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Argentina pede autorização para caças F-16 entrarem no espaço aéreo brasileiro e pousarem na Base Aérea de Natal em nova operação que envolve a compra de aeronaves vindas da Dinamarca

O país vizinho repete operação já realizada no final de 2025 recebendo um novo lote de seis aeronaves adquiridas da Dinamarca, exigindo cooperação com o Brasil e destacando a posição estratégica da Base Aérea de Natal

Fernando B.
Por Fernando B. 17/09/2026 às 17:03
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Argentina pede autorização para caças F-16 entrarem no espaço aéreo brasileiro e pousarem na Base Aérea de Natal em nova operação que envolve a compra de aeronaves vindas da Dinamarca
Novo lote de F-16 fazem parte da modernização da Força Aérea Argentina de um total de 24 caças adquiridos da Dinamarca. Foto: Minsitério da Defesa da Argentina

As Forças Armadas da Argentina coordenam juntamente o Brasil uma operação para receber um novo lote de seis caças F-16 adquiridos da Dinamarca que vão cruzar o Atlântico nos próximos dias rumo ao país vizinho. A operação envolve não só a passagem dos novos caças pelo Brasil, mas o translado de dois aviões da Força Aérea Argentina (FAA) que já seguiram rumo à Europa para dar apoio à entrega das aeronaves de combate, também usando o espaço aéreo brasileiro.

A página oficial das Forças Armadas Argentinas (FAA) comunicou por meio da rede social X que o Brasil autorizou a entrada do lote de seis F-16 em seu território, e que a Força Aérea e os países envolvidos na operação estão finalizando os detalhes e preparativos para o que será o voo que se iniciará na Dinamarca e terá como destino final o Área Material Río Cuarto, na província de Córdoba.

A operação envolve uma autorização especial concedida pela Receita Federal do Brasil (RFB) para que as aeronaves estrangeiras adentrem o espaço aéreo, conforme Ato Declaratório Executivo publicado no Diário Oficial da União no dia 14 de setembro, no período entre os dias 21 de setembro de 2026 e 1º de outubro de 2026, passando pelas instalações não alfandegadas da Base Aérea de Natal, no Rio Grande do Norte.

Com a compra de seis novos F-16, nos modelos F-16AM monoposto e F-16BM bisposto, a Força Aérea Argentina passa a contar com um total de 12 aeronaves do modelo. O primeiro lote dos F-16 foi entregue em 2025, de um total de 24 aeronaves previstas no acordo feito pelo presidente Javier Milei com a Dinamarca e orçado em cerca de US$ 300 milhões.

À época, o governo anunciou a transação como a “aquisição militar mais importante dos últimos 50 anos da História argentina”.

Base Aérea de Natal é ponto estratégico da rota

Segundo comunicaram as Forças Armadas da Argentina, duas aeronaves militares do país partiram rumo à Dinamarca no dia 16 de setembro para dar apoio ao translado do novo lote de seis F-16, sendo o Boeing 737 T-99 “Islas Malvinas” e o KC-130 Hercules TC-69 “Puerto Argentino”.

As duas aeronaves fizeram escala na Base Aérea de Natal (BANT) durante o translado para o país europeu.

A dependência da Argentina pela utilização da instalação brasileira para possibilitar sua logística miltiar internacional revela mais uma vez a importância estratégica da BANT como um dos pontos geoestratégicos mais importantes do Brasil e do Atlântico Sul.

Devido à sua localização estratégica como ponto da América do Sul mais próximo da África, na Segunda Guerra Mundial, o local funcionou como a maior base norte-americana fora dos Estados Unidos na época, servindo de trampolim logístico para aviões que seguiam para o teatro de operações na África e na Europa.

Força Aérea dos EUA vai dar apoio aos F-16 argentinos

A operação de translado dos novos F-16 da Argentina rumo ao continente também vai receber apoio da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) por meio de três aviões-tanque KC-135 Stratotanker, que farão o reabastecimento aéreo dos caças.

O caça F-16 Fighting Falcon foi originalmente desenvolvido e fabricado pela General Dynamics, empresa vendida para a norte-americana Lockheed Martin em 1993, que passou a ser a fabricante responsável pelo projeto, atualizações e produção das versões seguintes.

Os novos F-16 estão substituindo gradativamente os antigos caças Mirage, protagonistas do sistema de defesa da Argentina, cujos últimos exemplares foram retirados de serviço em 2017 após quatro décadas no ar.

Já a Força Aérea Real da Dinamarca aposentou oficialmente seus caças F-16 Fighting Falcon em 18 de janeiro de 2026, após 46 anos de serviço. A substituição ocorre pela chegada dos caças de quinta geração F-35A Lightning II, uma das aeronaves de combate mais modernas do mundo. A nova frota vai assumir por completo a defesa aérea do país europeu.

Argentina recompõe sua capacidade aérea com o F-16

A Argentina está investindo no F-16 Fighting Falcon principalmente para reconstruir sua capacidade de caça supersônico depois de anos de redução da aviação de combate. A escolha também coloca a Força Aérea Argentina dentro de uma cadeia logística e operacional usada por dezenas de países.

O próprio governo argentino justificou a aquisição pela necessidade de um sistema supersônico capaz de responder rapidamente a ameaças sobre um território muito extenso e seu litoral. Após analisar diferentes aeronaves, a Força Aérea concluiu que o F-16 e a proposta dinamarquesa eram a solução escolhida para recuperar essa capacidade.

O acordo firmado em 2024 prevê 24 aeronaves dinamarquesas, sendo 16 monopostos e 8 bipostos, além de componentes, equipamentos e serviços. Apesar de usadas, as unidades passaram por constantes modernizações enquanto em operação pela Dinamarca.

O F-16 é oeprado por vários paíes, inclusive os Estados Unidos, concebido como um caça relativamente leve, ágil e com elevada relação entre potência e peso. Um dos elementos fundamentais é o sistema fly-by-wire, que permite controlar eletronicamente as superfícies de voo. O projeto também utiliza canopy em formato de bolha e manche lateral, proporcionando boa visibilidade e controle ao piloto.

Com a aquisição, a Argentina se une ao Chile como segundo operador do F-16 na América do Sul, enquanto o Brasil passou a operar o sueco F-39 Gripen, considerado uma aeronave de geração intermediária mais próxima à quinta geração, enquanto o F-16 é considerado um caça de quarta geração.

Primeiro lote dos F-16 passou pelo Brasil em 2025

O primeiro lote de F-16 adquiridos pela Argentina junto à Dinamarca passou pelo Brasil em dezembro de 2025, durante o voo de traslado. Foram os primeiros seis F-16 dinamarqueses, que partiram da Base Aérea de Skrydstrup e fizeram escalas em Zaragoza e nas Ilhas Canárias, na Espanha, e depois na Base Aérea de Natal antes de seguir para a Argentina, um trajeto de cerca de 5 mil quilômetros.

Durante a passagem por Natal, os F-16 foram recebidos por aeronaves F-39E Gripen da Força Aérea Brasileira (FAB). O episódio chamou atenção porque foi um encontro entre os dois principais caças de nova geração em processo de consolidação na América do Sul.

Na ocasião, quatro Gripen da FAB já estavam em Natal naquele período para atividades relacionadas à certificação do míssil MBDA Meteor.

Para o Brasil, a operação também foi uma oportunidade de demonstrar a capacidade de recepção e acompanhamento de aeronaves estrangeiras em uma operação envolvendo simultaneamente Argentina, Dinamarca e Estados Unidos, já que, assim como em 2026, os F-16 foram acompanhados pelos KC-135 Stratotanker da Força Aérea dos EUA.

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