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Forças Armadas

CRISE SILENCIOSA entre governo e GRADUADOS das Forças Armadas – Desagravo deve chegar à DEFESA e PRESIDENTE BOLSONARO

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ele se comporta como general, não como um ministro”, disse Adão Farias, advogado e militar da reserva.

Após um pedido de espaço na agenda feito pelo deputado Vitor Hugo, o gabinete da Secretária de Governo solicitou que no dia 15 de setembro o deputado e seus convidados comparecessem para discussão de assuntos relacionados à Lei 13.954 de 2019. Todavia, ainda antes da reunião já ocorreram constrangimentos. Eduardo Ramos, que parecia incomodado com a divulgação antecipada da reunião, segundo informado por militares que foram até o Palácio do Planalto, decidiu reduzir o número de participantes.

Dois suboficiais que representam um grande contingente foram barrados na portaria do Palácio do Planalto e a coisa gerou uma indignação gigantesca na categoria. Um dos militares impedidos de entrar foi Fabrício Dias, vereador na cidade de Guaratinguetá e membro da A.M.I.G.A., uma das associações de militares mais influentes do país. O capital político carregado pela associação é gigantesco, a ponto de influenciar no calendário da cidade de Guaratinguetá e da própria Força Aérea Brasileira. Eventos produzidos com a ajuda da associação levam todos os anos o Comandante da Força Aérea, políticos e outras autoridades dos escalões mais altos para Guaratinguetá, lotando hotéis, pousadas e de fato influindo positivamente até em questões econômicas.

Ouvido nessa manha de quinta-feira pela Revista Sociedade Militar, o vereador Fabrício Dias relatou que ficou de fato indignado com o que aconteceu, disse que tinha compromissos inadiáveis, inclusive relacionados à saúde de familiares e que colocou tudo de lado para viajar para Brasília. Disse ainda que a lista de participantes foi entregue com antecedência ao gabinete do Major Vitor Hugo e – pelo que explicou – não havia como ter ocorrido confusão. Ele se sente de fato desprestigiado pelo gabinete do parlamentar, de onde – segundo conta – ouviu-se a explicação de que “se soubesse que ele era vereador a coisa teria sido diferente“.

Aparentemente a emenda foi pior que o soneto, o vereador e suboficial da FAB disse que nada justificaria um tratamento privilegiado para um vereador, que estava lá como militar, graduado, representante de um grande grupo. “então o vereador entrava? (o sub não)… “, pergunta.

Fabrício Dias é vereador na cidade de Guaratinguetá, mas seu nome acabou ganhando expressão nacional por conta da incisiva defesa de direitos dos militares que tem realizado ao longo dos últimos meses em nível federal, em comissões realizadas na Câmara dos Deputados e Senado.

Pelo que soubemos em primeira mão, a A.M.I.G.A. estuda providências administrativas e deve encaminhar documentos para a Secretaria de Governo e para a Presidência da República.

Um militar ouvido pela revista expressa o que a ação para ele significou: “O Fabrício não é só vereador. Como vereador ele é muito importante em nível local, mas vai além disso, ele representa não só as milhares de famílias de Guará que fazem ou não parte da AMIGA, mas hoje também milhares de militares das Forças Armadas em todo o Brasil que enxergam nele um homem capaz de dizer o que precisa ser dito… não temos representantes no Congresso, os generais deputados não nos reconhecem como militares e muito menos como seres humanos… o outro deputado, o subtenente, é literalmente um zero a esquerda do Bolsonaro, não fala, não opina… só repete o que se manda… é um segurança com salário de 32 mil reais. ”.

Outro militar, em campo de comentários disse: “ninguém é palhaço ou irresponsável e muito menos estamos dentro de um quartel para ter um comportamento assim, sendo que ocupa um cargo de natureza politica e os colegas foram convocados para estarem lá. Nada foi resolvido e parecem desconhecer do assunto ,mas quando foi para fazerem um acordo governo-senado sabiam o que estavam fazendo, o que se percebe é a falta de interesse do assunto até porque já conseguiram aquilo que queriam, melhorar e chegar no topo salarial… “.

