Ensaio conduzido pelo CTEx com participação do CAEx e de empresas da Base Industrial de Defesa colocou à prova a separação da munição durante o voo e o funcionamento do artefato ao atingir o alvo, dentro de um projeto brasileiro de drones de ataque.
O Exército Brasileiro realizou o primeiro lançamento de uma munição desenvolvida no país especificamente para emprego por drone bombardeiro. Segundo informações do Centro Tecnológico do Exército (CTEx) divulgadas pela revista Tecnologia & Defesa, o ensaio confirmou o alijamento seguro do artefato e sua detonação no impacto.
A atividade reuniu o CTEx, o Centro de Avaliações do Exército (CAEx) e as empresas brasileiras PLASMAHUB e AIRTECH, integrantes da Base Industrial de Defesa. Os trabalhos foram conduzidos pelo Grupo de Robótica e Simulação do CTEx, dentro de um Acordo de Parceria, com participação da equipe técnica do CAEx.
O teste buscou verificar o comportamento da munição depois da liberação por uma plataforma aérea não tripulada do tipo bombardeiro. A avaliação precisava confirmar que o artefato poderia deixar o drone sem comprometer o vetor e completar o funcionamento previsto ao atingir o alvo.
Uma das etapas analisadas foi justamente o alijamento, termo empregado para a separação da munição em relação à aeronave. Depois dessa fase, o ensaio verificou se o mecanismo de detonação seria acionado no impacto, completando as duas funções selecionadas para avaliação.
Drone, mecanismo de liberação e munição precisam atuar como um único sistema
O desenvolvimento de um drone bombardeiro exige compatibilidade entre a plataforma aérea, o sistema responsável por transportar a carga, o mecanismo de liberação e a própria munição. O teste físico permite observar essa interação durante uma sequência efetiva de lançamento, além das etapas anteriores de projeto e integração.
No momento da separação, o drone precisa liberar o artefato de maneira adequada e permanecer em condições de operação. A munição, por sua vez, deve se afastar do vetor conforme o previsto e cumprir sua função até o impacto.
Participaram do ensaio o general de brigada João Paulo Zago, chefe do CAEx, e o general de brigada Maurício Ramos de Resende Neves, chefe do CTEx, além de engenheiros, técnicos das organizações militares e profissionais das duas empresas envolvidas.
A composição das equipes reflete a divisão de funções adotada no projeto. O CTEx atua no desenvolvimento tecnológico, o CAEx participa da avaliação prática do sistema e as empresas nacionais colaboram na criação e integração das soluções utilizadas pelo conjunto.
Os resultados divulgados corresponderam ao desempenho esperado para essa fase. Com o lançamento, as equipes obtiveram dados sobre o comportamento da munição durante a separação do vetor e puderam verificar fisicamente o funcionamento do mecanismo de detonação.
Projeto integra esforço brasileiro com drones de ataque
O ensaio faz parte de um projeto mais amplo de desenvolvimento de uma família de drones de ataque, e não apenas de uma munição isolada. A proposta reúne plataformas aéreas não tripuladas e armamentos concebidos para operar de forma integrada.
A indústria brasileira já havia apresentado ao Exército outras soluções relacionadas ao lançamento de armamentos por drones. Em outubro de 2025, empresas nacionais demonstraram no Arsenal de Guerra do Rio plataformas de reconhecimento e ataque para militares da Diretoria de Fabricação e do CTEx.
Na ocasião, o protótipo MQ-18 Arqus, da Aero.ID, realizou o lançamento de dois simulacros de munições de morteiro de 60 mm, conforme registrou a Tecnodefesa. A atividade teve caráter demonstrativo e envolveu equipamentos diferentes dos avaliados no teste com PLASMAHUB e AIRTECH.
O trabalho agora divulgado envolve uma munição concebida especificamente para emprego por uma plataforma do tipo bombardeiro. Essa característica exige que dimensões, sistema de transporte, mecanismo de liberação e funcionamento do artefato sejam compatíveis com o vetor aéreo utilizado no projeto.
O CAEx participa desse processo submetendo componentes e sistemas a avaliações práticas. Esses ensaios permitem confrontar o comportamento previsto durante o desenvolvimento com aquilo que ocorre quando o equipamento é efetivamente empregado nas condições definidas para cada campanha.
Outra avaliação recente do Exército envolveu um drone bombardeiro destinado ao emprego de munição anticarro. Segundo reportagem do Defesa em Foco, aquela campanha incluiu um ensaio estático de cabeça de guerra HEAT e um lançamento cinético real da munição a partir de uma plataforma aérea.
Os sistemas apresentados nas duas atividades não devem ser tratados como um único projeto. Os ensaios, porém, mostram trabalhos paralelos envolvendo plataformas não tripuladas capazes de transportar e liberar armamentos desenvolvidos ou integrados no Brasil.
No caso da munição testada com participação da PLASMAHUB e da AIRTECH, o resultado divulgado se limita às capacidades efetivamente avaliadas: a separação segura do artefato durante o voo e sua detonação ao atingir o alvo. Outros parâmetros operacionais ou características técnicas não foram informados no material disponível.
O CTEx relacionou a atividade ao trabalho desenvolvido pelo Sistema de Ciência, Tecnologia e Inovação do Exército em conjunto com empresas da Base Industrial de Defesa. Os dados obtidos no lançamento passam a integrar as avaliações técnicas de um projeto que reúne, em território nacional, desenvolvimento da plataforma, mecanismo de liberação e munição.