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Forças Armadas

ATRAINDO A DESGRAÇA – “A ocupação da área é a medida mais importante”. – CORONEL GÉLIO FREGAPANI

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(MATÉRIA DO CORONEL GÉLIO FREGAPANI PARA A CAMPANHA POR UMA NAÇÃO ARMADA) 

Conta-nos Xenofonte que certa vez Ciro, jovem príncipe dos Persas, estava  passando uns tempos com seu tio, Rei dos Medas, quando o reino da Média recebeu uma grande comitiva do Egito que vinha tratar de alianças e de outros assuntos. Para apresentar condignamente o jovem aos egípcios o Rei mandou-lhe as mais ricas vestes que dispunha.

O jovem príncipe ignorou a oferta do rei e aproximou-se correndo da comitiva seguido de algumas centenas de arqueiros, que ainda distantes fizeram alto e dispararam, a comando, suas flechas para o alto as quais na queda acertaram um grande cepo nas proximidades da comitiva visitante.

Discretamente o rei  censurou seu sobrinho “Te enviei vestes bordadas a ouro pra a recepção e me vens com esses andrajos.”  Respondeu-lhe o príncipe: “Meu rei;  se demonstrares riqueza muitos a ambicionarão, mas se mostrares também que tens força infundirás o respeito proporcional a força que mostrastes e desejarão tua aliança,demonstrando apenas ter força, sem riquezas todos se contentarão com a tua neutralidade, mas demonstrando riquezas sem a força necessária para as defender, atrairás a cobiça e com ela todas as desgraças do  mundo”.

Qualquer brasileiro que faça uma analogia do comentário do jovem Ciro com  situação da Amazônia sente  espinha gelar. É de conhecimento geral a grande riqueza ainda não explorada e a expectativa de outro tanto por descobrir e igualmente é de conhecimento geral a nossa inferioridade militar em face das potências maiores. – Riqueza e ausência de força eficaz – os dois ingredientes necessários e suficientes para a operacionalização das ambições e do consequente esbulho.

Imagem de: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Rainbow-Warrior-III-Greenpeace-Rijeka-20072014-roberta-f.jpg / licenciado sob a licença Creative Commons Attribution-Share Alike 3.0 Unported

Os ambientalistas falam da riqueza da floresta, mas qual riqueza, a da  madeira? Claro que não, essa é muito pequena. A floresta amazônica, muito heterogênica, dificulta a exploração ficando em desvantagem na competição com as florestas mais homogêneas sejam  elas naturais ou cultivadas. O nosso País exporta menos da metade do  que o Canadá e menos ainda do que a pequena Finlândia. As riquezas ambicionadas não estão na área da floresta, mas nas encostas das montanhas que as cercam principalmente no maciço guianense, de forma que só acredita na falácia que a floresta representa grande riqueza quem não conhece a realidade e o endeusamento da floresta nativa é apenas pretexto para distrair a atenção da verdadeira o riqueza: a mineral.  Sabemos que invasões para anexar terras parecem estar fora de moda, substituídas pelo incentivo a apoio a secessões com apoio de organizações internacionais  e potências com interesses diversos.

Partindo da constatação que a as verdadeiras riquezas da Amazônia não estão na floresta  em si, mas nas jazidas do maciço guianense qualquer analista concluirá que a ambição não atinge toda a  Amazônia e sim as serras da fronteira norte, exatamente na área já transformada em Reservas Indígenas e ambientais. Com esses dados podemos vislumbrar que a ameaça mais provável envolvería um incentivo a independência de povos indígenas ou mesmo a internacionalização da área pretendida. As pressões internacionais já duram décadas e contando com o auxílio dos ambientalistas, de traidores encastelados no Ibama e na Funai e modernamente dos esquerdistas de todo o mundo que já conseguiram tal autonomia beirando a independência. Por tratados e convenções internacionais assinados por maus governos a autonomia é legal, apenas a desorganização das sociedades indígenas não a tona efetiva. Sentimos que as pressões tendem a continuar. Como devemos nos opor a esta situação?

A ocupação da área é a medida mais importante, pois uma terra despovoada muda facilmente de mãos, mas para ocupar a longínqua  fronteira norte é mister que haja atividades econômicas viáveis, como o garimpo e a mineração(controlados e orientados), iniciando pelo garimpo. Afinal ,foi assim que foram criadas quase todas as cidades do Centro oeste. Quanto ao agronegócio com grãos e gado, só faz sentido nos campos de Roraima, pois o relevo montanhoso da maior parte da área fronteiriça impede o uso de máquinas agrícolas. Entretanto, a silvicultura deve ser tentada. Quanto aos tratados e convenções, felizmente temos a expectativa  que em breve sejam denunciados pelo nosso Presidente. Na verdade o nosso País já iniciou alguma reação, pequena ainda.

Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Terra_Ind%C3%ADgena_Kayap%C3%B3,_Par%C3%A1_(37877727176).jpg / Grupo Especializado de Fiscalização (GEF) do Ibama realiza operação de combate a garimpo ilegal de ouro na Terra Indígena Kayapó, no estado do Pará, Brasil

Entretanto, há cenários piores igualmente possíveis: um deles seria potências ambiciosas, organismos internacionais, verificando que estão perdendo posições e decidam desencadear uma guerrilha de independência, naturalmente amparada por mercenários do tipo Blackwater. Sabemos que teremos condições de vencer, mas a simples tomada (pelo inimigo) dos campos de pouso poderia retardar a nossa reação por tempo suficiente para a guerrilha receber reconhecimento internacional e a partir de então estarão abertas as portas para uma intervenção, do tipo que aconteceu em Kosovo. Isto poderia conduzir a uma guerra limitada (como a das Malvinas), que apesar da assimetria de forças, teríamos condições de enfrentar ou ainda escalar para uma guerra total para a qual estamos totalmente despreparados, pois um simples bombardeio em nossas principais hidrelétricas nos colocariam de joelhos.

Reconheçamos  que essas ambições não são novidades, bem como já fomos muito mais fracos, mas historicamente nossa soberania “formal”sobre a Amazônia foi ajudada pela rivalidade entre as Estados Unidos e a Inglaterra durante o “boom” da borracha e depois pela necessidade norte-americana de manter a nossa amizade durante seus confrontos com a Alemanha e com a União Soviética, respectivamente, mas agora esta necessidade, ainda existente, está bastante reduzida.

Ficam então as perguntas: O que podemos fazer, enquanto é tempo, para garantir a nossa soberania na área? Estrategicamente as respostas são simples: ocupá-la, desenvolve-la e defendê-la;  mas como?

A forma mais simples de evitar uma guerra é ter uma poderosa força para dissuasão e isto significa armas nucleares e vetores com alcance necessário. Os países que desejam assegurar-se que jamais serão o alvo de uma guerra total já providenciaram as bombas e os mísseis, inclusive em submarinos e não nos referimos somente as grandes potências, assim agiu a França, o Reino Unido, a Índia, o Paquistão, Israel e até a Coreia do Norte.

Desde Nagasaki nenhuma arma nuclear foi empregada na guerra, mas ninguém duvida que alguns deles já teriam sido atacados se não tivessem a bomba e os vetores. Na verdade esses armamentos promovem a paz.

Ao menos para quem os possuir.

Gelio Fregapani – Publicado na Revista Sociedade Militar

 

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