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Três semanas após ordenar 21 nomeações militares, presidente do Paraguai renuncia e abre mudança no comando das Forças Armadas em meio a operações conjuntas com o Brasil

Após 21 nomeações militares feitas por Santiago Peña, renúncia presidencial abre mudança no comando das Forças Armadas do Paraguai, em meio a operações de segurança e cooperação com o Brasil.

Marcos
Por Marcos 05/11/2026 às 15:56
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Três semanas após ordenar 21 nomeações militares, presidente do Paraguai renuncia e abre mudança no comando das Forças Armadas em meio a operações conjuntas com o Brasil
Santiago Peña durante cerimônia da Armada Paraguaia, acompanhado por autoridades civis e militares. Em 15 de outubro de 2026, o então presidente determinou 21 nomeações em diferentes comandos das Forças Armadas, três semanas antes de anunciar sua renúncia. Fonte: Divulgação

Três semanas depois de ordenar 21 nomeações nas Forças Armadas do Paraguai, incluindo mudanças em unidades do Exército, da Força Aérea e da Marinha, o presidente Santiago Peña anunciou sua renúncia nesta quinta-feira (5). A decisão abre caminho para uma mudança no comando supremo militar do país vizinho, justamente quando tropas paraguaias participam de atividades de cooperação com o Brasil.

A renúncia ocorreu após a crise financeira envolvendo o Ueno Bank e o avanço de um pedido de impeachment. O vice-presidente Pedro Alliana deverá assumir o governo e, consequentemente, a chefia das Forças Armadas, que passaram por uma série de alterações determinadas pelo próprio Peña em outubro.

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A transição ocorre também durante uma operação de segurança entre Brasil e Paraguai, com ações aéreas e terrestres previstas até 13 de novembro. Não há anúncio de suspensão ou alteração da cooperação em consequência da crise presidencial.

Peña mudou 21 cargos militares apenas três semanas antes de deixar a Presidência

Em 15 de outubro, Santiago Peña assinou a Ordem Geral nº 195, determinando 21 nomeações em diferentes setores das Forças Armadas paraguaias. Desse total, 19 foram realizadas em caráter interino.

As mudanças alcançaram comandos operacionais, estruturas administrativas, unidades de infantaria, cavalaria, aviação e até a Flota de Guerra da Armada Nacional.

Entre os oficiais designados está o general de brigada Jorge Augusto Rivas Maidana, que assumiu interinamente o Segundo Corpo de Exército. O general Arturo Julián Sosa foi nomeado comandante da Segunda Divisão de Cavalaria.

Na Força Aérea, o coronel Walter Adrián Insaurralde Delgado recebeu o comando interino da Primeira Brigada Aérea. Já o capitão de navio Miguel Nasser Suleimen Salum Arce foi escolhido para comandar interinamente a Flota de Guerra.

Documento oficial do Comando das Forças Militares do Paraguai, datado de 15 de outubro de 2026, apresenta as nomeações determinadas pelo então presidente Santiago Peña por meio da Ordem Geral nº 195, incluindo mudanças em comandos do Exército, da Força Aérea e da Armada Nacional, apenas três semanas antes de sua renúncia. Fonte: Divulgação / Forças Militares do Paraguai.

As nomeações foram divulgadas pela imprensa paraguaia com base em comunicado oficial das Forças Militares.

Com a saída de Peña, esses oficiais passam a servir sob uma nova autoridade presidencial. As designações continuam sujeitas aos procedimentos militares e às decisões que o próximo comandante supremo poderá adotar.

Pedro Alliana herdará o comando militar e poderá nomear ou remover comandantes

A Constituição do Paraguai estabelece que o presidente da República também exerce a função de comandante em chefe das Forças Armadas, com poderes para organizar as tropas, distribuir unidades e nomear ou remover comandantes.

O artigo 238 determina que essa função não pode ser delegada. Portanto, quando Pedro Alliana assumir formalmente a Presidência, receberá também a autoridade constitucional sobre o Exército, a Armada e a Força Aérea.

