Piloto espanhol passou pela Academia Geral do Ar, voou o F-5, fez conversão de aproximadamente nove meses para o Eurofighter e acumulou mil horas no caça antes de alcançar funções de maior responsabilidade
Chegar ao cockpit de um Eurofighter Typhoon já significa ter sobrevivido a uma seleção extremamente restritiva. Tornar-se realmente experiente no sistema de armas, porém, exige uma segunda etapa muito mais longa: anos de voos, avaliações, missões e qualificação operacional.
O comandante Juan Bengoechea, piloto do Exército do Ar e do Espaço da Espanha, resume sua própria trajetória em números que dimensionam essa diferença. Ele ingressou na Academia Geral do Ar em 2009, em um processo no qual havia cerca de 3.200 candidatos e apenas 60 vagas destinadas ao Exército do Ar. Ao final das sucessivas etapas de seleção, apenas 12 chegaram à formação como pilotos de caça.
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A história foi relatada pelo próprio aviador em entrevista repercutida pelo OKDiario. Segundo ele, entre a entrada na academia e o momento em que um militar pode ser considerado experiente em determinado sistema de armas, a formação pode consumir 14 ou 15 anos.
De milhares de candidatos ao grupo de 12 pilotos de caça
O processo começou em 2009. De acordo com o relato do comandante, aproximadamente 3.200 pessoas participaram da seleção, enquanto o Exército do Ar tinha 60 vagas disponíveis.
Entrar na academia, portanto, não significava estar garantido na aviação de caça.
Nos primeiros anos, a formação era concentrada principalmente na parte teórica. Depois começaram as fases práticas de voo, acompanhadas por avaliações destinadas a verificar se cada aluno tinha capacidade de continuar avançando na formação aeronáutica.
No quarto ano ocorria uma seleção mais específica para a aviação de caça. Segundo o relato publicado pelo OKDiario, cerca de 45 alunos chegaram a essa etapa da promoção de Juan Bengoechea; ao final, 12 foram selecionados.
O quinto ano levou o grupo para a Base Aérea de Talavera la Real, em Badajoz, onde a formação passou pelo F-5, aeronave a reação utilizada na preparação avançada dos futuros pilotos de caça.
Essa sequência ajuda a entender um ponto importante da carreira: obter a especialidade não encerra o treinamento. Na prática, abre uma nova fase.
Tornar-se piloto de caça ainda não significava estar pronto para o Eurofighter

Juan Bengoechea concluiu os cinco anos de academia em 2014 e saiu como tenente, já com a especialidade de piloto de caça.
Era necessário, então, aprender a operar o modelo que faria parte de sua carreira.
Naquele momento, segundo seu relato, existiam duas possibilidades principais: F-18 ou Eurofighter. Ele escolheu o Eurofighter por considerá-lo a aeronave mais moderna entre as opções disponíveis.
A conversão foi realizada em Morón de la Frontera e durou aproximadamente nove meses. Mesmo para alguém que já havia passado por anos de formação aeronáutica, tratava-se de outra avaliação eliminatória: o aluno precisava demonstrar capacidade para operar especificamente aquele sistema de armas.
Em 2015, o piloto chegou ao Ala 14, unidade espanhola equipada com o Eurofighter.
A partir daquele ponto, sua formação deixou de ser apenas a de alguém aprendendo a pilotar um caça. Passou a envolver a construção gradual da experiência necessária para receber responsabilidades operacionais maiores.
Mil horas de Eurofighter não foram acumuladas de uma vez
Durante aproximadamente sete anos efetivamente ligados ao Eurofighter, descontado um período de três anos em que trabalhou como instrutor de pilotos de caça em Badajoz, Juan Bengoechea acumulou cerca de mil horas de voo no modelo.
É nesse estágio que sua explicação sobre carreira ganha peso.
Segundo o comandante, quando o piloto alcança experiência muito elevada começa a assumir responsabilidades adicionais nas missões de voo e pode chegar a funções como a de piloto de demonstração.
O número de horas, isoladamente, não explica toda a progressão. O que aparece na trajetória é uma combinação de tempo, qualificação, experiência operacional e atribuições progressivamente mais complexas.
Essa distinção é relevante porque, para quem observa a carreira apenas de fora, receber a qualificação para voar um caça e tornar-se um piloto plenamente experimentado podem parecer praticamente a mesma coisa. Na formação militar de alto desempenho, são etapas muito diferentes.
O caminho até se tornar um piloto experiente pode consumir quase 15 anos
Juan Bengoechea calcula que, caso sua trajetória tivesse ocorrido sem a interrupção de três anos como instrutor, ele poderia ter alcançado o nível mais avançado de experiência por volta de 2022 ou 2023.
Considerando que ingressou na academia em 2009, seriam aproximadamente 14 anos.
Sua própria estimativa estabelece uma faixa entre 14 e 15 anos desde o início do processo seletivo até o momento em que o aviador se torna experiente no sistema de armas.
E a progressão profissional não terminou ali.
Informações divulgadas pelo próprio Exército do Ar e do Espaço espanhol mostram uma etapa posterior dessa carreira. Com mais de 1.000 horas no Eurofighter e aproximadamente 2.000 horas totais de voo, o comandante chegou a exercer a função de Mission Commander durante o exercício internacional Ocean Sky 2025 e passou a dirigir o treinamento de mais de 20 pilotos.
É justamente aí que a longa formação ganha uma consequência concreta: o piloto deixa gradualmente de ser apenas responsável pelo próprio emprego da aeronave e passa a coordenar outras pessoas, meios e missões.
Do aluno ao responsável pelo treinamento de outros pilotos
A trajetória também passou pelo Ala 23, onde Juan Bengoechea atuou como instrutor do Curso de Caça e Ataque, antes de retornar ao Ala 14 em 2022.
Em setembro de 2026, ele aparecia publicamente como chefe do Esquadrão 141 do Ala 14 e encerrava ainda sua etapa como piloto de demonstração do Eurofighter.
A sequência completa transforma aqueles 12 selecionados no início da formação em algo mais significativo do que um número de concurso.
A seleção define quem pode começar. Os anos seguintes determinam quem estará preparado para assumir missões cada vez mais complexas, instruir novos pilotos e coordenar operações envolvendo outras aeronaves.
No caso relatado por Juan Bengoechea, o intervalo entre entrar na academia e alcançar esse nível de experiência ocupou praticamente uma década e meia.