Revista Sociedade Militar, todos os direitos reservados.

Um suboficial da Marinha nascido em Alagoinhas se tornou o primeiro praça das Forças Armadas brasileiras a concluir, na Argentina, o curso de altos estudos em Defesa Nacional reservado a oficiais superiores, num feito inédito de mérito

O Suboficial Evaneilmo de Morgado concluiu o Curso Superior de Defesa Nacional na FADENA, na Argentina, curso que no Brasil é feito por oficiais superiores.

Um suboficial da Marinha nascido em Alagoinhas se tornou o primeiro praça das Forças Armadas brasileiras a concluir, na Argentina, o curso de altos estudos em Defesa Nacional reservado a oficiais superiores, num feito inédito de mérito
Jefferson Silva
Jefferson Silva
Publicado 29/07/2026 às 10:19h

Na hierarquia militar, há cursos que costumam ser reservados aos oficiais de mais alta patente. Um deles é o de altos estudos em Defesa Nacional, feito por quem se prepara para funções de estado-maior e assessoria estratégica.

Foi justamente esse curso que um praça da Marinha do Brasil concluiu na Argentina, num feito inédito. O Suboficial Evaneilmo de Morgado se tornou o primeiro praça das Forças Armadas brasileiras a vencer essa etapa, normalmente destinada a oficiais superiores. A informação foi publicada pelo portal Defesa em Foco.

Ele é o primeiro praça das Forças Armadas a fazer o curso

Natural de Alagoinhas, na Bahia, com 27 anos de Marinha do Brasil e atuação no Hospital Naval de Salvador, Morgado quebrou uma barreira de carreira. Concluiu o Curso Superior de Defesa Nacional, um estudo de alto nível estratégico.

No Brasil, esse tipo de formação é feito por oficiais superiores. Na Marinha, cabe a oficiais no posto de capitão de corveta. Um suboficial, que é praça, alcançar o mesmo patamar é algo sem precedentes nas Forças Armadas do país.

O curso é feito na Argentina e dura dez meses

A formação foi realizada na Faculdade de Defesa Nacional da Argentina, a FADENA, ligada à Universidade da Defesa Nacional do país vizinho. O curso durou quase dez meses intensos, de fevereiro a novembro de 2025.

A grade reúne disciplinas como geopolítica, estratégia militar, relações internacionais, inteligência estratégica, cibersegurança e planejamento de defesa. É considerado um curso difícil, com seleção criteriosa e exigência de nível superior.

Ele foi o único brasileiro numa turma internacional

Na FADENA, Morgado dividiu a sala com representantes de vários países e foi o único brasileiro da turma. Na prática, representou o Brasil e a Marinha num ambiente acadêmico e militar de alta exigência no exterior.

Além do desafio acadêmico, ele precisou se adaptar ao método de ensino militar-estratégico argentino e a um idioma diferente, o espanhol, exigido nas aulas ao vivo ao longo de todo o ano letivo.

Uma trajetória construída no estudo

A conquista não veio isolada. Morgado acumula uma lista de formações, como bacharelado em Direito, pós-graduação em inteligência estratégica e cursos internacionais na área de direito humanitário e operações de paz.

Foi também o primeiro praça a receber a Medalha Thomé de Souza, a maior honraria da Câmara de Salvador. A soma de títulos desenha o retrato de um militar que fez do estudo a sua principal arma.

No Exército e na Aeronáutica, cursos desse nível dão a oficiais requisitos para subir na carreira. Para um praça, a conquista tem, por ora, mais valor simbólico do que efeito automático na patente, mas amplia o conhecimento que ele pode oferecer à Força.

Uma inspiração para as praças

O caso ganha força porque mexe com a ideia de mérito dentro da caserna. Ele mostra que um militar da base da hierarquia pode alcançar espaços antes restritos aos oficiais, desde que se dedique.

É a mesma lógica de outras histórias de superação que a Sociedade Militar acompanha, como a do policial que saiu da venda de picolé no Sertão até o comando de uma companhia. Trajetórias em que o esforço abre portas que a patente, sozinha, não abriria.

O que vem depois da conquista

Morgado deve passar para a reserva da Marinha nos próximos anos e afirma que pretende seguir na área de educação, ensinando o que aprendeu. O conhecimento trazido da Argentina tende a ser repassado a outros militares e civis.

Para a Marinha, o feito reforça a reputação das Forças Armadas brasileiras no exterior e estreita os laços com a Argentina. E deixa um recado às praças de todo o país: o estudo pode levar mais longe do que a hierarquia sugere.

Entre no nosso grupo do WhatsApp e receba nossas notícias antes de todo mundo Entrar agora →
guest
0 Comentários
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários
Jefferson Silva

Jefferson Silva

Atuo na Sociedade Militar trazendo análises e conteúdos relacionados a Geopolítica, Tecnologia militar, Industria de Defesa e Inteligência Artificial.