, dos primeiros pousos enganchados e lançamentos por catapulta de caças AF-1 Skyhawk pilotados por aviadores navais brasileiros. A operação exigiu reparos na catapulta e no sistema que freia o avião após o pouso no convés.

Construído na Inglaterra como HMS Vengeance durante a Segunda Guerra Mundial, o navio foi incorporado ao Brasil em dezembro de 1960. Seu histórico oficial contabiliza, em quatro décadas na Marinha, 487.503,7 milhas navegadas, 17.022 pousos enganchados e 3.115 catapultagens, conforme a Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha.

Vista aérea do navio-aeródromo Minas Gerais A-11 navegando no Atlântico Sul, com convés de voo e marcações circulares de pouso visíveis.
Navio-aeródromo ligeiro Minas Gerais (A-11) fotografado em navegação no Atlântico Sul em outubro de 1996, cinco anos antes de sua baixa. Foto: Rob Schleiffert/Wikimedia Commons, CC BY-SA 2.0.

Oito meses depois do encontro, o Minas Gerais foi retirado de serviço

Em 29 de março de 2001, o Minas passou à Diretoria-Geral do Material da Marinha, iniciando formalmente seu processo de baixa. A despedida definitiva ocorreu em 9 de outubro daquele ano, em cerimônia realizada no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro.

Seu casco foi vendido em 2002 por cerca de US$ 2 milhões. Em dezembro de 2003, deixou o Rio de Janeiro rebocado com destino a Alang, na Índia, para desmonte. O veterano que recebeu o São Paulo em alto-mar não voltaria a operar aviões.

O São Paulo também saiu da Esquadra e teve o casco afundado em 2023

O sucessor iniciou operações com aviões AF-1 ainda em 2001, mas enfrentou dificuldades de manutenção ao longo da carreira. A Marinha anunciou sua desmobilização em 2017, após avaliar o custo e a complexidade de recuperar o navio para operações aéreas.

Em 3 de fevereiro de 2023, o casco do ex-São Paulo foi afundado de forma controlada no Atlântico. Segundo as informações oficiais do Ministério da Defesa e da Marinha, a área escolhida estava a cerca de 350 quilômetros da costa brasileira, em profundidade próxima de cinco mil metros, após impasses sobre a destinação e a segurança da estrutura.

O Atlântico mantém operações aéreas, mas com uma missão diferente

A Marinha incorporou em 2018 o antigo HMS Ocean britânico, batizado de Atlântico (A-140). Reclassificado em 2020 como Navio-Aeródromo Multipropósito, ele é empregado com helicópteros e aeronaves remotamente pilotadas, além de apoiar operações anfíbias. Seu convés não reproduz o emprego de caças a jato lançados por catapultas dos antigos Minas Gerais e São Paulo.

Navio-Aeródromo Multipropósito Atlântico A-140 navegando próximo à costa, com convés de voo e helicópteros visíveis.
O Navio-Aeródromo Multipropósito Atlântico (A-140) navega em 2018; sua missão aérea atual é diferente da dos antigos porta-aviões com caças. Foto: Alexandre Durão/Revista Força Aérea; Marinha do Brasil/Wikimedia Commons.

A imagem dos dois porta-aviões brasileiros navegando juntos em 2001 registra uma capacidade que desapareceu da Esquadra: manter um navio-aeródromo convencional para aviões de combate embarcados. Você considera que o Brasil deveria voltar a operar um porta-aviões com caças? Deixe sua opinião nos comentários.

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