A família de Amynthas Pires de Carvalho buscou notícias por telegrama e recebeu uma carta do capelão; o cabo da FEB enfrentava fome, frio e trabalhos forçados antes da libertação.
O cabo Amynthas Pires de Carvalho, da Força Expedicionária Brasileira (FEB), estava vivo sob custódia alemã enquanto sua família, em Minas Gerais, tentava descobrir o que havia acontecido com ele. Capturado durante uma missão na Itália, passou pelo Stalag VII A, em Moosburg, e retornou ao Brasil em julho de 1945.
A história está registrada em seu depoimento preservado pelo Moosburg Online, site que mantém documentos e relatos sobre o campo. Entre as lembranças, ele transcreveu a carta enviada por um capelão à família, que continuava sem informações sobre seu destino.
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Telegrama da família recebeu uma resposta sem confirmação de seu paradeiro
Amynthas pertencia à 1ª Companhia de Fuzileiros do 6º Regimento de Infantaria. Segundo seu relato, foi registrado como desaparecido em campanha, retirado do efetivo da unidade e teve seus pertences arrolados por uma comissão.
No Brasil, seu tio Gesualdo de Paula e Silva, de Nova Lima, enviou um telegrama aos cuidados do comando da FEB. A resposta veio por uma carta do capelão: o cabo havia saído para uma missão e ainda não retornara.
O religioso comunicava a ausência de informações, mas preservava a esperança: “Não perco a esperança de algum dia poder dar-lhe uma feliz notícia sobre o Amintas”. Essa grafia aparece na correspondência transcrita pelo veterano.
A captura ocorreu durante uma patrulha na região de Barga
No corpo do depoimento recebido pela FEB, Amynthas situa a missão em outubro de 1944, na região de Barga, na Toscana. A patrulha deveria localizar posições alemãs e avançava sob chuva, em terreno acidentado.

Ele descreve um confronto no qual o tenente que comandava o grupo morreu. Ao tentar escapar rastejando, foi surpreendido por um oficial alemão armado, que tomou seu fuzil e o conduziu para a retaguarda.
O cabo da FEB passou por locais de detenção na Itália, incluindo Parma e Mantova. A captura deu início a uma sequência de transferências cujo destino, segundo ele, permanecia desconhecido para os prisioneiros.
Viagem em vagão de carga terminou no Stalag VII A
A transferência de Mantova para a Alemanha ocorreu em dezembro. Amynthas descreve três dias e três noites em um vagão de carga, com ventilação limitada, sede e condições sanitárias precárias.
Em Moosburg, recebeu o número 142.286, usado em sua identificação como prisioneiro. O Stalag VII A mantinha militares capturados de diferentes nacionalidades.
No relato publicado pelo Moosburg Online, a rotina incluía alimentação insuficiente, frio, parasitas e trabalhos forçados. Amynthas foi empregado na limpeza de latrinas, na remoção de neve e na retirada de escombros em Munique.
A convivência com brasileiros ajudava a enfrentar o isolamento. Ele recorda especialmente o companheiro Elizeu de Oliveira, com quem compartilhava o beliche e conversava sobre a família e a saudade do Brasil.
Um blindado derrubou a cerca durante a libertação
Amynthas, cabo da FEB, registra a libertação em 29 de abril de 1945. Naquela manhã, ouviu tiros diferentes dos bombardeios habituais e percebeu a ausência dos guardas que acompanhavam os trabalhadores.
A certeza de que sairia vivo veio quando um blindado norte-americano derrubou a cerca. Depois, passou por identificação, exames médicos e recuperação na Europa antes de reencontrar sua unidade na Itália.
Retorno ao Brasil foi seguido por dificuldades na vida civil
Embarcou em Nápoles no General Meigs e desembarcou no Rio de Janeiro em 18 de julho de 1945. Participipou do desfile dos expedicionários e foi licenciado em 27 de julho.
Segundo seu depoimento, enfrentou dificuldades para conseguir emprego e buscou assistência pelas sequelas físicas e psicológicas. Relata que recebeu uma pensão por invalidez em 1979.
O retorno encerrou o período em que a família desconhecia seu paradeiro. Para Amynthas, porém, as consequências do cativeiro continuaram presentes durante décadas.
Que atenção os relatos de prisioneiros brasileiros deveriam receber na preservação da memória da FEB? Compartilhe sua opinião nos comentários.