Isso permitirá ao novo governo manter as nomeações de outubro ou realizar alterações posteriores, respeitando as exigências legais aplicáveis.

Até o momento, não há confirmação de que Alliana pretenda substituir os 21 oficiais nomeados por Peña. Tampouco foi anunciada uma reorganização militar diretamente relacionada à renúncia.

Congresso rejeitou afastamento de Alliana e abriu caminho para a sucessão presidencial

O futuro comando militar começou a ser definido no Congresso ainda nesta quinta-feira.

A Câmara dos Deputados rejeitou o pedido de impeachment contra Pedro Alliana por 48 votos contrários e 30 favoráveis, conforme comunicado oficial do Legislativo.

A decisão manteve o vice-presidente na linha de sucessão constitucional. Em outra votação, os deputados aprovaram por unanimidade, com 78 votos, a acusação para abrir o processo de impeachment contra Peña, mesmo após seu anúncio de renúncia.

O Senado ficou responsável pelas próximas decisões institucionais, enquanto era organizada a transferência da Presidência.

Pelo artigo 234 da Constituição, Alliana deverá completar o mandato presidencial, previsto para terminar em agosto de 2028.

Brasil mobilizou 2.900 militares em exercício que contou com tropas paraguaias

A troca no comando das Forças Armadas ocorre poucas semanas depois de uma importante demonstração de cooperação militar entre os dois países.

Em setembro, o Brasil realizou a Operação Formosa 2026, no Campo de Instrução de Formosa, em Goiás, reunindo aproximadamente 2.900 militares brasileiros, 198 viaturas, 33 blindados, oito aeronaves e 18 drones.

O exercício contou também com tropas do Paraguai, dos Estados Unidos e da França, além de observadores internacionais.

Entre os equipamentos empregados estavam blindados Guarani, sistemas de foguetes Astros e aeronaves A-29 Super Tucano.

Segundo o Ministério da Defesa brasileiro, as atividades envolveram integração de tropas, coordenação de operações, mobilidade, logística e apoio ao combate.

A operação terminou em 24 de setembro, antes da crise presidencial. Sua relevância para o momento atual está na participação de militares paraguaios em exercícios conjuntos com as Forças Armadas brasileiras.

Operação com apoio de força-tarefa paraguaia continua durante a crise presidencial

Outro vínculo com o Brasil envolve a 59ª fase da Operação Nova Aliança, iniciada em 2 de novembro pela Polícia Federal brasileira e pela Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai.

A operação conta com apoio da Força-Tarefa Conjunta e do Ministério Público paraguaio, mobilizando equipes para atividades aéreas e terrestres em regiões de fronteira.

Segundo a Polícia Federal, o objetivo é localizar e destruir plantações ilegais de cannabis, além de identificar estruturas utilizadas por organizações criminosas transnacionais.

As atividades estão previstas até 13 de novembro, atravessando o período de transição presidencial.

A cooperação existe desde 2012 e representa uma atuação contínua entre autoridades brasileiras e paraguaias. Até agora, a renúncia de Peña não provocou nenhuma alteração oficialmente anunciada no cronograma.

Novo comando militar terá de administrar nomeações recentes e compromissos com o Brasil

A saída de Santiago Peña coloca Pedro Alliana diante de uma estrutura militar que recebeu dezenas de designações poucas semanas antes da mudança presidencial.

Os próximos atos do novo governo permitirão verificar se os comandantes escolhidos em outubro continuarão nos cargos e como serão conduzidos os compromissos de defesa e segurança com países vizinhos.

Para o Brasil, a principal questão imediata é a continuidade das operações bilaterais e da cooperação entre instituições militares e de segurança, especialmente nas áreas de fronteira.

A renúncia não foi acompanhada de anúncio de mobilização extraordinária das Forças Armadas paraguaias. A mudança concreta, prevista constitucionalmente, é a transferência da autoridade sobre o comando militar para o sucessor presidencial.

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