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Exército leva contrato de R$ 60,8 milhões da antiga estrutura da Avibras para nova empresa do grupo, que assume direitos e obrigações até o fim de 2026

Felipe Alves da Silva
Por Felipe Alves da Silva Atualizado em 28/09/2026 às 18:23·publicado em 28/09/2026
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Exército leva contrato de R$ 60,8 milhões da antiga estrutura da Avibras para nova empresa do grupo, que assume direitos e obrigações até o fim de 2026
Contrato do Centro de Obtenções do Exército com a Avibras passou para a Avibras Aeroco após termo de sub-rogação publicado no Diário Oficial.

Termo publicado pelo Centro de Obtenções do Exército transfere integralmente um contrato de 2023 para a Avibras Aeroco, empresa que iniciou operações em 2026 com ativos e tecnologias da fabricante brasileira

Um contrato de R$ 60,8 milhões do Exército Brasileiro com a Avibras atravessou a reorganização empresarial da fabricante nacional de sistemas de defesa e passou oficialmente para a Avibras Aeroco Indústria Aeroespacial Ltda.. A mudança não representa apenas uma alteração de nome no documento: a nova empresa assumiu integralmente os direitos e as obrigações previstos no acordo.

O movimento aparece em um termo aditivo publicado pelo Centro de Obtenções do Exército no Diário Oficial da União de 25 de setembro. O documento registra a “sub-rogação total” do Contrato nº 130/2023, originalmente mantido com a Avibras Divisão Aérea e Naval S.A.

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O valor total atualizado permanece em R$ 60.800.818,56, e a vigência indicada pelo Exército vai de 23 de setembro até 31 de dezembro de 2026.

O contrato não desapareceu com a mudança da Avibras

A expressão jurídica utilizada pelo Exército ajuda a entender o que ocorreu. Em vez de encerrar o contrato e iniciar outra contratação, o termo transfere a posição contratual para a Avibras Aeroco.

Segundo o próprio ato, houve transferência da integralidade dos direitos e obrigações da Avibras Divisão Aérea e Naval para a Avibras Aeroco, que passa a figurar como “parte sub-rogada e sucessora na relação contratual originária”.

Na prática, é esse detalhe que transforma um ato administrativo aparentemente burocrático em uma movimentação relevante para a indústria brasileira de defesa. O Exército mantém um contrato superior a R$ 60 milhões enquanto a contraparte empresarial passa de uma estrutura da Avibras para outra criada no processo recente de reorganização da companhia.

O extrato publicado no Diário Oficial, porém, não descreve o objeto específico do Contrato nº 130/2023. Assim, apenas a publicação de 25 de setembro não permite afirmar quais equipamentos, sistemas ou serviços estão vinculados aos R$ 60,8 milhões.

Avibras Aeroco começou a operar em 2026

A mudança acontece poucos meses depois de a Avibras Aeroco anunciar oficialmente o início de suas operações.

Em abril de 2026, a própria empresa informou que a nova companhia reunia ativos estratégicos e o portfólio tecnológico de produtos, serviços e sistemas da Avibras Indústria Aeroespacial. Segundo a fabricante, a estrutura atua no desenvolvimento e na produção de sistemas de defesa e soluções espaciais, incluindo mísseis, foguetes, veículos especiais e lançadores espaciais.

A transição empresarial ganhou relevância adicional para o setor de defesa porque a Avibras está ligada historicamente a algumas das principais tecnologias militares desenvolvidas no Brasil.

Em julho, durante visita às instalações da companhia em Jacareí, o Ministério da Defesa informou que a Avibras Aeroco trabalhava com fabricação de componentes para mísseis e foguetes, montagem de sistemas de defesa e produção de veículos especiais. O ministério também informou que a empresa havia sido credenciada como Empresa Estratégica de Defesa (EED) em maio de 2026.

Ministério da Defesa — visita às instalações da Avibras Aeroco

R$ 60,8 milhões passam a integrar a nova relação contratual

O ponto central do documento publicado pelo Exército é justamente a continuidade.

O valor não aparece como uma nova compra de R$ 60,8 milhões realizada em setembro. Trata-se do valor total atualizado de um contrato que remonta a 2023, agora transferido para a sucessora indicada no termo aditivo.

Essa diferença é importante. Ler apenas o valor poderia dar a impressão de que o Exército realizou uma nova contratação milionária com a Avibras Aeroco. Não foi isso que o Diário Oficial registrou.

O que ocorreu foi a mudança da empresa responsável pela execução da relação contratual já existente: sai a Avibras Divisão Aérea e Naval S.A. e entra a Avibras Aeroco Indústria Aeroespacial Ltda., com a transferência completa dos compromissos associados ao contrato.

Nova Avibras chega ao contrato em meio à retomada industrial

A Avibras Aeroco afirmou em setembro que já havia atingido sua operacionalidade integral, com retomada das áreas industriais e de produção. A companhia também informou estar trabalhando no desenvolvimento do Míssil Tático Balístico (MTB) e declarou que o Míssil Tático de Cruzeiro (MTC) estava em fase final de certificação. Essas informações são declarações da própria empresa e não fazem parte do termo contratual publicado pelo Exército.

Comunicado da Avibras Aeroco de setembro de 2026

Há ainda outra mudança empresarial em discussão. Em agosto, a Avibras Aeroco informou que uma operação envolvendo a venda das ações de sua controladora, a Nova AVB S.A., para a Globe Investimentos, um family office dos irmãos Batista, havia sido submetida à análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A própria companhia ressaltou que a conclusão dependeria da aprovação e dos demais trâmites da operação.

Isso coloca o contrato do Exército dentro de uma transformação empresarial mais ampla: enquanto a estrutura societária da fabricante passa por mudanças, contratos de defesa precisam continuar produzindo efeitos jurídicos e administrativos.

O que ainda não aparece no Diário Oficial

A publicação resolve quem passa a responder pelo contrato, seu valor atualizado e até quando ele permanece vigente.

Mas deixa uma pergunta importante aberta: o que exatamente está sendo fornecido ao Exército dentro desse acordo de R$ 60,8 milhões?

O extrato de 25 de setembro não detalha o objeto do Contrato nº 130/2023. Também não informa, naquele trecho, cronograma de entregas, quantidade de sistemas, eventual saldo a executar ou quanto do valor total já foi pago.

Até que o contrato original e seus documentos complementares sejam analisados, vincular os R$ 60,8 milhões a um míssil, foguete ou sistema específico seria ir além do que a publicação oficial permite afirmar.

O que já está documentado é significativo por si só: um contrato milionário do Exército sobreviveu à mudança empresarial da Avibras, e a Aeroco passou a carregar integralmente seus direitos e suas obrigações até o encerramento da vigência previsto para dezembro de 2026.

Correção: O texto foi atualizado para esclarecer que a Globe Investimentos é um family office dos irmãos Batista, e não integrante do Grupo J&F.

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