Revista Sociedade Militar, todos os direitos reservados.

Forças Armadas reúnem 738 militares de 6 países de língua portuguesa para treinar contra drones e conflitos armados no Exercício Felino, enquanto Brasil mantém 71 militares em 9 missões de paz ao redor do mundo

Em 12 dias de simulações em Foz do Iguaçu, Brasil colocou em campo 119 viaturas, 8 embarcações e 2 aeronaves no maior exercício militar já realizado entre os países lusófonos

Campos
Por Campos Atualizado em 12/09/2026 às 21:26·publicado em 12/09/2026
Compartilhar
Forças Armadas reúnem 738 militares de 6 países de língua portuguesa para treinar contra drones e conflitos armados no Exercício Felino, enquanto Brasil mantém 71 militares em 9 missões de paz ao redor do mundo
Militares em formação durante o Exercício Felino 2026, em Foz do Iguaçu — treino que prepara as tropas brasileiras para missões internacionais de paz. Foto: Ministério da Defesa

Drones cortando o céu. Estradas bloqueadas por explosivos escondidos. Comboios sob risco de emboscada. Não é cenário de guerra real, mas foi exatamente isso que 700 militares das Forças Armadas brasileiras enfrentaram lado a lado com tropas de outros 5 países que falam português, em pleno território nacional, no chamado Exercício Felino.

Coordenado pelo Ministério da Defesa, o Exercício Felino 2026 aconteceu em Foz do Iguaçu (PR), entre 10 e 21 de agosto, reunindo 38 militares das Forças Armadas de Portugal, Angola, Guiné Equatorial, Moçambique e Timor-Leste para além da tropa brasileira.

O próximo Exercício Felino, inclusive, que acontecerá em 2027, já tem lugar marcado: Timor-Leste.

Um exercício que existe desde o ano 2000

O Exercício Felino, que recebeu esse nome pelo fato de os felinos selvagens estarem presentes em todos os países lusófonos, não nasceu agora. Ele acontece desde 2000 entre os membros da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) e é hoje, segundo o Ministério da Defesa, o principal exercício militar conjunto entre os países que falam português.

Como anfitrião da edição de 2026, o Brasil ficou responsável pela estrutura logística, de comando e controle, e pelos meios operacionais do exercício. A nação colocou em campo:

  • 119 viaturas do Exército, Marinha e FAB (Força Aérea Brasileira)
  • 8 embarcações da Marinha
  • 2 aeronaves da FAB

Drones, conflito armado e cenários de crise

O treino realizado no Exercício Felino não foi só desfile de equipamento. Os militares tiveram que enfrentar simulações de cenários de instabilidade e conflito armado, incluindo as ameaças que os drones (sistemas aéreos remotamente pilotados) representam hoje em qualquer campo de batalha.

Entre as missões que as Forças Armadas brasileiras e as tropas estrangeiras tiveram que cumprir, estiveram:

  • Desobstrução de vias
  • Distribuição de ajuda humanitária
  • Proteção de campos de deslocados
  • Detecção e neutralização de artefatos explosivos
  • Descontaminação química de ambientes
  • Evacuação aeromédica
  • Escolta de comboio

Segundo o Ministério da Defesa, a programação também incluiu abordagens alinhadas às novas tendências de conflitos armados, assistência humanitária a refugiados e prevenção à exploração e abuso sexual.

Em maio deste ano o portal Revista Sociedade Militar revelou que, em um documento oficial de prestação de contas, um General de Exército expôs casos graves envolvendo militares brasileiros em missões de Paz, incluindo exploração e abuso sexual.

“Instrumento de preparação militar, cooperação e proteção”

Quem conduziu o exercício foi o General de Divisão Julio Cesar Belaguarda Nagy de Oliveira. Para ele, o Felino vai muito além do treino físico. Trata-se de uma peça-chave na forma como o Brasil se prepara para atuar fora de casa:

“O Felino 2026 pode ser entendido como um instrumento de preparação militar, cooperação internacional e proteção da sociedade. Para a Defesa Nacional, seu maior valor está em aumentar a prontidão, a interoperabilidade, a capacidade de atuação conjunta, além de fortalecer os laços diplomáticos e de defesa entre os países membros da CPLP.”

O Brasil já está nisso de verdade, não só no treino

Enquanto o Felino simula cenários de crise, o Brasil já vive isso de verdade em outras partes do mundo.

Atualmente, o país participa ativamente de 9 operações de paz, com 71 militares distribuídos entre Chipre, Colômbia, Líbano, República Centro-Africana, República Democrática do Congo, Saara Ocidental, Somália, Sudão do Sul e na região de Abiey, disputada pelo Sudão e Sudão do Sul.

guest
0 Comentários