Instituições reforçam gesto de gratidão a um dos últimos sobreviventes da Segunda Guerra Mundial, embarcado para a Itália em 1944 a bordo do navio General Meigs
Joaquim Patrício de Araújo tem 107 anos e é hoje o veterano brasileiro mais idoso da Força Expedicionária Brasileira ainda vivo. Na última semana, ele recebeu em sua residência, no município de Vicência, interior de Pernambuco, uma comitiva do Campo de Instrução Marechal Newton Cavalcanti (CIMNC) e da Associação Nacional dos Veteranos da FEB — Regional Pernambuco (ANVFEB-PE). A visita não foi protocolar. Foi um gesto de reconhecimento a um homem que combateu na campanha da Itália e que, mais de oito décadas depois, segue como testemunha direta de um dos capítulos mais decisivos da história militar brasileira.
Uma trajetória que começou no próprio campo que hoje o homenageia

Natural do povoado de Angélica, Joaquim Patrício ingressou no Exército em 1943. A preparação para a guerra aconteceu justamente no CIMNC, a mesma instituição que, mais de 80 anos depois, foi até sua casa prestar a homenagem. Integrou o 4º Escalão da FEB e embarcou para a Itália em 23 de novembro de 1944, a bordo do navio norte-americano General Meigs. No teatro de operações, serviu no 1º Regimento de Infantaria — o histórico Regimento Sampaio.
Durante o encontro, o Diretor do CIMNC, Coronel Mário Neto, entregou ao veterano uma moeda institucional da organização, símbolo tradicional de reconhecimento militar. A ANVFEB-PE esteve representada pelo presidente Rigoberto Jr., e a comitiva foi recebida por Joaquim e por suas duas filhas, Maria José e Dulce.
O que foi o combate de Monte Belvedere
Monte Belvedere fazia parte de um complexo defensivo alemão nos Apeninos, no norte da Itália, junto com o vizinho Monte Castelo — posições que os Aliados tentavam tomar havia meses para expulsar os alemães da chamada Linha Gótica, um sistema de defesa de mais de 280 km, e assim abrir caminho até Bolonha. Em dezembro de 1944, os americanos já haviam conquistado o morro, mas coube aos brasileiros a tentativa de avançar a partir dali. Foi um dos momentos mais duros vividos pela FEB: um contra-ataque alemão surpreendeu os pracinhas ainda na subida, resultando em 195 baixas entre mortos, feridos e desaparecidos, muitos deles recuperados só meses depois. WikipediaMontecastelo
É provável que tenha sido nessa ação que Joaquim Patrício, do Regimento Sampaio, esteve empenhado — embora vale registrar que o episódio mais lembrado da campanha, a tomada definitiva do complexo, só aconteceria dois meses depois: em fevereiro de 1945, na chamada Operação Encore, quando a FEB tomou Monte Castelo e Castelnuovo, enquanto tropas americanas da 10ª Divisão de Montanha tomavam o próprio Belvedere e Della Toraccia. Não é incomum que relatos de veteranos e homenagens institucionais tratem os dois nomes como sinônimos — geograficamente vizinhos, cronologicamente próximos, mas tecnicamente batalhas distintas dentro da mesma ofensiva. Wikipedia
Uma vida construída depois da guerra
Casado por 76 anos com Dona Carmelita Alves de Araújo, Joaquim formou uma família com quatro filhas, seis netos e quatro bisnetos. Depois de voltar da Europa, seguiu uma vida marcada pelo trabalho e pela permanência dos mesmos valores que levou ao front: disciplina, senso de dever, apego à família.
Uma data que aproxima a homenagem de um novo marco
No dia 22 de agosto, Joaquim Patrício completa 108 anos. A proximidade da data reforça o timing da homenagem: instituições como o CIMNC e a ANVFEB-PE têm intensificado ações de valorização dos veteranos ainda em vida — não apenas por gratidão simbólica, mas porque a cada aniversário desse tipo diminui o número de expedicionários que podem receber esse reconhecimento pessoalmente. A ANVFEB-PE já sinaliza que outras homenagens a remanescentes da FEB devem ocorrer em Pernambuco ao longo do segundo semestre, conforme se aproximam novas datas de aniversário de veteranos da região.
Com informações de: Defesa em foco