Max Wolff Filho já havia combatido no Brasil antes de seguir voluntário para a Segunda Guerra Mundial; na Itália, tornou-se referência nas missões de reconhecimento da FEB e morreu quando a campanha entrava em seus últimos dias
Quando o sargento Max Wolff Filho partiu para sua última patrulha, em 12 de abril de 1945, a guerra na Itália estava perto do fim. A rendição das forças alemãs no país seria assinada poucas semanas depois, com efeitos a partir de 2 de maio. Wolff não chegaria a vê-la.
Naquele dia, o militar brasileiro seguia à frente de uma patrulha de reconhecimento nas proximidades de Montese. Aos 33 anos, carregava uma experiência que o havia transformado em um dos personagens mais conhecidos da Força Expedicionária Brasileira (FEB).
Mais de 30 missões de patrulhamento em território inimigo haviam ajudado a consolidar o apelido pelo qual passou à história: “Rei das Patrulhas”.
Sua trajetória, porém, começara muito antes dos campos italianos.
Nascido no Paraná, Max Wolff já tinha experiência de combate antes da FEB
Max Wolff Filho nasceu em 29 de julho de 1911, em Rio Negro, no Paraná. Ainda jovem, mudou-se com a família para outras cidades paranaenses até chegar a Curitiba, onde iniciou sua trajetória militar.
Em 1930, aos 19 anos, ingressou no então 15º Batalhão de Caçadores, unidade que posteriormente daria origem ao atual 20º Batalhão de Infantaria Blindado.
Sua carreira atravessou alguns dos períodos mais turbulentos da história brasileira da primeira metade do século XX. Participou da Revolução de 1930 e, dois anos depois, combateu na Revolução Constitucionalista de 1932.
Foi nesse segundo conflito que sofreu um grave ferimento provocado por disparo de fuzil. O desempenho em combate contribuiu para sua promoção a terceiro-sargento.
A experiência acumulada nesses episódios ajuda a entender por que Wolff chegou à Europa em uma situação diferente da maioria dos jovens expedicionários. Quando entrou efetivamente em combate na Itália, não era um soldado vivendo sua primeira experiência sob fogo: já carregava anos de serviço e havia sido ferido em combate no próprio Brasil.
Para chegar à Itália, o sargento precisou superar até uma restrição médica
Quando a FEB começou a ser organizada, Wolff quis participar como voluntário.
A incorporação, no entanto, não foi imediata. Registros biográficos sobre sua trajetória apontam que uma hérnia dificultou inicialmente sua aceitação. Wolff submeteu-se a uma cirurgia e voltou a buscar uma vaga na força que seguiria para a Europa.
Acabou incorporado ao 11º Regimento de Infantaria, de São João del-Rei, em Minas Gerais.
Em 22 de setembro de 1944, embarcou para a Itália. O contingente desembarcou em Nápoles no início de outubro e passou pelo período de preparação antes de seguir para a frente de combate.
Poucos meses separariam aquele desembarque da morte do sargento.
As patrulhas colocavam pequenos grupos diante das linhas alemãs
A fama de Max Wolff foi construída principalmente em uma das atividades mais arriscadas da guerra de posições enfrentada pelos brasileiros nos Apeninos: as patrulhas.
Essas missões exigiam que pequenos grupos deixassem posições relativamente protegidas e avançassem pelo terreno para reconhecer linhas inimigas, identificar posições, observar movimentos e obter informações necessárias às operações seguintes.
No inverno italiano, isso significava atravessar áreas sujeitas a minas, artilharia, morteiros e posições alemãs que podiam permanecer ocultas até que a patrulha estivesse próxima.
Foi nesse ambiente que Wolff passou a se voluntariar repetidamente.
Ao longo da campanha, participou e comandou mais de 30 patrulhas, número que se tornou uma das marcas de sua biografia militar. A repetição das missões e sua experiência no terreno fizeram com que ficasse conhecido como “Rei das Patrulhas”.
O apelido é mais revelador do que uma simples homenagem. Patrulhar significava justamente sair da relativa segurança das linhas brasileiras para procurar um inimigo que, muitas vezes, sabia explorar melhor o terreno e permanecia entrincheirado em posições preparadas.
Uma missão após Monte Castello rendeu reconhecimento norte-americano
A atuação de Wolff não ficou restrita ao reconhecimento.
