Na manhã de 14 de abril de 1945, numa patrulha perto da cidade italiana de Montese, três soldados brasileiros deram de cara com uma companhia alemã inteira, com mais de 100 homens. O comandante inimigo ofereceu a eles a rendição.
Geraldo Baêta da Cruz, Arlindo Lúcio da Silva e Geraldo Rodrigues de Souza, todos mineiros da Força Expedicionária Brasileira, disseram não. Preferiram lutar até o fim, e a atitude salvou cerca de 30 companheiros.
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Numa emboscada de seis horas no Afeganistão, o capitão William Swenson voltou várias vezes ao fogo para resgatar os mortos e beijou a testa de um sargento ferido, mas o que fez depois quase enterrou sua Medalha de Honra
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Ele se recusou a pegar em armas, foi humilhado pelos próprios companheiros e, na batalha mais sangrenta do Pacífico, o médico Desmond Doss desceu 75 feridos por um penhasco sob fogo japonês, sem nunca disparar um tiro
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A patrulha de três encontrou uma companhia inteira
Os três integravam uma pequena patrulha do 11º Regimento de Infantaria da FEB, os chamados Cobras Fumantes. Montese era, naquele dia, palco de uma das batalhas mais duras que os brasileiros travaram na Itália.
Ao serem cercados por uma força muito maior, tinham diante de si uma escolha simples e brutal: baixar as armas ou enfrentar o inevitável. A rendição significaria a vida.
Eles recusaram a rendição e abriram fogo
Em vez de se entregar, os três mineiros abriram fogo contra os alemães. Sabiam que, atrás deles, dezenas de companheiros brasileiros avançavam sem imaginar o tamanho da força inimiga à frente.
Ao resistir, os soldados atrasavam os alemães e denunciavam a emboscada com o próprio barulho do combate. Cada minuto de luta era tempo para os outros se protegerem.
Sem munição, partiram de baioneta calada
Relatos da época contam que os três combateram “até o último cartucho”. Quando a munição acabou, teriam calado as baionetas nos fuzis e partido para cima do inimigo.
Foram mortos ali, sob o fogo das metralhadoras alemãs. O decreto que concedeu a Arlindo a medalha Sangue do Brasil descreve que ele se levantou sob fogo pesado, silenciou uma metralhadora inimiga e caiu atingido por um franco-atirador.
O sacrifício salvou cerca de 30 companheiros
A resistência dos três não foi em vão. Alertados pelo tiroteio, cerca de 30 soldados brasileiros que avançavam por perto tiveram tempo de se proteger da coluna alemã.
Sem aquele aviso, comprado com a própria vida, o número de mortos brasileiros naquele trecho teria sido muito maior. Três homens seguraram uma companhia inteira para que dezenas continuassem vivos.
O próprio inimigo os enterrou como heróis
O que veio depois transformou o episódio em lenda. Admirado com a coragem dos brasileiros, o comandante alemão mandou enterrá-los em covas rasas separadas, e não numa vala comum, como era o costume.
Sobre as sepulturas, ordenou colocar uma placa com a inscrição em alemão: Drei brasilianische Helden, ou seja, “três heróis brasileiros”. Foi o inimigo quem batizou a história.
Montese ajudou a quebrar a linha alemã
A batalha em que os três morreram tinha peso estratégico. A tomada de Montese ajudou a romper a Linha Gótica, a última grande linha de defesa alemã nos Apeninos, e mostrou o valor do soldado brasileiro aos céticos aliados.
Foi ali, entre as ruas estreitas e o combate casa a casa, que a FEB provou seu preparo, o mesmo espírito visto nas armas e nas batalhas dos 25 mil brasileiros na Itália e no ar, com os caças do grupo Senta a Pua.
Ao longo de quase oito meses de campanha na Itália, a FEB fez mais de 20 mil prisioneiros e perdeu cerca de 950 homens em combate. A conquista de Montese está entre os episódios mais lembrados dessa jornada.
Uma história consagrada, ainda que debatida
Historiadores divergem sobre os nomes e detalhes exatos dos três combatentes, já que os primeiros relatos, dos anos 1950, apresentam contradições sobre unidade e local. O feito em si, porém, é atestado pela memória dos veteranos do 11º Regimento.
Depois da guerra, os restos mortais dos três foram levados ao cemitério de Pistoia e, mais tarde, ao Monumento aos Pracinhas, no Rio de Janeiro. Lá seguem, como símbolo de que houve brasileiros dispostos a morrer para que outros vivessem.