“… a RSM quando publicou a notícia estava certíssima, o major pediu a reunião e esperou marcar, o general Ramos marcou e depois sua assessoria convocou para a reunião…, onde está o problema? Se fosse a Globo então! como assim o governo muda atitudes por causa de um site de notícias?“. Outro comentário.

O Outro dos dois militares barrados no Palácio do Planalto foi a suboficial Rosemira. Para graduados e pensionistas residentes em Brasília, impedir a sua entrada no Palácio do Planalto foi também um absurdo. A suboficial, segundo explicam, além de – como Fabrício Dias – representar um grande contingente de militares (da Marinha do Brasil) e de ter participado ativamente das negociações em torno de propostas de modificação da reestruturação proposta pela Defesa, carrega em si algo extremamente simbólico, ela – hoje na reserva – é membro da primeira turma de militares do sexo feminino no Brasil.

General Ramos versus Ministro Eduardo Ramos

Durante a reunião ocorrida no Palácio do Planalto o ministro secretário de governo em certo momento disse que o suboficial só estava presente por insistência do deputado Vitor Hugo, o que para muitos deixa claro a insatisfação em ser obrigado a dialogar com um graduado, ainda que no topo da carreira das praças.

Adão farias, advogado e militar da reserva disse: “a reunião foi improdutiva, existe um jogo de empurra… o secretário de governo chegou a dizer para o graduado que ele só estava ali por insistência do Major Vitor Hugo… ele se esquece que não está em um quartel… esse é aquele velho ranço, como se um suboficial fosse um cidadão de segunda classe… ele se esquece também que os graduados sempre foram a base política do atual presidente, por mais de 25 anos…

Há alguns meses houve uma reunião para tratar do mesmo assunto, da qual também não foram extraídas propostas e onde nada foi definido. Militares comentam em redes sociais que dela participaram dois suboficiais e ressaltam que o nome dos dois sequer apareceu na ata, onde deveria estar registrado o nome de todos os presentes.

Diversas publicações ressaltam que militares que exercem cargos civis devem tomar cuidado para que não caiam no erro de tentar impor sua condição de militar, atrapalhando o bom desempenho das funções políticas e civis, que exigem um modo de ser diferente, um tratamento igualitário para com todos. Segundo militar e advogado ouvido pela revista, o secretário de governo atira com frequência a responsabilidade de resolver o problema para o Ministério da Defesa. Todavia, militares em redes sociais lembram com insistência que o General Ramos foi um dos que endossou a promessa de resolver depois as distorções da lei de reestruturação dos militares. As promessas também são lembradas reiteradamente pelos senadores Major Olímpio e Izalci Lucas.

VEJA O VÍDEO DO MAJOR OLÍMPIO SOBRE A REUNIÃO NA SEGOV

Lembra um advogado entrevistado há algum tempo pela Revista Sociedade Militar, que o Estatuto dos Militares é taxativo quando prescreve que militares no exercício de atividades de caráter civil são PROIBIDOS de usar designações hierárquicas. “ ao que tudo indica, para quem ocupa cargos no governo essa determinação estatutária nada significa, se fosse um sargento era cadeia, mas como é um general deixam pra lá… ”, diz.

De fato, uma pequena busca pela internet mostra que Eduardo Ramos até mesmo manda grafar a designação hierárquica em trajes que utiliza no exercício de uma função de natureza civil. A imagem abaixo foi registrada na semana passada, em 11 de setembro, na Bahia.

Imagem de (São Desidério – BA, 11/09/2020) Visita às obras da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL). Foto: Alan Santos/PR

Por fim, a reunião ocorrida na SEGOV nessa terça-feira – apesar de para alguns deixar claro que o major Vitor Hugo de fato se esforça para, inclusive levando um suboficial que pertence ao grupo dos prejudicados, corrigir o caos social e financeiro causado pela reestruturação – nada trouxe de bom e,  pior, acabou azedando as já conflituosas relações entre governo, pensionistas e militares graduados, principalmente os que foram para a reserva depois de 2001 – engrossando o caldo da manifestação de militares e pensionistas que deve ocorrer em outubro em Brasília, com o risco de fazer com que a crise entre o governo Bolsonaro e seus antigos apoiadores, por enquanto um tanto quanto silenciosa, seja conhecida de todos os brasileiros.

Revista Sociedade Militar

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