O Exército dos Estados Unidos abriu uma busca por drones capazes de levar 20 unidades de hemoderivados por missão até pontos avançados onde uma entrega convencional pode consumir tempo ou colocar equipes médicas em risco. O projeto recebeu o nome de Army Blood Link e prevê inicialmente a entrega de dois protótipos.
Os números deixam claro o tipo de operação que a Força pretende testar. Cada aeronave não tripulada deverá alcançar até 100 quilômetros, carregar de 35 a 50 libras e estar pronta para decolar em no máximo 30 minutos depois do pedido de missão.
A solicitação foi divulgada em nome do XVIII Airborne Corps Joint Operations Innovation Outpost. O prazo para respostas termina em 21 de setembro de 2026 e, segundo os requisitos publicados, os protótipos deverão ser entregues em até três meses após a eventual contratação.
Army Blood Link quer reduzir o tempo entre o pedido e a chegada do sangue
O foco do projeto é levar sangue e outros hemoderivados a unidades que operam longe de estruturas médicas maiores. O drone deverá ter um raio de transporte de 30 quilômetros e alcance máximo de 100 quilômetros, podendo operar em altitudes de até 18 mil pés.
A carga útil mínima exigida é de 35 libras, com capacidade desejada de até 50 libras. O sistema também precisa sair do pedido de missão para a decolagem em até meia hora, uma exigência que coloca velocidade de resposta no centro do programa.
Temperatura do sangue terá de ser controlada por até três horas
Transportar sangue em um drone exige mais do que simplesmente acomodar bolsas em um compartimento. O recipiente deverá manter a carga dentro das condições adequadas por até três horas, mesmo com temperaturas externas entre 15 e 120 graus Fahrenheit, aproximadamente de -9 °C a 49 °C, e alta umidade.
A duração total de uma missão poderá variar entre três e seis horas. O requisito, porém, estabelece que o período em que os hemoderivados permanecem no sistema de controle térmico não deve ultrapassar três horas.

Entrega terá margem de erro de apenas 10 metros
Outra exigência é a precisão. O drone deverá conseguir colocar a carga dentro de uma área de até 10 metros do ponto definido para entrega. O Exército também admite a possibilidade de liberar o recipiente a uma altura entre 10 e 15 metros, desde que o impacto não comprometa o material transportado.
A navegação prevista é semiautônoma, por pontos de rota, com retorno à base sob supervisão humana. A expectativa de vida útil informada para as plataformas varia de 500 a 1.500 horas de voo.
Exército já testou drones para levar sangue em exercício na Europa
A ideia não surgiu apenas no papel. Em maio de 2025, militares da 173rd Airborne Brigade participaram de um exercício na Lituânia em que drones transportaram sangue simulado até posições médicas de campanha durante o Swift Response.
Na ocasião, plataformas como o TRV-150 e o Flying Basket foram usadas para testar uma alternativa ao envio de equipes inteiras para pontos expostos. A experiência ajudou a mostrar como aeronaves não tripuladas podem assumir parte do trajeto logístico entre depósitos de sangue e estruturas de atendimento mais próximas da linha de frente.
Projeto procura adaptar plataformas já existentes em vez de começar do zero
O cronograma curto é outro detalhe importante. Como os protótipos deverão ser entregues poucos meses depois de uma eventual contratação, o aviso recomenda que as empresas concentrem esforços na adaptação e no desenvolvimento de sistemas não tripulados comerciais já disponíveis.
Isso reduz o tempo necessário para criar uma aeronave completamente nova e permite testar mais rapidamente sensores, controle térmico, autonomia, capacidade de carga e precisão de entrega em um ambiente militar.
Dois protótipos serão o primeiro passo para avaliar o conceito
A busca atual não representa a adoção imediata de uma frota de drones médicos pelo Exército dos EUA. O objetivo anunciado é obter dois protótipos e avaliar se plataformas desse tipo conseguem cumprir os requisitos definidos para transporte de sangue em campo.
Se o conceito avançar, a combinação de alcance, resposta rápida e menor exposição de equipes médicas poderá abrir uma nova opção logística para operações em áreas onde estradas, helicópteros ou comboios enfrentam riscos maiores.
Por enquanto, o Army Blood Link está na etapa de busca de soluções e avaliação de fornecedores. As respostas das empresas devem indicar quais plataformas existentes podem ser adaptadas para cumprir os parâmetros definidos pelo Exército.