O Brasil aparece em 2026 como a segunda maior potência militar das Américas e a 11ª força mais poderosa do mundo, mas essa posição de destaque esconde um contraste importante quando a comparação deixa de considerar efetivos, equipamentos, território e capacidade logística e passa a olhar apenas para dinheiro.
Mesmo contando com 376 mil militares na ativa, 294 tanques, seis submarinos e uma Força Aérea que incorpora caças F-39 Gripen, o País ficou fora do grupo dos 15 maiores orçamentos militares do planeta no levantamento referente a 2024.
Os dados são do International Institute for Strategic Studies (IISS), uma das principais instituições internacionais dedicadas ao acompanhamento de gastos, equipamentos e capacidades militares.
Enquanto o Global Firepower coloca o Brasil no top 11 mundial em poder militar, o levantamento financeiro do IISS mostra uma realidade diferente: países com territórios, populações e economias menores direcionaram volumes significativamente maiores para suas Forças Armadas.
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Brasil aparece entre potências, mas não entre quem mais gasta
O contraste fica evidente quando os dois levantamentos são colocados lado a lado.
Em 2026, o Global Firepower classifica o Brasil na 11ª posição entre 145 países, atrás somente dos Estados Unidos quando considerado todo o continente americano.
A plataforma contabiliza 376 mil militares ativos, aproximadamente 1,34 milhão de reservistas e uma frota de 495 aeronaves.
No poder terrestre, aparecem 294 tanques e mais de 22 mil veículos militares. No componente naval, são contabilizados 69 meios, incluindo seis submarinos.
Nada disso, porém, foi suficiente para colocar o Brasil entre os 15 países que mais destinaram recursos à Defesa em 2024.
Segundo o The Military Balance 2025, do IISS, a última posição do grupo naquele ano ficou com a Polônia, que direcionou aproximadamente US$ 28,4 bilhões à área militar.
O Brasil permaneceu abaixo desse patamar.
EUA gastaram quase US$ 1 trilhão
Na liderança mundial, a diferença é gigantesca.
Os Estados Unidos gastaram aproximadamente US$ 968 bilhões em Defesa durante 2024, montante equivalente a cerca de 39% das despesas militares globais calculadas pelo instituto.
A China apareceu em segundo lugar, com aproximadamente US$ 235 bilhões, enquanto a Rússia alcançou US$ 145,9 bilhões.
Alemanha, Reino Unido e Índia vieram logo depois.
O gasto militar mundial chegou a US$ 2,46 trilhões em 2024, crescimento real de 7,4% em apenas um ano, impulsionado principalmente pela guerra na Ucrânia, pelas tensões no Oriente Médio, pelo rearmamento europeu e pela competição militar no Indo-Pacífico.
Os 15 países com maiores orçamentos concentraram aproximadamente 81% de todo o dinheiro destinado à Defesa no planeta.
Países menores que o Brasil aparecem na lista
Talvez o dado mais chamativo seja quem conseguiu entrar no top 15.
A Polônia, cuja economia e população são muito menores que as brasileiras, fechou o ranking depois de acelerar dramaticamente sua modernização militar diante da ameaça percebida da Rússia.
Israel apareceu com aproximadamente US$ 33,7 bilhões, enquanto a Ucrânia gastou cerca de US$ 28,4 bilhões.
Coreia do Sul, Austrália e Itália também ficaram entre os 15 maiores.
Esses países enfrentam contextos estratégicos muito diferentes do brasileiro.
Polônia e Ucrânia estão diretamente expostas à guerra na Europa, Israel permanece envolvido em conflitos no Oriente Médio e Coreia do Sul mantém uma ameaça militar permanente na fronteira com a Coreia do Norte.
O Brasil, por sua vez, não enfrenta atualmente uma ameaça militar externa imediata equivalente.
Essa diferença ajuda a explicar por que o gasto brasileiro permanece proporcionalmente menor.
Posição no ranking não depende apenas de dinheiro
Estar em 11º no Global Firepower e fora do top 15 dos orçamentos não representa uma contradição metodológica.
Os dois levantamentos medem coisas diferentes.
O Global Firepower utiliza mais de 60 fatores, incluindo quantidade de militares, aeronaves, blindados, frota naval, logística, território, recursos naturais, infraestrutura e condições financeiras.
Por isso, características brasileiras como enorme população, extensão territorial, disponibilidade de mão de obra, recursos naturais e estrutura militar existente ajudam a elevar a posição do País.
Já o ranking do IISS observa quanto dinheiro efetivamente é destinado à Defesa.
O próprio Global Firepower ressalta que alguns de seus dados são estimados e que seu índice procura medir potencial convencional de guerra, e não determinar automaticamente quem venceria um conflito.
Modernização brasileira disputa recursos
A diferença orçamentária ganha importância porque o Brasil mantém simultaneamente alguns dos projetos militares mais caros de sua história recente.
A Força Aérea incorpora os F-39 Gripen e mantém o programa KC-390 Millennium.
A Marinha constrói as novas fragatas Classe Tamandaré, avança no PROSUB e desenvolve o Álvaro Alberto, futuro primeiro submarino brasileiro de propulsão nuclear.
O Exército mantém programas como SISFRON, Guarani, Astros e diferentes projetos de modernização tecnológica.
Todos dependem de recursos distribuídos ao longo de vários anos.
Ao mesmo tempo, o cenário internacional mudou rapidamente: segundo o IISS, os gastos globais com Defesa passaram de US$ 2,24 trilhões em 2023 para US$ 2,46 trilhões em 2024, enquanto praticamente todas as grandes regiões do planeta ampliaram seus investimentos militares.
É nesse cenário que o Brasil chega a 2026 ocupando uma posição incomum: aparece entre as 11 maiores potências militares avaliadas pelo Global Firepower, mas permanece fora do pequeno grupo de países responsáveis pela maior parte dos gastos militares mundiais.
Brasil na 11ª posição?!?! Na frente de Canadá e França?!?! Como isso é possível?!?! O Brasil NÃO possui munição para UM dia de combate!!!