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5 estudantes da UFSC criam startup, desenvolvem 4 drones de ataque e colocam modelos entre os pré-qualificados pelo Exército após seleção que começou com 84 sistemas

Alisson Ficher
Por Alisson Ficher Atualizado em 21/09/2026 às 02:13·publicado em 20/09/2026
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5 estudantes da UFSC criam startup, desenvolvem 4 drones de ataque e colocam modelos entre os pré-qualificados pelo Exército após seleção que começou com 84 sistemas
Cinco estudantes da UFSC criam startup, desenvolvem quatro drones de ataque e avançam em seleção do Exército que começou com 84 sistemas. - Foto: Vultis Industries/Reprodução

Cinco estudantes de Engenharia Aeroespacial da Universidade Federal de Santa Catarina transformaram um projeto iniciado em Joinville em uma startup de defesa que agora aparece entre as empresas com drones de ataque pré-qualificados pelo Exército Brasileiro. Quatro sistemas desenvolvidos pela Vultis Industries avançaram em um processo que começou com 84 equipamentos apresentados à Força.

A seleção foi conduzida pela Diretoria de Fabricação do Exército, com apoio do Centro de Avaliações do Exército (CAEx), e buscou identificar drones capazes de atender futuras necessidades militares. As avaliações práticas ocorreram entre 22 de junho e 3 de julho de 2026, no Rio de Janeiro.

Dos 84 sistemas apresentados inicialmente por empresas da Base Industrial de Defesa, 32 avançaram para os testes práticos, segundo informações divulgadas pelo Exército e repercutidas pela CNN Brasil.

Entre os equipamentos que conseguiram chegar à lista de pré-qualificação estão quatro modelos da Vultis, startup criada em Joinville por cinco estudantes da UFSC e instalada no Ágora Tech Park, dentro do Perini Business Park. A empresa nasceu em 2024 com a proposta de desenvolver sistemas aéreos não tripulados no Brasil.

A pré-qualificação, porém, não representa uma compra já fechada pelo Exército. Ela indica que os sistemas atenderam aos critérios exigidos nessa fase e poderão participar de etapas futuras de desenvolvimento, avaliação ou eventual aquisição.

Quatro drones saíram da mesma plataforma

Os equipamentos selecionados pertencem à família URUBU-X e compartilham uma arquitetura comum de aviônica, software embarcado e estação de controle desenvolvidos pela empresa.

Há dois tamanhos, de 10 e 15 polegadas, e duas formas diferentes de emprego.

Os URUBU-X10B e X15B foram projetados para transportar e lançar cargas durante a missão. Já os X10K e X15K funcionam como sistemas de efeito terminal: o próprio drone segue até o alvo e é perdido no impacto, conceito frequentemente conhecido como drone “kamikaze” ou munição vagante.

A Vultis apresenta os quatro modelos como plataformas de curta distância, baixo custo e arquitetura preparada para produção em escala. Em seu material institucional, a empresa informa ainda que utiliza visão computacional e software próprio como parte dos sistemas de missão.

O caminho até a pré-qualificação não se limitou a colocar os drones no ar.

A campanha do Exército foi estruturada para observar primeiro segurança, controle e estabilidade de voo. Depois vieram avaliações operacionais, incluindo engajamento de alvos com munições inertes. A etapa mais avançada envolveu demonstrações com munição real para verificar o efeito terminal dos sistemas.

Em uma das avaliações, realizada a cerca de 1.500 metros da área onde estavam as equipes, as imagens dos testes foram acompanhadas em tempo real por razões de segurança.

Startup nasceu dentro da Engenharia Aeroespacial

A história da Vultis começou longe de uma grande fabricante tradicional de armamentos.

Segundo a FIESC, a startup foi criada por cinco alunos do curso de Engenharia Aeroespacial da UFSC em Joinville. A empresa passou a direcionar seus projetos para drones militares e tecnologias de defesa num momento em que aeronaves não tripuladas ganharam espaço crescente nos conflitos recentes.

Um dos pontos que motivaram o grupo foi a dependência brasileira de plataformas importadas. A proposta passou a ser desenvolver localmente não apenas a estrutura dos drones, mas também componentes de controle, integração e software.

Esse caminho levou a empresa a circular por eventos do setor de defesa e a apresentar seus projetos às Forças Armadas.

Na SC ExpoDefense 2026, a Vultis mostrou sistemas próprios e teve contato com representantes do Exército, Marinha e Força Aérea. A empresa também participou posteriormente da Operação Furnas 2026, exercício da Marinha que reuniu mais de 2 mil militares. Nessa ocasião, os modelos X10B e X15B realizaram demonstrações de lançamento de munições fumígenas.

Empresa já trabalha em interceptador de drones

Os quatro sistemas apresentados ao Exército não são os únicos projetos do grupo.

A startup também desenvolve o J.U.L.I.A., sigla para Joint Unmanned Lightweight Interceptor Aircraft, concebido para interceptar drones de pequeno porte.

O projeto foi apresentado publicamente em Santa Catarina como uma solução nacional de defesa contra ameaças aéreas de baixo custo. Segundo a FIESC, o interceptador foi projetado para atingir velocidades de até 400 km/h, com preço projetado na faixa de US$ 3 mil.

A empresa trabalha ainda com uma plataforma própria de comando e controle para planejamento e acompanhamento das missões.

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