Revista Sociedade Militar, todos os direitos reservados.

Argentina recebe aval dos EUA para comprar quatro UH-60L Black Hawk usados por até US$ 140 milhões e tenta recuperar capacidade de helicópteros médios no Exército

Os EUA aprovaram uma possível venda de quatro UH-60L Black Hawk usados à Argentina por até US$ 140 milhões, com motores, navegação, resgate, treinamento e apoio logístico para renovar a Aviação do Exército.

Marcos
Por Marcos 13/09/2026 às 21:30
Compartilhar
Argentina recebe aval dos EUA para comprar quatro UH-60L Black Hawk usados por até US$ 140 milhões e tenta recuperar capacidade de helicópteros médios no Exército
UH-60L Black Hawk do Exército dos Estados Unidos decola durante exercício na Flórida. Foto: U.S. Air Force / DVIDS.

A Argentina recebeu dos Estados Unidos um sinal verde que pode recolocar a Aviação do Exército em uma faixa de capacidade que o país perdeu há anos. O Departamento de Estado aprovou uma possível venda de quatro helicópteros UH-60L Black Hawk usados, dois motores T700-GE-701D e um amplo pacote de apoio, com valor máximo notificado de US$ 140 milhões.

O pacote vai muito além das quatro aeronaves. A proposta inclui sistemas de navegação e comunicação, tanques auxiliares, guinchos de resgate, ganchos de carga, equipamentos para inserção por corda rápida, Bambi Bucket para combate a incêndios, peças de reposição, treinamento e suporte logístico.

A autorização americana ainda precisa atravessar etapas antes de virar compra efetiva. A notificação ao Congresso dos EUA, registrada como Transmittal 26-79, abre o caminho para a oferta formal pelo programa Foreign Military Sales. Depois disso, Buenos Aires terá de aceitar a Carta de Oferta e Aceitação e garantir recursos para financiar a operação.

Quatro Black Hawks podem preencher um vazio deixado pelos Puma e Super Puma argentinos

O interesse argentino nos UH-60L aparece em um momento em que o Exército tenta reconstruir sua capacidade de transporte médio. Durante décadas, os SA-330 Puma e AS-332 Super Puma deram ao país uma plataforma mais pesada que os veteranos UH-1H e Huey II. Com a retirada dessas frotas, a Aviação do Exército ficou sem um helicóptero médio de emprego tático equivalente.

A tentativa mais recente de preencher esse espaço passou pela Europa. Em 2023, a Argentina assinou uma carta de intenção para adquirir 12 Airbus H215, versão moderna da família Super Puma. A negociação não avançou até um contrato, e o foco mudou para uma solução norte-americana baseada em células UH-60L provenientes do estoque dos Estados Unidos.

O Black Hawk é conhecido por combinar transporte de pessoal, carga, evacuação médica e operações de apoio em uma mesma plataforma. Segundo dados reunidos na apuração, o UH-60L pode transportar cerca de 11 militares equipados, chegar a 14 ocupantes em configuração de alta densidade ou levar seis macas. A capacidade de carga externa chega a aproximadamente 4.080 kg.

Militares junto a helicópteros UH-60L Black Hawk durante treinamento
Militares operam helicópteros UH-60L Black Hawk durante exercício nos Estados Unidos. Foto: U.S. Air Force / DVIDS.

US$ 140 milhões incluem motores, resgate, navegação e equipamentos para combate a incêndios

O teto de US$ 140 milhões divulgado pelos Estados Unidos não corresponde apenas ao preço de quatro helicópteros. O pacote inclui dois motores T700-GE-701D, equipamentos de comunicação, transpondedores, receptores de navegação, GPS, sistemas auxiliares de combustível, ferramentas, peças e dispositivos de treinamento.

Entre os itens aparecem também guinchos de resgate, equipamentos para operações com corda rápida, gancho de carga e Bambi Bucket, reservatório suspenso usado por helicópteros no lançamento de água sobre incêndios. Esse conjunto amplia o emprego dos Black Hawks para missões militares e também para respostas a enchentes, incêndios, evacuações e outras emergências.

A própria justificativa americana cita segurança de fronteira, combate ao crime transnacional, assistência humanitária e resposta a desastres. Para a Argentina, a aquisição permitiria substituir gradualmente parte dos UH-1H e Huey II que seguem em serviço e recuperar uma plataforma com maior carga útil, alcance operacional e capacidade multimissão.

A operação também inclui treinamento de tripulações e equipes de manutenção. Esse componente pesa no custo total porque uma frota de apenas quatro aeronaves depende de peças, ferramentas, documentação técnica, capacitação e suporte para permanecer disponível ao longo dos anos.

Compra ainda depende do Congresso dos EUA, da assinatura argentina e do orçamento

A aprovação do Departamento de Estado é uma etapa importante, mas a chegada dos helicópteros ainda não está garantida. O processo Foreign Military Sales passa por revisão no Congresso dos Estados Unidos antes da apresentação da oferta definitiva ao comprador.

Se a operação avançar, a Argentina precisará assinar a chamada Letter of Offer and Acceptance, documento que fixa condições, valores, cronograma e responsabilidades. O montante de US$ 140 milhões funciona como limite máximo da notificação e pode não representar o preço final contratado.

O orçamento argentino será outro fator decisivo. O país já passou por tentativas frustradas de adquirir helicópteros médios e precisa acomodar o novo programa ao lado de outros investimentos recentes em defesa. A compra de 24 F-16 usados da Dinamarca já abriu uma frente importante de gastos com aeronaves, treinamento, infraestrutura e logística.

UH-60L Black Hawk modificado em cerimônia de transferência nos Estados Unidos
UH-60L Black Hawk modificado em cerimônia de transferência nos Estados Unidos. Foto: U.S. Army / DVIDS.

Argentina já tem um Black Hawk presidencial, mas os UH-60L teriam função militar

A Argentina não começaria do zero com a família Black Hawk. O país já opera um S-70A destinado ao transporte presidencial. Os quatro UH-60L pretendidos, porém, seriam incorporados à Aviação do Exército e teriam emprego ligado a transporte tático, apoio logístico, resgate e missões em áreas de difícil acesso.

Os helicópteros também aproximariam a frota argentina de uma plataforma amplamente usada no continente. Brasil e Colômbia estão entre os operadores da família Black Hawk, e o Exército Brasileiro conduz seu próprio processo de renovação com aeronaves da versão UH-60M.

Para Buenos Aires, a decisão final envolve mais que trocar helicópteros antigos. Se o acordo for concluído, os quatro UH-60L devolverão ao Exército uma capacidade média que desapareceu com a retirada dos Puma e Super Puma e criarão uma nova cadeia de treinamento e manutenção ligada aos Estados Unidos.

Agora, a sequência do processo dependerá da revisão americana, da formalização da oferta e da decisão argentina de reservar o dinheiro necessário. Se esses passos forem concluídos, os Black Hawks poderão se tornar uma das mudanças mais visíveis na Aviação do Exército argentino dos últimos anos.

Você considera que quatro UH-60L são suficientes para iniciar essa renovação? Deixe sua opinião nos comentários e compartilhe a matéria com quem acompanha a modernização militar na América do Sul.

guest
0 Comentários