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O governo reservou 388,7 milhões de reais para o submarino nuclear brasileiro em 2027, a Marinha respondeu pedindo 1 bilhão para não atrasar a obra, e a meta oficial é chegar ao fim de 2027 com apenas 29 por cento do navio construído

Felipe Alves da Silva
Por Felipe Alves da Silva 08/10/2026 às 13:10
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O governo reservou 388,7 milhões de reais para o submarino nuclear brasileiro em 2027, a Marinha respondeu pedindo 1 bilhão para não atrasar a obra, e a meta oficial é chegar ao fim de 2027 com apenas 29 por cento do navio construído
O submarino Tonelero (S-42), terceiro submarino convencional da classe Riachuelo, é lançado ao mar em 2024, durante cerimônia realizada no Complexo Naval de Itaguaí, no Rio de Janeiro. Construída no âmbito do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB), a embarcação representa mais uma etapa do esforço da Marinha do Brasil para modernizar sua força submarina e ampliar a capacidade de defesa das águas jurisdicionais brasileiras. O Tonelero incorpora tecnologias avançadas de navegação, sensores e sistemas de combate, além de integrar um dos mais importantes projetos estratégicos da indústria naval de defesa do país. Fonte: Marinha do Brasil.

A divergência entre o valor previsto na proposta orçamentária enviada ao Congresso e o montante solicitado pela Força expõe o ponto em que o programa do Álvaro Alberto deixa de ser questão técnica e passa a ser disputa por recursos dentro do próprio governo

Há um número na proposta orçamentária de 2027 que diz mais sobre o submarino nuclear brasileiro do que qualquer maquete: 29 por cento.

É a meta de execução acumulada do Submarino Nuclear Álvaro Alberto ao fim de 2027, apresentada na Mensagem Presidencial da Lei Orçamentária Anual. Vinte e nove por cento — depois de o programa já ter consumido quase duas décadas desde o acordo que o originou.

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Os dois números que não batem

A proposta enviada ao Congresso destina 388,7 milhões de reais diretamente para a embarcação, conforme noticiado na cobertura orçamentária do período.

A Marinha avalia que isso não basta. De acordo com o Poder360, que apurou o pedido da Força, a solicitação apresentada é de 1 bilhão de reais, com a justificativa explícita de evitar atraso na construção.

A diferença é de mais de 600 milhões de reais — e é bom entender o que ela representa na prática, porque não é abstração contábil.

Construção naval militar funciona por cadência. Estaleiro parado continua custando: mão de obra qualificada precisa ser mantida, fornecedor contratado precisa ser pago ou renegociado, estrutura já fabricada precisa ser armazenada e preservada. Quando o repasse cai abaixo da cadência planejada, o custo total do programa não diminui — ele aumenta, porque o cronograma se estica e os custos fixos se multiplicam pelos anos adicionais.

Dito de outra forma: economizar 600 milhões em 2027 tende a custar mais de 600 milhões até a entrega.

Quem constrói e onde

O Álvaro Alberto é desenvolvido pela Marinha do Brasil em parceria com a Itaguaí Construções Navais, no complexo naval de Itaguaí, no Rio de Janeiro. É o primeiro submarino de propulsão nuclear do Brasil e da América Latina.

O programa é tecnicamente dividido em duas frentes que o noticiário costuma embaralhar. Uma é a construção do casco e dos sistemas do submarino. A outra é o desenvolvimento da planta nuclear que vai propulsioná-lo, conduzido em paralelo. O submarino pode estar fisicamente pronto e permanecer sem o seu reator — e é essa dependência cruzada que torna qualquer previsão de entrega mais frágil do que parece.

A próxima etapa é 2027

O submarino deve entrar em nova fase de construção em 2027, e é justamente essa transição que torna o valor orçamentário do ano decisivo.

Entrada em nova etapa significa aumento de ritmo de trabalho e, portanto, de desembolso. Fazer essa transição com orçamento abaixo do solicitado é o cenário que a Marinha descreveu ao pedir o reforço registrado pelo Poder360.

O que se resolve e o que fica em aberto

O submarino Riachuelo (S-40), primeiro submarino convencional da classe Riachuelo, navega em águas brasileiras em abril de 2023, momentos antes de realizar uma manobra de submersão. Desenvolvida no âmbito do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB), a embarcação representa um importante avanço na modernização da Força de Submarinos da Marinha do Brasil. Construído no Complexo Naval de Itaguaí, no Rio de Janeiro, o Riachuelo possui sistemas modernos de navegação, sensores, armamentos e propulsão diesel-elétrica, sendo projetado para realizar missões de patrulha, vigilância, defesa marítima e proteção dos interesses estratégicos brasileiros no Atlântico Sul. Fonte: Marinha do Brasil.
O submarino Riachuelo (S-40), primeiro submarino convencional da classe Riachuelo, navega em águas brasileiras em abril de 2023, momentos antes de realizar uma manobra de submersão. Desenvolvida no âmbito do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB), a embarcação representa um importante avanço na modernização da Força de Submarinos da Marinha do Brasil. Construído no Complexo Naval de Itaguaí, no Rio de Janeiro, o Riachuelo possui sistemas modernos de navegação, sensores, armamentos e propulsão diesel-elétrica, sendo projetado para realizar missões de patrulha, vigilância, defesa marítima e proteção dos interesses estratégicos brasileiros no Atlântico Sul. Fonte: Marinha do Brasil.

A disputa tem endereço e prazo: a tramitação da Lei Orçamentária Anual no Congresso Nacional. É lá que se define se o valor fica em 388,7 milhões, se sobe na direção do bilhão pedido, ou se cai por emenda.

O que a documentação disponível não esclarece é a data de entrega. A meta de 29 por cento ao fim de 2027 permite calcular ritmo, mas não permite projetar conclusão com honestidade, porque a velocidade das etapas seguintes depende de decisões orçamentárias que ainda não foram tomadas e do andamento da planta nuclear, que corre em trilho próprio.

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1 Comentário
José Luiz
José Luiz
08/10/2026 13:53

Desculpe-me, errata.

Onde se lê Banco do Brasil acima,
leia-se Petrobras.