Durante a campanha, ele também participou de missões de resgate e apoio às tropas na frente. Depois dos combates de dezembro de 1944 na região de Monte Castello, esteve envolvido na busca por militares que haviam permanecido entre as linhas.
Seu desempenho acabaria reconhecido também pelos Estados Unidos.
Wolff recebeu a Bronze Star Medal, condecoração norte-americana concedida por atuação meritória em operações militares. A medalha foi entregue durante a campanha da Itália.
Em março de 1945, já depois da conquista de Monte Castello e com as forças aliadas preparando a ofensiva que romperia definitivamente as defesas alemãs no norte da Itália, sua experiência passou a ter ainda mais peso.
Wolff assumiu o comando de um pelotão formado para missões particularmente arriscadas de reconhecimento.
A guerra caminhava para o desfecho. Para os homens que precisavam avançar primeiro, porém, isso não tornava as últimas semanas menos perigosas.
Em 12 de abril de 1945, Max Wolff saiu para sua última patrulha
A última missão ocorreu em 12 de abril de 1945, dois dias antes do início da ofensiva brasileira contra Montese.
O objetivo era reconhecer posições alemãs e construções rurais na região da Cota 747, nas proximidades do setor em que a FEB se preparava para avançar.
Wolff partiu à frente de seus homens durante o dia.
O movimento era particularmente arriscado porque a patrulha precisava se aproximar das posições inimigas em terreno observado pelos alemães. Durante a progressão, o grupo foi dividido para inspecionar diferentes pontos.
Foi nessa operação que o sargento foi atingido pelo fogo inimigo e morreu.
Tinha 33 anos.
A morte ocorreu justamente quando a campanha italiana entrava em sua fase decisiva. Em 14 de abril, a FEB iniciou o ataque contra Montese, que se transformaria no combate mais sangrento enfrentado pelos brasileiros na Itália.
Depois viriam a perseguição às forças alemãs, a rendição em massa na região de Fornovo di Taro e o colapso definitivo da resistência alemã no norte do país.
A rendição alemã na Itália veio apenas 20 dias depois
A distância entre a morte de Max Wolff e o fim da guerra na Itália dá à biografia um desfecho particularmente marcante.
Em 2 de maio de 1945, apenas 20 dias depois de sua morte, entrou em vigor a rendição das forças alemãs na Itália.
Wolff havia atravessado meses de inverno, dezenas de patrulhas e algumas das fases mais difíceis da campanha brasileira. Morreu quando faltavam menos de três semanas para que as tropas alemãs naquele teatro de operações deixassem de combater.
Inicialmente sepultado no Cemitério Militar Brasileiro de Pistoia, seus restos mortais seriam posteriormente trasladados para o Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, no Rio de Janeiro, juntamente com os de outros expedicionários.
Seu nome continuaria ligado especialmente à formação dos sargentos brasileiros.
O “Rei das Patrulhas” tornou-se símbolo dos sargentos do Exército
Max Wolff Filho tornou-se Patrono da Escola de Sargentos das Armas (ESA), em Três Corações, Minas Gerais.
A ligação não é apenas nominal.
Sua figura passou a representar, dentro da formação militar, a liderança exercida pelo sargento diretamente junto à tropa. A própria ESA preserva sua biografia e mantém símbolos associados à trajetória do expedicionário.
Em 2010, o governo federal criou ainda a Medalha Sargento Max Wolff Filho, destinada a reconhecer subtenentes e sargentos das Forças Armadas que se destaquem profissionalmente.
A Escola de Sargentos também incorporou à formação de seus alunos um sabre associado ao patrono, mantendo sua memória presente nas cerimônias da instituição.
O militar que morreu em uma patrulha nos campos italianos, portanto, não ficou restrito à memória da FEB. Mais de oito décadas depois, seu nome continua incorporado à identidade profissional de gerações de sargentos do Exército Brasileiro.
A ironia histórica permanece nas datas: depois de sobreviver a conflitos no Brasil, atravessar o Atlântico e cumprir dezenas de missões diante das linhas alemãs, Max Wolff Filho morreu em 12 de abril de 1945. Vinte dias depois, a guerra na Itália estava encerrada.
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Muito orgulho de ter sido formado nessa escola que leva o nome dessa lenda !
O sargento Max foi um herói de verdade e seu nome jamais deve ser esquecido.