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Diante de Lula e da cúpula militar, comandante do Exército exalta investimentos na indústria nacional de defesa e cobra menos dependência de tecnologia estrangeira

Tomás Paiva coloca modernização, prontidão e autonomia tecnológica no centro da estratégia do Exército, defende integração com a indústria nacional de defesa e afirma que a Força precisa se preparar para atuar em ambientes multidomínio e reduzir dependências externas críticas.

Diante de Lula e da cúpula militar, comandante do Exército exalta investimentos na indústria nacional de defesa e cobra menos dependência de tecnologia estrangeira
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e general Tomás Paiva, durante a cerimônia do Dia do Exército, no Quartel-General do Exército. Brasília – DF. Foto: Ricardo Stuckert / PR

Diante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da cúpula militar reunida no Quartel-General do Exército, em Brasília, o comandante da Força Terrestre, general Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva, colocou a modernização militar e a indústria brasileira de defesa no centro de sua mensagem para o Dia do Soldado.

Na Ordem do Dia lida durante a cerimônia desta terça-feira (25), o general afirmou que o Exército passa por uma transformação permanente para acompanhar as mudanças observadas nos conflitos modernos e elevar sua capacidade de reação.

“Prosseguimos na permanente transformação do Exército Brasileiro, que busca adequar-se aos desafios do campo de batalha contemporâneo, fortalecendo suas capacidades militares e aumentando sua prontidão operacional para atuar em ambientes multidomínio”, afirmou Tomás Paiva.

Segundo o Metrópoles, o comandante também destacou uma intensificação da integração entre o Exército e a Base Industrial de Defesa brasileira, relacionando essa aproximação diretamente à necessidade de diminuir a dependência do exterior.

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Exército quer reduzir dependência estrangeira

Um dos trechos mais relevantes da mensagem de Tomás Paiva tratou da produção de tecnologia militar dentro do próprio país.

Para o comandante, a modernização não deve se limitar à compra de equipamentos prontos no mercado internacional.

O objetivo passa também por desenvolver soluções estratégicas no Brasil e criar condições para que empresas nacionais participem do processo de transformação da Força.

“Foi intensificada a integração do Exército com a Base Industrial de Defesa, estimulando o desenvolvimento de soluções estratégicas concebidas e produzidas no Brasil, a fim de reduzir dependências externas, consolidar nossa autonomia tecnológica e impulsionar a inovação em benefício da defesa nacional”, declarou.

A mensagem coloca a autonomia tecnológica entre os elementos considerados estratégicos pelo comando do Exército.

O tema ganhou ainda mais importância com os conflitos recentes, que expuseram dificuldades enfrentadas por países dependentes de fornecedores estrangeiros para obter munições, componentes eletrônicos, sistemas de defesa e peças de reposição em períodos de crise.

Para uma força militar, possuir determinado equipamento não significa necessariamente dominar sua tecnologia ou garantir acesso contínuo aos componentes necessários para mantê-lo operacional.

É justamente nesse ponto que a indústria nacional passa a ser tratada como parte da própria capacidade militar do país.

Campo de batalha multidomínio entra no planejamento

Tomás Paiva também utilizou uma expressão que aparece cada vez mais no planejamento das forças militares modernas: ambiente multidomínio.

O conceito considera que um confronto contemporâneo não acontece apenas por terra.

Operações militares podem envolver simultaneamente capacidades terrestres, aéreas, marítimas, espaciais, cibernéticas e relacionadas ao espectro eletromagnético, além de redes de comunicação capazes de compartilhar informações entre diferentes unidades.

A fala do comandante indica que o Exército busca adaptar estrutura, equipamentos e treinamento para esse tipo de cenário.

Nos últimos anos, a Força vem avançando em áreas que incluem drones, guerra eletrônica, comunicações digitais, sensores, defesa antiaérea, mísseis e sistemas de comando e controle.

O próprio SISFRON é exemplo dessa transformação ao conectar sensores, tropas e centros de decisão ao longo das fronteiras brasileiras.

Indústria de defesa ganha peso estratégico

A defesa da indústria nacional não é um posicionamento isolado do Dia do Soldado.

Tomás Paiva vem defendendo publicamente maior capacidade tecnológica e industrial brasileira como elemento de dissuasão.

Em declarações anteriores, o comandante já afirmou que o Brasil precisa buscar soluções próprias em vez de simplesmente reproduzir, em menor escala, o modelo militar das grandes potências.

Também já destacou a importância estratégica da recuperação da Avibras, fabricante brasileira ligada ao sistema Astros e à produção de foguetes e mísseis.

A mensagem desta terça-feira reforça essa mesma direção, mas agora diante de Lula e durante uma das principais solenidades institucionais do Exército.

O presidente também vem ampliando seu discurso sobre investimentos militares e afirmou, no mesmo evento, que a Defesa não pode ser tratada apenas como uma área que recebe dinheiro quando existem recursos sobrando.

As duas manifestações convergem em um ponto: a modernização das Forças Armadas exige planejamento continuado e capacidade industrial capaz de sustentar projetos estratégicos durante anos.

Mulheres aparecem como outro marco de 2026

A Ordem do Dia também reservou espaço para a entrada das primeiras mulheres pelo Serviço Militar Inicial Feminino.

Tomás Paiva classificou 2026 como um momento histórico para a instituição e afirmou que a incorporação amplia as capacidades do Exército ao agregar novos talentos.

Segundo o comandante, a defesa das fronteiras brasileiras é uma missão compartilhada por homens e mulheres.

A participação feminina já havia sido o principal destaque de outra cobertura do Sociedade Militar sobre a solenidade do Dia do Soldado.

Nesta terça-feira, porém, a mensagem do comandante revelou uma segunda frente importante do evento: o Exército quer combinar novos recursos humanos, tecnologia nacional e uma estrutura preparada para conflitos cada vez mais complexos.

Para Tomás Paiva, essa transformação passa necessariamente pela capacidade de o Brasil produzir parte crescente das soluções militares de que precisa, diminuindo vulnerabilidades externas e aumentando a prontidão da Força diante dos novos cenários de segurança.

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Alisson Ficher

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 13 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com.